Temer é a combinação de fraqueza natural com pose artificial, por Janio de Freitas

Jornal GGN – Na Folha de S. Paulo, Janio de Freitas comenta a composição de cargos de um futuro eventual governo Michel Temer e critica o vice-presidente, dizendo que ele está “tão entregue a três ou quatro pessoas como esteve em sua longa presideência do PMDB”. Para o jornalista, combinando fraqueza e pose, o vice abriu espaço e oportunidades de crescimento das piores correntes internas da legenda, citando o caso de Eduardo Cunha. 

Janio de Freitas também comenta a fala do procurador Deltan Dallagnol, da Lava Jato, que afirmou que  A corrupção não é privilégio do partido A ou do partido B”, fala sobre a atitudes do PSDB sobre participar de um eventual governo Temer, e analisa o futuro do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no Supremo Tribunal Federal. Leia mais abaixo:

Da Folha

 
Janio de Freitas

Temer, o verbo, é uma obrigação cívica à vista do que se pode esperar dos citados, quase todos, para compor um governo Temer, o nome. A voracidade com que os oportunistas se lançam em disputa por um bom pedaço do governo só se equipara, em despudor, à ostensiva incitação desse ataque felino como expediente do próprio Temer –um modo de se fazer visto como presidente.

Michel Temer está tão entregue a três ou quatro pessoas como esteve em sua longa presidência do PMDB. Combinação de fraqueza natural e pose artificial, Temer deu oportunidade e cobertura a que as piores correntes internas proliferassem no partido, situação da qual Eduardo Cunha e o mercantil PMDB da Câmara são dois dos vários efeitos. Foi a fraqueza, aliás, a razão das suas reeleições na presidência. Não haveria motivo para esperar algo diferente de Temer na passagem de uma presidência para outra. Até por já estar constituída, de sua parte e à sua volta, a mesma situação.

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Albert Fishlow, o mais conceituado dos brasilianistas, e agora uma das muitas vozes internacionais que a imprensa brasileira não divulga, tem uma visão a ser anotada: “O impeachment não será o fim da crise. Será o começo”.

Temer, o verbo por causa do nome, pelo que será dado ao Brasil é como um estigma, uma sina. Uma tristeza sempre repetida.

OS PREOCUPADOS

O procurador Deltan Dallagnol dá notícia da preocupação na Lava Jato, da qual é coordenador, com a visão de que “a mudança de governo e mesmo a Lava Jato [são] meio caminho contra a corrupção. Não concordamos com essa visão. A corrupção não é privilégio do partido A ou do partido B”.

A preocupação se justifica e fica bem que integrantes da Lava Jato a tenham. Mas pede um complemento. Não sendo a corrupção exclusividade de um ou de outro, não seria o caso de a Lava Jato interessar-se também pela corrupção do outro? Os doleiros informantes da Lava Jato não serviram só ao “partido A”. E as empreiteiras não atuaram apenas durante governos do mesmo “A”.

O complemento não precisa ser verbal. É mesmo preferível que seja em atos.

OS COMPANHEIROS

As mutantes atitudes do PSDB quanto a participar de um governo Temer diferem das demais: a par da questão de cargos, é a eleição presidencial de 2018 que determina as decisões peessedebistas.

A recusa inicial à participação foi lançada por Aécio Neves porque José Serra já buscava sua inclusão no ministério, falavam até na Fazenda, e isso poderia pô-lo em vantagem para sair candidato do PSDB. Advertido de que Serra quer ser ministro, mesmo se dividindo o PSDB, Aécio recuou. O racha complicaria sua pretensão eleitoral.

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José Serra começou posto na Fazenda, caiu para a Saúde, daí para a Educação e agora foi parar nas Relações Exteriores. No ministério, nada mais distante do eleitorado. A mudança que prejudica Serra está ligada à sua disputa com Aécio pela candidatura.

A VINGANÇA

Eduardo Cunha foi o fator decisivo para haver o processo de impeachment. Ao aceitar um dos pedidos, vingava-se em Dilma da posição do PT, no Conselho de Ética, por sua destituição da presidência da Câmara.

