TV GGN: Paulo Guedes e o atendimento hospitalar no Rio de Janeiro

Luis Nassif e Marcelo Auler discutem quais os efeitos da política do ministro da Economia Paulo Guedes no atendimento dos hospitais do RJ

O programa começa apresentando os dados da covid-19: em sete dias, o Brasil responde por 7,5% dos casos mundiais (ou 329.636 casos registrados) e 12,4% dos óbitos (7.746 mortes).

Nesta quarta-feira, o Brasil registrou 96.026 casos. A média semanal de casos chegou a 46.162, alta de 22,3% na média de sete dias, e de 7,5% em 14 dias. Já a média de óbitos chegou a 1.082, queda de 7,7% ante sete dias e de -14,4% ante 14 dias.

O caos na saúde do Rio de Janeiro

Mônica Armada, presidente dos Enfermeiros do Rio de Janeiro, e Alexandre Telles, presidente do sindicato dos médicos do Rio de Janeiro, conversam com Nassif e Marcelo Auler sobre o impacto da política de Paulo Guedes no atendimento dos hospitais do Rio de Janeiro.

“O Rio de Janeiro, por ter sido capital federal, possui uma rede ampla de hospitais federais”, disse Marcelo Auler. Dentre eles, o Hospital do Andaraí e o Hospital de Bonsucesso. “São, no mínimo, oito hospitais, fora outros institutos menores”.

“Hoje, a situação dos hospitais federais é bastante adversa”, disse Monica Armada. “A gente tem, hoje, na rede federal, um problema bastante sério que é a falta de recursos humanos. Pelo próprio Ministério da Saúde, relatório de gestão dele do ano passado, a gente tem um déficit de mais de 19 mil profissionais de saúde. Então, é impossível a gente enfrentar toda essa pandemia com uma quantidade tão baixa de servidores”, afirma Monica.

“Há muitos anos a gente vem denunciando esse desmonte que a gente vê no SUS – já tem 15 anos que não há concurso público”, diz Monica.  “Toda a reposição de mão de obra é feita através de contratos temporários – são contratos fragilizados, que acaba o contrato a cada seis meses, é uma rotatividade grande (…)”, pontua a presidente do sindicato dos enfermeiros.

“Aí a gente chegou no meio dessa pandemia – aquilo que era grave se agravou ainda mais. Aquilo ficou explícito, a situação da rede federal sem poder atender, havendo a necessidade de atendimento mesmo. A rede federal pouco contribuiu”, diz Mônica Armada.

“A coordenação do Rio resolveu transformar o hospital de Bonsucesso como hospital Covid. Era um hospital de alta complexidade, eles desmontaram um hospital todo. Então não tem onde fazer transplante, não tinha acompanhamento, eles acabaram com tudo”, disse Mônica.

“Nem o próprio Mandetta dizia que não era referência. A referência deles era o hospital do Fiocruz e do Fundão. Mas o coordenador do Rio – pra você ver o tamanho da confusão e da falta de gestão – eles botaram o hospital de Bonsucesso – e aí você tira o hospital de Bonsucesso, que nem atendeu o que ele atendia (que era alta complexidade) e nem atendeu covid. Isso foram passando os meses e, hoje, a gente continua nessa situação de déficit de RH”, diz Mônica.

Recentemente, Monica Armada e Alexandre Telles estiveram com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Segundo Marcelo Auler, “o Queiroga deixou claro que não quer enfrentar o Paulo Guedes, porque tudo vai depender do Paulo Guedes”.

“Nós, do sindicato, temos acompanhado essa situação dos hospitais federais”, disse Alexandre Telles. “Temos 760 leitos fechados, temos 19 mil cargos vagos, sendo que 80% desses cargos, pouco mais de 15 mil, estão no Rio de Janeiro. São cargos que são oriundos de exoneração, aposentadoria, morte. Enfim, diversas questões, e que eles estão disponíveis para ser realizado concurso público”, diz Telles.

“E nós, não apenas nesse momento com o ministro Queiroga, mas desde os outros ministros e os outros superintendentes que já estiveram aqui na superintendência do Rio de Janeiro, nós estamos pressionando, tentando dialogar na questão de realizar um concurso público”

“Temos uma necessidade imediata de 15 mil pessoas, temos 4117 contratos temporários de seis meses prorrogáveis por mais seis meses em vigor – ou seja, algo precário. Isso leva a uma queda da qualidade assistencial. Você não treina um médico altamente especializado em seis meses”, afirma Telles. “O que nós fomos colocar para o ministro da Saúde é justamente isso, a queda da qualidade assistencial, dessa alta rotatividade (…) Fora isso, esses 760 leitos que estão fechados por falta de recursos humanos. Então, nós precisamos desse concurso (…)”

“Fomos ao ministro pedir e o que foi colocado é que, no contexto da reforma administrativa, seria muito difícil realizar qualquer tipo de concurso para suprir essas vagas”, diz Alexandre Telles. “Então, a reforma administrativa nesse momento, a gente vê os primeiros impactos dela mesmo antes dela ser aprovada, gerando desassistência para a população do Rio de Janeiro”, diz o presidente do sindicato dos médicos.

“Isso é um absurdo, nós temos uma fila enorme de pessoas aguardando procedimentos nesses hospitais”, diz Telles. “Pessoas que hoje estão na fila do sistema de regulação aguardando uma neurocirurgia, um tratamento de oncologia, hoje não conseguem justamente pela inércia do Ministério da Saúde e pela posição política tomada pelo governo Bolsonaro de não realizar nenhum tipo de concurso público (…)”

“Nós temos 760 leitos fechados na rede federal por conta de falta de recursos humanos e de uma posição do Ministério da Saúde de não realizar concurso público (…) Não existe o menor interesse, no nosso entendimento, de realizar a reposição desse quadro”, afirma Telles.

Questionado por Nassif, Telles afirma que ouviu do ministro Queiroga que a reforma administrativa impede a realização de concurso público na audiência. “Mas isso não vai impedir que nós estejamos na luta. A gente entende que o maior patrimônio do SUS são os trabalhadores”

“Nós tivemos muitos trabalhadores que adoeceram, nós temos denúncias inclusive de limitação do fornecimento de equipamentos de proteção individual para os trabalhadores em meio à pandemia”, afirma Alexandre Telles. “Isso é um absurdo”

“É correto nós dizermos então que não precisavam construir um hospital de campanha (construíram dois ou três no Rio) durante a pandemia, bastando reativar leitos que estavam fechados. Isso é correto?”, questiona Auler, no que Mônica Armada confirma. “Com certeza, e até porque a gente viu o que foi os hospitais de campanha, a corrupção que houve por trás desses hospitais na contratação, e esses leitos da rede federal poderiam estar suprindo essa pandemia”, afirma.

“A rede federal poderia estar colaborando com isso, e pouco colaborou. Quem mais teve, que enfrentou a pandemia, foi a rede municipal, mas a gente acha inadmissível isso (…), diz Monica, por conta do tamanho da rede federal que poderia estar em uso.

Telles ressalta que o SUS tem a gestão dividida na administração federal, estadual e municipal – “na rede estadual, são 800 leitos que estão fechados nesses hospitais que, em sua maior parte, foram entregues para organizações sociais”.

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