TV GGN 20hs: Aposta imprudente na sobrevivência de Bolsonaro

Para discutir o tema, Luis Nassif e Marcelo Auler conversam com a advogada Tânia Oliveira, membra da Coordenação Executiva da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia

“Hoje teve esse negócio da Prevent Senior – até publiquei um artigo para recomendar cautela”, diz Nassif. O artigo pode ser lido aqui. O artigo em questão pode ser lido clicando aqui.

“Não estou dizendo que ela é inocente, mas digamos: toda a denúncia é baseada em um grupo de médicos que saiu de lá ou que está em conflito com a empresa. Dizem ter documentos e tudo, a CPI vai analisar”, explica Nassif, chamando a atenção para alguns pontos em especial.

“A Prevent Senior quebrou a escrita dos planos de saúde para idosos. O que os planos de saúde faziam com os idosos é coisa tão desalmada quanto dos planos de saúde americanos (…) Ela quebrou esse cartel, reduzindo muito o custo e com um atendimento muito interessante de prevenção. Então, isso é um ponto relevante para a gente considerar”, diz Nassif.

“O segundo ponto é o seguinte: como ela tem uma grande base de dados de idosos, que é área de risco, e faz acompanhamento permanente, ela tem condições de fazer pesquisas médicas e, quando começou o negócio da cloroquina, ela achou que pudesse ter efeito e apostou muito nisso”, ressalta Nassif.

“(A Prevent Senior) achou que seus pesquisadores ganhariam reputação internacional naquele início, quando se falava que a hidroxicloroquina poderia resolver (…) Lançaram um primeiro trabalho, insuficiente, um trabalho que não tinha rigor científico”, diz Nassif afirmando que, nesse momento, entra Bolsonaro junto com o Trump politizando a questão. “Eles ficaram de apresentar outro estudo, com 1000 pessoas, que não apresentaram. Acho que perceberam que entraram numa fria”, diz Nassif.

“Agora, as denúncias precisam ser bem checadas (…) Há acusações de que teriam escondido óbitos, isso vai ter que ser apurado, mas não vamos fazer essa história de fazer a denúncia antes e conferir depois”

O jornalista Marcelo Auler leu a defesa de Pedro Benedito B.Junior, diretor-presidente da Prevent Senior, emitida na noite de ontem. “Ele entrou com HC junto ao Supremo pedindo para não comparecer como testemunha, mas como investigado – ele disse ‘eu estou indo como investigado, não estou indo como testemunha. Eu, então, quero o direito ao silêncio para não me autoincriminar”, diz Auler.

“Quem despachou isso foi o (ministro Ricardo) Lewandowski”, ressalta Auler. “Ele diz lá no edido que tem interesse em ir à CPI esclarecer tudo. Ou seja, ele (Pedro Benedito B.Junior) pede para ir como investigado, pede direito ao silêncio e diz que tem interesse em ir”, diz Marcelo Auler.

“Aí o que acontece: o Lewandowski diz que não é ele que tem que dizer se é investigado ou testemunha, mas que ele tem direito ao silêncio de não se incriminar como todo mundo. E que ele não pode sofrer pressões, ameaças, mas ele diz que tem que ir”, ressalta Auler. “Se ele teve tempo de ir ao Supremo – em momento algum o Lewandowski aborda a questão do prazo da convocação, como é que ele diz que agora ele não teve tempo de ir de São Paulo a Brasília?”.

Lira empaca o impeachment

A advogada Tânia Oliveira, pesquisadora e membra da Coordenação Executiva da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia – ABJD, conversa com Nassif e Auler sobre temas como os crimes do presidente e a proposta da mudança de impeachment, entre outros.

“Tem duas coisas que precisam ser analisadas: primeiro, eu não estou entre as que subestimam a força de mobilização popular que ele (Bolsonaro) ainda tem, a base que ele tem”, diz Tânia Oliveira. “Quando eu vejo as pesquisas mostrando que ele ainda tem um nível de aceitação de governabilidade, e você junta isso com a capacidade de mobilização que ele comprovou, gostemos disso ou não. de levar as pessoas para a rua naquele dia 07 de Setembro”.

“Você vê que ele ainda tem uma base social que a gente não deve subestimar, mas isso de fato é um dos aspectos mas, do meu ponto de vista, não é dos aspectos mais determinantes para que os pedidos de impeachment não tenham andamento na Câmara dos Deputados”, diz a advogada.

Tânia Oliveira ressalta o jogo de interesses existente na Câmara, que é representada pelo centrão – e que tem no presidente da Câmara dos Deputados (Arthur Lira – PP) seu representante maior. “(Lira) foi colocado lá com o apoio e respaldo do governo, e cumpre a agenda do governo – pelo menos a agenda econômica. E não tem qualquer disposição a dar andamento ao pedido de impeachment, independente dos inúmeros crimes de responsabilidade já cometidos pelo Jair Bolsonaro”.

“Enquanto o presidente da Câmara dos Deputados e, no meu ponto de vista, em uma interpretação equivocada do regimento da Câmara, enquanto ele não aceitar o pedido de impeachment, não der o primeiro passo, efetivamente isso não tem como acontecer. Então, tá mesmo nas mãos do Arthur Lira”.

Saiba mais acompanhando a íntegra do programa, no vídeo abaixo

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