Desigualdades raciais e mercado de trabalho no Brasil

 

Nota do Brasil Debate

Mesmo que controladas algumas características, existe uma desigualdade de oportunidades entre a população negra (pretos e pardos, considerando a classificação do IBGE) e a população branca no País que corrobora a adoção de políticas afirmativas, tais como as cotas raciais.

Hoje, pretos e pardos – 50,7% dos brasileiros – ocupam em torno de 30% do funcionalismo brasileiro, são 17,6% dos médicos e menos de 30% dos professores universitários. Já entre os diplomatas apenas 5,9% são pretos e pardos; entre os auditores da Receita Federal 12,3%; e na carreira de procurador da Fazenda Nacional, 14,2%. Esses dados mostram uma gritante desigualdade.

Segundo estudo do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (LAESER), em abril/2014, a taxa de rotatividade para trabalhadores brancos era de 33,6% e da população economicamente ativa (PEA) negra de 44%.

Quanto à composição da PEA ocupada, em torno de 63% dos empregos domésticos no País são ocupados por negros. Por outro lado, brancos detêm quase 60% dos postos com e sem carteira no setor público – como militares ou funcionários no setor público. Brancos são também quase 70% do total de empregadores do País, como mostram os gráficos a seguir:

tabela desigualdade1

tabela desigualdade2

No mês de abril de 2014, a PEA branca possuía rendimento real médio 72,8% superior à PEA negra. Nesse mesmo mês, a desigualdade entre o rendimento auferido pelos homens brancos e pelas mulheres negras era igual a 138,3% e as mulheres brancas auferiam rendimentos 26,2% mais elevados do que os homens negros. Na comparação anual, houve elevação de rendimentos de 1,4% para os trabalhadores brancos, e de 3,8% para os negros.

Leia também:  Acordos entre Brasil e EUA podem ser alterados por Biden, diz analista

tabela desigualdade3

Em abril de 2014, a taxa de desemprego aberto da PEA total residente nas Regiões Metropolitanas pesquisadas foi de 4,9%, 0,9 ponto percentual menor que em abril de 2013. A taxa de desemprego da PEA branca foi de 4,3% e da PEA negra de 5,5%. A taxa de desemprego da PEA branca caiu 0,7 ponto percentual, e a da PEA negra, de 1,2 ponto percentual, na comparação anual.

tabela desigualdade4

Os índices mostram melhorias absolutas, apesar de ainda expressivas diferenças de rendimento, estrutura ocupacional, formalização, rotatividade e desemprego entre negros e brancos. Faz-se necessário, assim, seguir avançando na melhoria dos índices do mercado de trabalho e de escolaridade da população negra, com enfoque na diminuição das desigualdades raciais.

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6 comentários

  1. Debate viciado feito sob

    Debate viciado feito sob medida para moldagens dos estelionatarios ideologicos de sempre.

    O Brasil não consegue dar ensino publico   fundamental minimamente decente para os brasileiros da escola publica ( leia-se pobres ) 

    Esses pobres são na sua imensa maioria afrodescendentes vitimados pela maquina de reproduzir miseria da qual o ensino publico é apenas 1 das faces do problema.

    E apesar disso ” estudiosos” fazem estudos para medir a ” desigualdade social/racial  ”  no mercado de trabalho entre esses grupos e outros que são mais privigeliados.

    Entao cria-se uma fantasia onde a escola finge que forma, a faculdade privada aceita um aluno cada vez mais limitado o mercado de trabalho fica com mao de obra cada vez menos eficiente, porem os tais ” intelectuais ” e pesquisadores podem tanto falar que existe desiqualdade racial no mercado de trabalho como tambem falar que graças à coisas obcenas como cotas raciais a coisa esta mudando…

    seria comico nao fosse literalmente tragico rs

    • Distribuição de Vagas nas

      Distribuição de Vagas nas Universidades Federais e Instituições Federais de Ensino Técnico de Nível Médio, com base na Lei 12.711 de 29/08/2012 (Lei das Cotas):

      De cada 100 vagas:

      50 vagas são preenchidas exclusivamente pelos critérios de NOTAS

      50 vagas têm que ser preenchidas obrigatoriamente por alunos que cursaram integralmente o ensino médio em escolas públicas. Dessas 50 vagas, 25 devem ser preenchidas obrigatoriamente por alunos oriundos de famílias com renda igual ou inferior a 1,5 salário mínimo per capta. Essas vagas deverão ser preenchidas por autodeclarados pretos, pardos e indígenas em proporção no mínimo igual à de pretos, pardos e indígenas na população da unidade da federação onde está instalada a instituição, segundo o último censo do IBGE.

      -x-x-x-

      Antigamente, quase 100% dessas vagas eram preenchidas por estudantes oriundos de classes mais abastadas, que estudavam em escolas particulares e não precisavam trabalhar para ajudar no sustento das casas. Tinham, portanto, muito mais chances de se preparar adequadamente. As exceções ficavam por conta de alguns estudantes de outras classes sociais, com inteligência acima da média.

      Me explica onde está a obcenidade do sistema atual, pois a mim parece que obceno era o que acontecia antes.

