Crise: Grécia Dirá NÃO

Nem no dia do referendo a Grécia escapa às ameaças de Bruxelas

As urnas de voto fecham às 17h (hora portuguesa) e os primeiros resultados devem ser divulgados duas horas depois. Tsipras e Varoufakis foram saudados pelos eleitores nas assembleias de voto e o socialista alemão Martin Schulz diz que se o ’Não’ ganhar, os gregos terão de imprimir a sua moeda própria.

“Deve a proposta de acordo apresentada pela Comisão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional ao Eurogrupo no dia 25 de junho, composta por duas partes que fazem a proposta conjunta, ser aceite?”. Esta é a pergunta a que milhões de gregos estão hoje a responder. Para que o resultado seja vinculativo, a participação terá de superar os 40% do eleitorado.

A ameaça de última hora surgiu na manhã do referendo pela voz do presidente do Parlamento Europeu. Numa entrevista emitida este domingo numa rádio alemã, Martin Schulz afirmou que “se os gregos disserem não no referendo terão de introduzir outra moeda, porque o euro não está disponível como meio de pagamento”. “A partir do momento em que alguém introduz uma nova moeda, sai da zona euro. São estes aspetos que me dão alguma esperança que as pessoas não irão hoje votar no ’Não’”, afirmou o dirigente do SPD e ex-candidato dos socialistas europeus à presidência da Comissão Europeia.

 

 

À chegada à Assembleia de voto, Alexis Tsipras foi saudado pelos presentes e afirmou que “Hoje a democracia venceu o medo”. “Muitos podem ignorar a vontade de um governo. Mas ninguém pode ignorar a vontade de um povo”, disse aos jornalistas o primeiro-ministro grego.

Dizendo-se “muito otimista, Tsipras acrescentou: “Estou certo de que a partir de amanhã teremos aberto um caminho para os povos europeus. Um caminho de regresso aos valores fundadores da democracia e solidariedade na Europa, com uma mensagem forte de determinação, não apenas de ficar mas de viver com dignidade na Europa”.

 

 

Também Varoufakis foi recebido com aplausos na sua assembleia de voto, onde os jornalistaso esperavam. “Os enormes fracassos do Eurogrupo levaram a ultimatos sem que a opinião dos gregos pudesse ser ouvida. Hoje, após cinco anos desses fracassos e erros, o povo grego tem a oportunidade de decidir no último ultimato do Eurogrupo, das instituições, dos nossos parceiros. Isto é um momento sagrado, um momento de esperança para toda a Europa. É um momento que dá esperança à Europa de que uma moeda comum pode coexistir com a democracia”, afirmou o ministro das Finanças.

 

O presidente da República Prokopis Pavlopoulos também foi votar a aproveitou para apelar à unidade dos gregos após o referendo. “Este dia pertence apenas aos cidadãos. Eles são chamados a decidir, de acordo com a sua consciência e guiados exclusivamente pelo interesse nacional, sobre o futuro do nosso país e do nosso povo”, afirmou Pavlopoulos, recordando a obrigação “de trilhar o caminho difícil a partir amanhã com unidade absoluta”, qualquer que seja o resultado.

 

O líder da Nova Democracia e ex-primeiro-ministro, Antonis Samaras, fez uma curta declaração aos jornalistas a apelar ao voto no “Sim”. “Hoje os gregos decidem o destino do nosso país. Votamos ‘Sim’ à Grécia, ‘Sim’ à Europa”, afirmou Samaras.

 

Mal recebido foi o líder do Potami, apontado como a escolha dos credores para liderar o governo apoiado pela Nova Democracia e Pasok, caso a vitória do “Sim” leve a eleições antecipadas. à saída da assembleia de voto, Stavros Theodorakis ouviu alguns insultos de apoiantes do ’Não’.

À porta de muitas assembleias de voto também esteve representado o KKE. Os comunistas gregos distribuíram boletins de voto falsos, dizendo ‘Não’ à proposta dos credores e ’Não’ à proposta do governo, procurando convencer quem passava a introduzi-los na urna em vez do boletim de voto válido.  

