Brasil procurando nova ‘Terra’

Cientistas do País participam de projeto que usa telescópio espacial para achar mais planetas fora do Sistema Solar

POR JOÃO RICARDO GONÇALVES

Rio – O céu do Sistema Solar não é mais o limite para cientistas brasileiros. Um grupo deles participa de uma missão, em conjunto com pesquisadores europeus, que já encontrou 13 planetas fora da região da galáxia onde a Terra orbita o Sol. Seis dos corpos celestes foram descobertos há duas semanas.

Achar planetas com condições parecidas com as da Terra é um dos objetivos dos especialistas, que são de três instituições brasileiras: Observatório Nacional, Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciência Atmosférica (IAG) da USP e Universidade Mackenzie de SP. Eles analisam dados enviados pelo satélite CoRot, lançado através de uma parceria internacional liderada pela França. “Os cientistas do IAG analisam algumas medidas feitas no solo e no estudo de fenômenos de maré que ocorrem nesses planetas”, explica o astrônomo Silvio Ferraz de Melo, da USP.

Além dos pesquisadores, o Brasil também colaborou instalando uma receptora de dados em Natal (RN), fundamental para a missão por estar localizada no Hemisfério Sul.

A tarefa não é fácil: para se ter uma ideia, os planetas recentemente encontrados ficam a distâncias entre 3,8 e 38 quadrilhões de quilômetros do grupo de corpos celestes que percorrem trajetórias ao redor do nosso Sol.

“O CoRot trabalha em duas áreas pequenas do céu, uma na direção do centro galáctico e outra na direção contrária. A luz de milhares de estrelas é medida de maneira continuada durante 150 dias, depois muda de alvo por mais 150 dias, e assim por diante”, explica. Quando um dos novos planetas “passa em frente” a uma dessas estrelas, chama atenção.

Depois da descobertos, os novos astros são observados por mais telescópios no solo. Todos os planetas descobertos este mês através do CoRot são muito maiores e diferentes da Terra. No ano passado, o CoRot chegou a encontrar um planeta com dimensões parecidas com as nossas, mas bem mais perto de seu sol. Nele, a temperatura sobe de 250 graus para 600 graus em apenas 13 dias. Isso é quanto dura um ano no lugar.

Segundo Silvio, é apenas questão de tempo para que apareça um mundo parecido com o nosso. “Mais cedo ou mais tarde, será descoberto.”

Participação intensa do País

O telescópio espacial CoRot é utilizado em dois programas distintos, um de descoberta de planetas fora do Sistema Solar e outro de sismologia em estrelas, ambos com participação de pesquisadores brasileiros.
Na procura de planetas, participam o Observatório Nacional, Mackenzie e IAG. Na área de sismologia, o IAG atua em colaboração com institutos de pesquisa no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Norte.

Além da estação receptora de dados que mantém no Nordeste, engenheiros brasileiros participaram da equipe que, na França, preparou as rotinas de análise dos dados recebidos, antes do lançamento.

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