19 de junho de 2026

Na guerra entre Moro e Tacla Duran, processos foram surrupiados do gabinete de Appio

"Os processos foram subtraídos do meu gabinete e entregues a Gabriela Hardt", disse Appio. Naquele mesmo dia, Hardt mandou arquivar
Imagem: Gil Ferreira/Agência CNJ | Justiça Federal do Paraná/Divulgação

Os bastidores de como foi o primeiro encontro entre Rodrigo Tacla Duran, o desafeto maior de Sergio Moro, e o juiz Eduardo Appio, então recém empossado como juiz titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, revelam a maneira ardilosa como os funcionários do local estão comprometidos até o último fio de cabelo com a sanha lavajatista e os interesses de Moro.

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Narra o livro “Tudo por dinheiro: A ganância da Lava Jato segundo Eduardo Appio”, escrito por Sálvio Kotter, que Appio reservava as terças para atender aos advogados das causas da Lava Jato. Certa vez, Tacla Duran, que advogava em causa própria, pediu uma audiência. Na ocasião, revelou a Appio: “Doutor, o senhor não está sabendo, mas a juíza substitua Gabriela Hardt está mexendo nos seus processos, está jurisdicionando nos seus processos.”

Incrédulo, Appio respondeu: “Isso é impossível”, pois todos os processos da Lava Jato estão atribuídos a juiz titular da Vara, não ao substituto.

Àquela altura, Tacla Duran já era conhecido por ter denunciado em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, em 2017, uma suposta tentativa de suborno por parte da Lava Jato. Ele afirmou que o padrinho de casamento e sócio do casal Moro, Carlos Zucolotto, havia lhe cobrado cerca de R$ 5 milhões para facilitar um acordo de delação premiada com a força-tarefa do Ministério Público Federal, então coordenada por Deltan Dallagnol.

Tacla Duran vive na Espanha desde então, e tenta trancar as ações que a Lava Jato instaurou contra ele. Quando Moro abandonou a toga, sobrou para Gabriela Hardt a missão de lidar com o caso. Foi neste contexto que, segundo Appio narra no livro, Gabriela, “de maneira subterrânea e ardilosa – eu diria ilegal – [teria] puxado os processos dele para o gabinete dela. Isso ocorreu na Quarta-feira de Cinzas do Carnaval de 2023”, um dia em que Appio despachava normalmente de seu gabinete.

Naquele dia, Vanessa, uma assessora de Appio, conseguiu retirar do seu gabinete e entregar a Gabriela Hardt “duas impugnações, duas exceções de suspeição que Tacla Duran havia proposta contra Gabriela.” Os processos mostraram que a juíza fazia parte do conluio com o Ministério Público Federal e não teria imparcialidade para julgar Tacla Duran.

“Os processos foram subtraídos do meu gabinete e entregues a Gabriela Hardt”, disse Appio. Hardt mandou arquivar as duas exceções de suspeição contra si, e indeferiu os pedidos de Tacla Duran e colocou tudo sob sigilo. “Ela fez isso de tal maneira que nem fiquei sabendo”, admitiu Appio. Uma vez ciente da ocorrência, i magistrado chamou a assessora e o diretor de secretaria para apurar os fatos, e “para minha perplexidade, o que ele [Tacla Duran] narrou de fato aconteceu”.

Appio perdeu a única assessora que estava disponível para ajudá-lo na 13ª Vara. Anulou as decisões de Hardt e permitiu o andamento das exceções de suspeição. Segundo ele, com este episódio, ficou comprovado que Hardt era uma “extensão de Moro” na 13ª Vara. Estava ali para fazer valer seus interesses e garantir que Tacla Duran só pisasse de volta ao Brasil se fosse para ser preso, jamais ouvido pela Justiça.

O livro ainda narra outra curiosidade sobre Hardt, que ganhou projeção na mídia quando condenou Lula no caso do Sítio de Atibaia, amargando críticas posteriores quando descobriu-se que ela teria feito “copia e cola” da sentença do caso Triplex, assinada por Moro.

Conforme narrou Appio no livro, Hardt teve dificuldade para passar no concurso para juíza. Foi reprovada justamente na prova de sentenças. Para conseguir garantir sua vaga, recorreu da nota à Justiça. O recurso foi levado adiante pessoalmente por outra juíza lavajatista: Bianca Arenhart, a quem Gabriela Hardt diz que deve o sucesso do recurso que lhe permitiu ser magistrada também.

Mais tarde, Bianca Arenhart entrou para os anais da história como a juíza que tentou impugnar a remoção de Appio para a 13ª Vara Federal usando como artifício ataques à honra do pai do juiz.

Hoje, Hardt aguarda a Procuradoria-Geral da República decidir se irá denunciá-la por ter feito parte da organização criminosa da Lava Jato que teria criado um esquema de recirculação de dinheiro usando recursos dos acordos de leniência angariados pela operação. O Conselho Nacional de Justiça já havia votado pela abertura de um processo disciplinar contra ela pelos mesmos motivos. Hardt foi afastada da 13ª Vara.

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3 Comentários
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  1. marcio

    7 de abril de 2025 3:32 pm

    Mazelas Infindáveis……de onde nada se espera, aí é que não vem nada mesmo……

  2. June Brasil

    8 de abril de 2025 3:51 am

    Incrível como a LJ influenciou, junto com o PIG, o “senso de justiça” contra Lula e o PT, Nassif. Vendo o vídeo de uma audiência do tal cacique Sererê no YT, anteontem, o mesmo disse que fôra eleitor de Lula antes, e só virou bolsonarista depois das denúncias e condenação do Presidente pela LJ. Esses crimes cometidos pela tchurma do Moro têm que ser investigados para livrarmos o Brasil do ódio e da mentira. 😞

  3. João

    8 de abril de 2025 3:26 pm

    favela
    O favelado não é cidadão.
    Uma repartição sempre desviou recurso público.
    A receita federal rouba pra cacete.
    O favelado tem um atrevimento.
    O favelado é aproveitador.
    O favelado é malandro.
    O favelado é esperto.
    O favelado é criminoso.
    A favela é muito onerosa para a pessoa.
    O favelado não pode usar o serviço de saúde pública.
    O favelado não pode usar o serviço de educação pública.
    O favelado não pode fazer o enem.
    O favelado não pode usar o serviço de telecomunicações.
    Você sabia que o estado fornece o sinal da internet para a favela.

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