Balanço do golpe I, por Guilherme Scalzilli

Balanço do golpe I, por Guilherme Scalzilli

Introdução

Os equívocos administrativos dos governos Dilma Rousseff são insuficientes para explicar o sucesso do golpe. Os péssimos índices sócio-econômicos, a corrupção e a impopularidade não abreviaram os mandatos de José Sarney e FHC, por exemplo.

A associação dos fracassos gerenciais de Dilma com a queda visa dar a esta um verniz meritório, criando pretextos para a negociata que os golpistas apelidaram “julgamento político”. A responsabilização da vítima esconde suas tentativas de resistência e, acima de tudo, os esforços sistemáticos da mídia, do Judiciário e do Congresso para sabotá-las.

A viabilização do golpe se deu no âmbito estratégico. O impeachment representou uma confluência de elementos que foram se articulando ao longo dos últimos três ou quatro anos, nem sempre de forma planejada, mas partindo de setores com o mesmo interesse.

Nesse sentido o governo petista contribuiu com a própria tragédia, como um jogador que planeja mal seus movimentos e subestima as manobras adversárias. Isso diz respeito a uma esfera pragmática da atividade política, onde ideais, plataformas e mesmo realizações ocupam lugar lamentavelmente secundário.

Por ingenuidade, cinismo ou pura preguiça, os comentaristas midiáticos ignoram esse ambiente. Mas evitar a face espinhosa do impeachment leva a um idealismo alienante, que enxerga pressupostos no lugar de fatos, pessoas e instituições. Eis porque alguns progressistas e conservadores parecem ter visões tão semelhantes sobre o fenômeno.

Nas próximas semanas abordarei a consecução do golpe sob as óticas político-partidária, social, jurídica, econômica e midiática, com um epílogo perspectivo. Não pretendo esgotar os assuntos, nem mesmo desenvolvê-los, e sim propor um rol de questões que julgo merecerem figurar nos futuros debates historiográficos.

Leia também:  Os ventos sopram nas Américas, por Paulo Endo

http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2016/09/balanco-do-golpe-i.html

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6 comentários

  1. O sucesso é mau conselheiro

    A grande mídia – inimiga histórica do PT – subestimou a capacidade deste nas eleições de 2002 , ela já se acostumara a enxergar Lula como o “eterno candidato” .

    Após 13 anos no poder , foi a vez do PT se acostumar com os contínuos ataques da grande mídia e achar que  “aconteça o que acontecer ninguém nos tira mais daqui” , subestimando a capacidade do inimigo . Depois da tarefa hercúlea de vencer seus inimigos políticos no caso do mensalão , se reeleger , e ainda eleger e reeleger sua escolhida , Lula deve ter ficado com o ego na lua.  Pouco se importou em mostrar o enriquecimento dos filhos. A contrapartida é que conseguia dobrar o ódio e a sede de seus oponentes. E estes , se antes tinham algum pudor com as aparências , hoje fazem tudo o que tiverem que fazer de forma escancarada.

    E hoje LULA tá aí , com as calças nas mãos , enredado no meio de um jogo de cartas marcadas , no qual ele já sabe o final que lhe reservaram.

    O sucesso é mau conselheiro . 

    • Porque os filhos de um dos

      Porque os filhos de um dos homens mais conhecidos do mundo, um dos atores centrais da vida politica do pais por decadas, presidente da Republica duas vezes, deveriam ser pobres?

      No Brasil sofremos da doença de achar que um pobre deve continuar sempre pobre e por gerações.

      Não vejo ninguem ir atras dos filhos do FHC, para ver se eles são ricos ou pobres.

      O que tenho certeza é que os filhos de um homem com a historia de vida do Lula foram bem formados, e portanto com todas as condições de terem sucesso em seus destinos.

      • ~0~

        Porque a riqueza ou pobreza deles , e de todos os demais, não poder estar condicionada à posição politica do progenitor . Devem ser ricos ou pobres por seus próprios méritos . Certamente que foram bem criados , e o advento da riqueza coincidiu com a permanência do pai na presidência. 

        Há fartas denúncias contra o filho de FHC – Paulo Henrique – basta procurar na internet e no livro O PRINCIPE DA PRIVATARIA. Assim como também contra a filha de SERRA , VERÔNICA – basta ler o livro A PRIVATARIA TUCANA. E o mesmo vale para Aécio Neves e suas conexões com o senador PERRELLA e o helicoptero com meia tonelada de pasta de coca.

        O problema – e isso sim deveria ser a causa da mobilização política do país – é a politização e seletividade do judiciário e do ministério público que não atinge essas outras figuras.  As investigações não podem ser decorrência do seu gosto político , da sua simpatia pelo LULA , por achar que os filhos dele foram bem educados. Ou todos se enroscam – Lula , Alckimin , Aécio , FHC , Serra – ou deixem todos quietos . 

        Já a DILMA , toda essa operação ao menos lhe serviu como um atestado definitivo de lisura e honestidade . 

  2. O Golpe era a única saída

    O Golpe era a única saída para o “mercado” e para o PSDB depois da derrota eleitoral de 2014, mas ele começou mesmo foi com a guerra do spread e do juros deflaguada e iniciada por Dilma em 2012, esse movimento selou o destino dela e do PT (nisso concordo em gênero e grau com a versão de André Singer e sua idéia de “cutucar a onça com vara curta”).

    Desde então o movimento do governo petista e da esquerda foi o de retroceder passo a passo até a iminente tomada do poder pela horda de bábaros formada pela maioria do Congresso liderada por Cunha, pela maioria do Senado liderada pelo PSDB/PMDB, pelas ruas tomada pouco a pouco pelo lupem da classe média feroz liderada pela Midia e pelos terroristas do Judiciário liderados não se sabe bem por quem ou atuando livremente com mais um agente do golpe com pautas e demandas específicas.

    O elo do do mercado é o lado menos explorado e mais oculto do Golpe (e talvez junto com a mídia tenha sido o núcleo mais atuante e ativo), assim como o elo entre o mercado e o PSDB. O mercado forjou a crítica da tal nova matriz econômica de Dilma que e esse tem sido o fundamento ideológico mercadista do e para o Golpe, como a pouco confirmou o próprio e cada vez mais disfuncional Michel Temer. A comunicação entre o mercado durante todo o processo do Golpe  amplo e fortissimo e também totalmente desconhecida público, já que ocorre basicamente em chats talvez centenas de conversação privados entre diferentes operadores de mercado (nos mais diferentes níveis hierarquicos de bancos e empresas).

    O outro elo oculto e mais difícil de verificar são os elos de geo política e geo economia com interesses óbvios na área do petróleo.

  3. “Pouco se importou em mostrar

    “Pouco se importou em mostrar o enriquecimento dos filhos.”

     

    Porque os filhos de um dos homens mais conhecidos do mundo, um dos atores centrais da vida politica do pais por decadas, presidente da Republica duas vezes, deveriam ser pobres?

    No Brasil sofremos da doença de achar que um pobre deve continuar sempre pobre e por gerações.

    Não vejo ninguem ir atras dos filhos do FHC, para ver se eles são ricos ou pobres.

    O que tenho certeza é que os filhos de um homem com a historia de vida do Lula foram bem formados, e portanto com todas as condições de terem sucesso em seus destinos.

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