       

  2. Classificações prévias

    A “explicação” que faz este artigo é o tipo da “causalidade” sociológica que se sustenta apenas sobre a miragem de uma conta de chegada.

    É mais um caso de reificação mistificadora dos números, em que o fatalismo funciona como transcendente causal, e as consequências de um longo processo socio-histórico multicausal são tomadas como causa unívoca para tentar lavrar uma “verdade” a-histórica: a das raças.

    Na realidade, a sustentação ideológica desse tipo de operação não é mais que uma profissão de fé de caráter messiânico: a existência de “raças”. Os antropólogos chamamos a esse tipo de dispositivo de “sistema classificatório”.

    O horóscopo, por exemplo, é um sistema classificatório. Se o sujeito acredita em horóscopo, qualquer pessoa, para ele, terá sempre  e impositivamente (pelo fato de ter nascido em um dia qualquer do ano) um signo, um ascendente e… (esse é o pulo do gato dos sistemas classificatórios) características de personalidade (ou seja, conteúdos de relações sociais) determinadas pelos operadores do sistema: signos, ascendentes etc. A diferença “posta” não é mais que diferença reificada, previamente naturalizada pelo sistema classificatório.

    Os sistemas classificatórios servem para mapear os indivíduaos antes que eles sejam objeto de outro tipo de conhecimento. Quando eles são aplicados à história e à sociedade, eles servem para qualificá-las antes que causalidades mais complexas possam eventualmente ser perscrutadas.

    A mais importante das características intrínsecas dos sistemas classificatórios é que eles nunca são passíveis de serem questionados a partir de dentro, porque eles já impõem previamente o mapa das possibilidades com o qual o mundo é classificado.

    No correr dos séculos, o pensamento racialista buscou incessantemente critérios (em aparência objetivos) para definir a estereotipação dos indivíduos. A permanentemente ilusória “objetividade” desses critérios levou a crítica ao racialismo a uma conclusão singela: toda classificação “racial” a partir de estigmas fenotípicos não é outra coisa senão imputação: onde terminaria (em termos universalmente objetivos) a “branquitude” para começar a “parditude”???? E o filho branco de pai preto que concentrou a melanina em uma infinidade de pintas pelo corpo? Ora, mas ele é “branco”, então ele cruzou para a banda dos “privilegiados”, “limpou o sangue”… E o quanto ele pode continuar sendo estigmatizado por conta de alguma outra marca de origem?…

    Saber como funcionam as infindáveis contingências socio-históricas da estigmatização pela cor, pela aparência, pelo modo de falar, pela origem regional ou social… tudo isso escapa dos interesses predeterministas do racialismo.

    Para esse tipo de pensamento, cogitar a hipótese, por exemplo, de que uma lógica social da exclusão (como, por exemplo, a lógica socio-cultural do privilégio) possa mover as dinâmicas socio-históricas, que possa ser (socio)logicamente precedente à “naturalidade” da “raça”, e que possa operar pela mobilização de critérios múltiplos (a parentela oligárquica junto com uma marca de origem, junto com contingências singulares do acesso à riqueza etc)… é algo da ordem do simplesmente impensável. A complexidade é algo que está fora das possibilidades de pensamento ditadas pelo reducionismo classificatório.

    A definição prévia de uma classificação determina todo o resto em termos de possibilidade e inteligibilidade. É o mundo estático, em branco e preto, finalista e teleológico. A história multicausal e multicolorida torna-se intelectualmente irreconhecível. É o reino totalitário da classificação prévia e do pensamento único.

    (Um pouco mais sobre esse debate pode ser lido em muitos lugares. Pessoalmente, ofereço um artigo que publiquei numa coletânea crítica de alguns anos atrás sobre políticas raciais, da qual, por casualidade, o Nassif também participou: http://www.academia.edu/1433619/Quando_nem_todos_os_cidad%C3%A3os_s%C3%A3o_pardos)

  3. Com essa invenção de raça

    Com essa invenção de raça negra eu e minha família tamos ferrados. Parte de minha família descende de índios da tribo dos Aimorés do Vale do Rio Doce misturados com austríacos e portugueses. Minha mulher tinha um avó materno que era uns 70% sangue índio e avó branca, minha mulher que tem cabelo cacheado e pele morena a dois meses deu a luz a nossa filha. A menina é ariana de cabelo meio avermelhado.

    Minha família e eu não nos encaixamos nos estereotipos do IBGE e das leis raciais brasileiras. A tempos não respondo a este quesito nos questionários.

    Viva o Brasil miscigenado e por isso motivo de crítica do ariano que fuzilou uma multidão na Noruega.

  4. Acredito que com as ações

    Acredito que com as ações sociais do governo dos petralhas, dentro de uma geração esses números tendem à mudar.

    Isso se o projeto neo liberal não voltar ao poder é claro.

    Não devemos esquecer que estamos há pouco mais de um século do fim da escravidão por direito, mais ainda vivemos em  alguns lugares a escravidão de fato.

    Sejam bem vindos, Enem, Prouni, Pronatec, Sisu, Ciências sem Fronteiras…

    A participação dos negros em curso superior aumentou 265% durante este governo.

    E só uma questão de tempo… lamentamos muito elite, mas vamos ocupar também os vossos espaços.

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