Recorrendo ao linguajar do Jair: Guedes, ou dá, ou desce, por Luis Nassif

Guedes não tem a menor condição de planejar nada, porque é prisioneiro de um discurso ideológico primário, terraplanista. Sua equipe não tem noção sobre a forma de funcionamento nem da economia real nem da máquina pública

A entrevista de Paulo Guedes, sobre a crise atual, segue a receita usual de tripulantes de avião em meio a uma trombada em nuvens cumulus nimbus.

  1. Assim como as aeromoças e os pilotos, o Ministro da Economia precisa aparentar calma. E ele aparenta.
  2. Mas só calma, não basta. Para acalmar os passageiros, têm que demonstrar controle da situação. Calma sem plano mostra incapacidade de avaliar e enfrentar o perigo. E Guedes, pelo que tem dito, não tem a menor ideia sobre o que fazer.

O diagnóstico e o receituário para enfrentar a crise são padrões. A crise vai derrubar ainda mais a atividade econômica. Com ela, aumenta o desemprego, a inadimplência, derrubam-se as receitas públicas, paralisam-se os serviços públicos. Portanto, o objetivo maior é minimizar os efeitos negativos da recessão.

E aí, entra-se em um terreno completamente desconhecido de Guedes: o funcionamento da economia real e a operação da política econômica.

Até agora, ele vem recorrendo ao receituário padrão do Ministro inepto, aquele que, para justificar sua falta de preparo para gerir a economia, recorre sempre ao álibi da “reforma”. Sempre faltará uma reforma para a economia deslanchar. E, no final da história, pouco antes de ser demitido, dirá que não deslanchou por causa da última reforma que faltou.

A estratégia de enfrentamento da crise passa, primeiro, pela necessidade de identificar os pontos centrais de crise e os setores que mais rapidamente responderiam aos impulsos da economia.

Depois, articular com os diversos setores, o que significa não apenas ter familiariedade com as cadeias produtivas, mas conhecer as principais entidades e lideranças, com as quais negociar.

A partir daí, acionar os bancos públicos – Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES – para abrir linhas de financiamento visando:

  1. Reestruturação do caixa de setores mais atingidos, preferencialmente atuando nas cadeias produtivas.
  2. Retomada dos investimentos em infraestrutura, com revogação da Lei do Teto.
  3. Ações rápidas para reduzir a inadimplência das famílias e das empresas, presas a juros bancários escorchantes.
  4. Políticas fiscais bem dosadas para setores estratégicos.
  5. Frentes de trabalho para atender à multidão de desempregados de baixa renda com recuperação do Bolsa Família e das redes de proteção social.
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E, permeando tudo, o discurso político de mobilização da população, responsabilidade intransferível do presidente da República.

Guedes não tem a menor condição de planejar nada, porque é prisioneiro de um discurso ideológico primário, terraplanista. Sua equipe não tem noção sobre a forma de funcionamento nem da economia real nem da máquina pública. Quando tem noção sobre o funcionamento da máquina, não tem a menor ideia sobre as consequências de seus atos no mundo real. São adeptos da forma mais primária de fisicalismo: o corte indiscriminado de despesas, sem ter a menor noção sobre os impactos na ponta.

Na linha de frente, o inolvidável Mansueto de Almeida, um dos pais da inacreditável Lei do Teto, que amarrou completamente a condição do governo de montar políticas econômicas anticíclicas, declarou-se surpreso com a falta de resultados da economia.

Mansueto era o demiurgo que dizia que bastaria a reforma trabalhista e a previdenciária para a economia deslanchar. Vendo o seu desalento atual, não sei o que é mais assustador: o burocrata que ilude a população com falsas promessas; ou o burocrata que acredita nas falsas promessas.

Acima deles, e abaixo de qualquer nível de crítica, Jair Bolsonaro, o mais completo sem-noção já surgido na política brasileira. No meio desse tiroteio, Bolsonaro viaja para os EUA para mostrar, mais uma vez, o deslumbramento humilhante perante Donald Trump. Depois, aparece pintando aquarelas. E reunindo-se com lobistas de cassinos.

Em suma, coronavirus e petróleo aceleraram a hora da verdade. E, para enfrenta-la, não haverá grosseria de rede social, escataologia, palavrões que resolvam.

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Valendo-se da grosseria bolsonariana, ou dá ou desce.

 

 

 

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8 comentários

  1. perfeito ..usar o BNDES, BB e CAIXA pra mitigar e atuar na crise ..com compra de ações, refinanciamentos, abertura de crédito e até, PERDÃO de divida em troca de, por exemplo, de manutenção e/ou criação de desemprego.
    Tirar o atraso dos programas sociais e benefícios previdenciários tb seria crível e URGENTE.
    Agora ? Como fazer isso se o ESTADO esta sendo liquidando, insuflado por hordas de ignorantes e de fascistas, de QUINTA COLUNA que não se intimidam em atuar em plena luz do dia ? ..ou com o BNDES tendo devolvido 400 BILHÕES pros cofres públicos de forma passiva ? ..e ainda tendo o mantra da LEI do TETO ..a ameaça de venda da CAIXA e BB etc
    FRANCAMENTE, pra mim há uma saída factível que a essa altura a turma precisa começar a costurar ..que é a saída da CHAPA BOZO-Mourão, NEM QUE com, depois, temos R.Maia e FRAGA entronizados, já apartir de 2021 ..e quem sabe, dentro das regras, deste pacto, o debate democrática, as forças políticas voltem a debater e a CIVILIZADAMENTE se digladiar, porque do jeito que tá não dá !!!
    O BODE já foi colocado na sala com ajuda dos EUa e Forças Armadas ..o BODE sujou em tudo fazendo em todo canto 01, 02 e o 03 ..o bode esta morrendo e suas feridas PUZTULENTAS estão impregnando tudo ..HÁ que darmos um jeito nesse BODE o quanto antes.