 

A campanha do referendo foi protagonizada desde o início pelos media privados gregos, que encheram páginas e tempo de emissão com apelos ao voto no “Sim” e imagens para transmitir receio e pânico na população, por vezes manipuladas. No próprio dia da votação, um dos jornalistas do Khatimerini, que também publica no semanário português Expresso, resolveu postar no Twitter o seu voto “Sim”:

 

Pesquisas indicam vitória do ‘não’, contra credores, no plebiscito grego

DA FOLHA

LEANDRO COLON
FERNANDA GODOY
ENVIADOS ESPECIAIS A ATENAS

05/07/2015  13h39

Pesquisas divulgadas neste domingo (5) na Grécia após o fechamento das urnas indicam vantagem do “não” sobre o “sim” no plebiscito realizado para aprovar a proposta de socorro financeiro feita pelos credores internacionais.

Os levantamentos devem ser analisados com cautela porque, embora tenham sido feitos neste domingo, nem todos ouviram os gregos na saída dos locais de votação e, por isso, não seriam classificados como “boca-de-urna”. Os primeiros resultados oficiais serão anunciados a partir de 21h (15h, em Brasília). Espera-se que o cenário esteja definido ainda nesta noite.

Pelo menos seis pesquisas divulgadas pelos canais de televisão, com base em institutos locais, apontam vitória do “não”.

Segundo o canal Skai TV, por exemplo, o “não”, contra o acordo proposto pelos credores, deve vencer pelo placar de 51,5% a 48,5%. O canal Alpha prevê que o “não” atinja de 49,5% a 54,5% dos votos, enquanto o “sim”, de 45,5% a 50,5%. O canal Mega divulgou pesquisa em que o “não” aparece vencendo por 51,5% a 48,5%.

Entenda a crise grega

A votação terminou às 19h (13h, em Brasília) e ocorreu em clima de tranquilidade na capital Atenas. Ao todo, 9,9 milhões de gregos estavam aptos para votar no país.

A população foi convocada na semana passada pelo primeiro-ministro, Alexis Tsipras, para aprovar ou não a proposta de socorro financeiro internacional feita pelos credores FMI (Fundo Monetário Internacional), BCE (Banco Central Europeu) e a zona do euro.

Após votar, Alexis Tsipras afirmou que a Europa não poderá ignorar a vontade dos gregos. “Muitos podem tentar ignorar o desejo de um governo, mas ninguém pode ignorar a vontade de uma população que está buscando viver com dignidade, com suas próprias mãos “, afirmou o premiê, após votar em Atenas.

Tsipras faz campanha pelo “não”, mas tem dito que buscará um acordo a partir desta segunda (6) com Bruxelas independentemente do resultado. O discurso foi repetido no fim de semana pelo ministro de Finanças, Yanis Varoufakis.

O premiê destacou ainda a determinação da população em comparecer à consulta e disse que as coisas avançam quando “a democracia vence o medo e chantagem”. “Hoje a democracia triunfa sobre o medo. Estou confiante que nesta segunda vamos estabelecer um novo curso para todas as pessoas da Europa”, afirmou.

“Vamos mandar a mensagem de que estamos determinados não só a permanecer na Europa mas também a viver com dignidade nela, para prosperar, trabalhar em igualdade entre iguais”, ressaltou.

Ao votar, os gregos receberam uma cédula com a seguinte pergunta a responder: “Deve ser aceito o acordo submetido por CE (Conselho Europeu), BCE e FMI para o Eurogrupo no dia 25 de junho, que consiste em duas partes que formam sua proposta completa?”. Eles colocaram o voto ‘sim’ ou ‘não’ num envelope e o depositaram na urna.

A complexidade do tema e a falta de tempo para entender as negociações com os credores levaram os gregos a interpretar cada um à sua maneira o plebiscito.

Para alguns, a votação, convocada há uma semana pelo governo, é uma avaliação sobre a gestão e o comportamento do primeiro-ministro, do partido de esquerda Syriza, eleito em janeiro para o cargo.

Para outros, trata-se de decidir sobre a permanência na zona do euro, embora, oficialmente, isso não esteja em discussão no momento.

A única certeza é que, além de uma disputa dividida, ninguém arrisca dizer o que vai ocorrer com a Grécia a partir desta segunda (6), seja qual for o resultado.

 

Redação

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