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Sugerido por Carol Proner

Golpistas, tiriricas e chifradas, por Wilson Ramos Filho

 
Jornal GGN - O artigo a seguir, do professor da UFPR, Wilson Ramos Filho, é inédito e sairá na edição imprensa do livro “Classe Trabalhadora e Resistencia ao Golpe de 2016”. O docente faz uma interessante, e irônica comparação, entre os fatos que antecederam e sucederam o golpe de Estado no Brasil. 
 
Golpistas, tiriricas e chifradas
 
Wilson Ramos Filho 
 
Na Espanha há aficcionados por touradas que sabem histórias, narram corridas antológicas, veneram toureiros e admiram touros valientes, os que lutam bastante antes do golpe final. 
 
Durante o período de "instrução" da farsa do impeachment no Senado brasileiro, no início de julho de 2016, um toureiro desconhecido entrou para a história: ao invés de matar, morreu em Teruel, Aragon. Levou uma violenta cornada no peito e verteu sangue na areia tantas vezes lambuzada, há séculos, pelo viscoso e rubro sangue de miúras. O touro de Teruel, anônimo até então, também entrou para a história.
 
Muito provavelmente ninguém de fora de Teruel, ainda que fã da tauromaquia, saberia quem era o tal Victor Barrio que entrou para a história da pior maneira possível para um toureiro: foi corneado e estrebuchou na arena à vista de todos, de quem estava ao sol e dos que, à sombra, ensaiavam olés e bravos um pouco melhor acomodados.
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