  2. Não é calma que o ministro tem, pois suas falas insensatas e destemperos deixados ao longo do caminho já comprovam. De fato é mesmo a insensibilidade e falta de empatia, muito comuns aos banqueiros banqueiro.
    A sua negação à reforma necessária, que é a da ideologia barcas-furadas-que-não-funcionam e a renúncia ao teimosismo, serão sua ruína enquanto personagem que foi alçado à cadeira relevante, num momento de deslize do mundo.

  3. Lembra a anedota do cara que prometeu ensinar o cavalo a ficar sem comida. Quando o bicho estava “prestes a aprender”, morreu.

    Só que os boçalnaros vão além. Pra eles, o cavalo morreu por causa do PT, PT, PT e da “esquerrrda”…Assim como daqueles por aí nos demais poderes da Republica que atrapalham “partir pra cima”, “varrer” “a esquerrrda” do país.

    O insuspeito Merval Pereira, mal fingindo neutralidade, já tocou a corneta: é isso mesmo que os militares querem, “sob o comando” do boçalnaro; um General – unzinho – o Santos Cruz, deu entrevista – e publicou em suas redes sociais – falando que “não vai ter golpe”…

    Só não disse que “vai ter luta”.

    • Eu ia só dar um dislike e cair fora. Mas tô cansado, exaurido e farto de ver baterem na Presidente Dilma, comparando-a com o pior em termos de políticos e de pessoas. Uma hora tem que haver um basta.
      Dilma, não foi minha presidente – ou presidenta, para honrá-la como merece – preferida. Longe disso. Seus defeitos nem precisariam ser citados, o foram à exaustão. Em termos gerais teve dificuldades para manobrar no meio politico; não logrou interlocução com o Congresso; não soube montar equipe; acomodou quinta-colunas como Levy; ministros sem noção como Mantega e Zé Cardozo e, em termos de comunicação e empatia com a população deixou a desejar. Por outro lado sofreu o boicote de salafrários de todo o naipe, de Cunha a Aécio; de Temer a Moreira Franco; de Padilha a Barbalho; de Renan a Jucá e por ai vamos.
      Foi defenestrada por uma manobra tosca, irresponsável e criminosa que ficará nos anais como mais uma mancha de vergonha na história nacional.
      Por outro lado, era e é uma pessoa íntegra, inteligente, capaz e com uma correta visão do País, de suas necessidades e de suas potencialidades. Foi e é, incansavelmente, ridicularizada por pessoas ignorantes, hipócritas, interesseiras, tão sem noção quanto o traste que a substituiu e o que agora ocupa a presidência.
      Lembro, por exemplar, do episódio em que falou em”armazenar vento” o que, com ajuda da mídia corporativa, virou piada nacional. A piada é sobre quem riu, sem saber ou, propositadamente, fazendo de conta que não há, em operação comercial, unidades de geração de energia eólica que armazenam “vento”. Funcionam comprimindo o ar em cavernas ou rochas porosas em momentos em que sobra energia, para liberá-lo quando os ventos diminuem, afinal, vento constante e regular só existe na cabeça dessa gente.
      Nenhum presidente em exercício na história recente do Brasil, nem mesmo Collor, sofreu uma campanha de desestabilização de tal monta. Duvido que qualquer político, qualquer pessoa, suportasse o que Dilma suportou sem perder a dignidade. Somente esse fato, por si, merece o meu, o seu e o respeito de toda a Nação. Não tardará o dia em que todos reconhecerão a grandeza dessa pessoa e arrepender-se-ão envergonhados de seu papel nessa história, por menor que tenha sido, mas que tenha colaborado para desestabilizar o País, perseguindo pessoas como Dilma Roussef a serviço do que há de mais vil na sociedade brasileira.

  4. Tem confrontar esse pessoal que dizia que o ceu se abriria com as reformas……essa turma deve ser fortemente cobrada…..por exemplo, lembro que o careca, dono de uma emissora de tv, disse que centenas de milhões de dólares estavam prontos para entrar no país assim que a destruição da previdência fosse aprovada…….

  5. Possibilidade zero. Toda vez que penso sobre o estado do mundo atual me vem à cabeça a aristocracia francesa (e o clero…) às vésperas da Revolução. O país podia estar vivendo uma tempestade de fogo, um daqueles incêndios incríveis que se vê vez por outra na tv, mas eles não conseguiam conceber nenhum outro mundo que não aquele deles. As elites mundiais – a nossa ainda mais, porque sem modos como nenhuma outra – se embriagaram do novo capitalismo financeiro selvagem, e simplesmente não conseguem conceber qualquer outro mundo que não o do parasitismo financeiro. Mesmo os que, primariamente, ganham dinheiro com a economia real, mesmo esses só pensam em como multiplicar esse dinheiro com papeis e mais papeis.
    Eu tenho uma fraca esperança de que eles acordem e percebam que se não abrirem mão de um pouco da renda em favor de uma economia mais equilibrada e humana, o fim inevitável vai ser um novo ciclo de revoluções populares, e, quiçá, uma nova era de guilhotina e paredón…

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