A situação de Eduardo Cunha como denunciado no Supremo Tribunal Federal agravou-se muito nos últimos dias. A haver um governo Temer, o presidente da Câmara se torna uma espécie de seu vice, como primeiro na linha de sucessão. E no Supremo emerge a tese de que tal condição é inaplicável a um réu criminal, justificando sua destituição pelo tribunal.

Ou seja: Eduardo Cunha faz de tudo no Conselho de Ética para não cair, mas o processo de impeachment, que deslanchou por vingança, o põe na iminência da destituição. 

 

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11 comentários

  1. O stf pode achar o que

    O stf pode achar o que quiser. cunha tem todo mundo na mão. cunha é o nosso Bersluconi. Não andaram fazendo comparações da vaza jato com a mão limpas, lembrando que na Itália ela possibilitou a ascenção de Berlusconi? Então, quem hoje tem a faca, o queijo e os poderes da república em sua mão?

    • por aí

      digam o que disserem, o acunhado será o dono-imperador-pastor-chefe-da-quadrilha que se aboletará no planalto do brasil (apequenado), já que os demais, temer incluído, juntados e ajuntados, morrem de medo de encarar o acunhado. o país, foi-se. 

  2. Temer é um Deodoro sem

    Temer é um Deodoro sem tropas. Logo, bem piorado porque mais à mercê de qualquer Floriano tresloucado que resolva apontar-lhe as canhoneiras.

    De vola à República Velha!

  3. STF

    Até agora não endendi porque o Supremo com todas as provas que tem não afasta este senhor do cargo. Estão esperando o que? Será que os Ministros não percebem que estão perdendo a credibilidade perante o povo?

    • O Cunha disse que se caísse levava 250 junto com ele.

      O Cunha disse que se caísse levava 250 junto com ele, a pergunta que se deve fazer é se será somente membros do legislativo ou membros de outros poderes?

  4. O judiciário quer enganar

    O judiciário quer enganar quem? Já foram babuchar nas botas do cunha pedindo um aumento nos seus altos salários. Esperar o que desse judiciário que sempre foi aliado da casa grande? Homens  de notorio saber  juridico, prontos para dar o golpe final, lavando as mãos sujas da corrupção.

  5. A euforia do PIG,com a

    A euforia do PIG,com a eminência da deposição de Dilma é constrangedora.  O boicote a presidenta, Lula, PT e atos que possam  promove-los  é  escandaloso. Imoral mesmo, é exibição de  autofagia promovida pelos bucaneiros disputando o butim do que possa  restar desse meio mandato.

  6. Satisfazendo o desejo da

    Satisfazendo o desejo da classe média aspirante a classe endinheirada e poderosa de fato, o Brasil, de repente, passa a ser governado pelos criminosos investigado e denunciados pela lava jato. Que maravilha, gente honesta! 

  7. STF discute como manter a dobradinha Temer – Cunha

    O problema todinho é quando Temer viajar. Mas vejam como eles são criativos.

     

    A hora e o risco de descartar Cunha

     Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

    São claros e vários os sinais de que, já tendo Eduardo Cunha feito o “serviço sujo” de abrir caminho para o golpe na noite do cinismo de 17 de abril, os vencedores agora buscam meios para descartá-lo. Temer e seus parceiros do eventual “governo de salvação nacional”, expressão de Fernando Henrique, não acham prudente mantê-lo como segundo na linha sucessória na Presidência. Mas esta operação embute riscos muito altos para o próprio Temer. Cunha não aceitará ser atirado ao lixo como bagaço de laranja que já deu caldo. E vingança é com ele mesmo. Que o digam Dilma e o PT.

    Aos sinais. Neste sábado, 30, a Folha de São Paulo publicou o editorial “Chega de Cunha” cobrando providências do STF e louvando a disposição anunciada pelo ministro Teori Zavascki, de pedir celeridade ao plenário no exame do pedido de afastamento de Cunha da presidência da Câmara, apresentado pelo procurador-geral Rodrigo Janot em dezembro. O título é sugestivo. Para ser mais explícito, faltou uma palavrinha: “Agora, chega de Cunha”. Agora que ele, saciando seu desejo de vingança contra o PT e servindo ao projeto golpista, cumpriu zelosamente a tarefa: acolheu o pedido de impeachment, montou a comissão mais conveniente, amarrou os votos de sua base servil e comandou o espetáculo que envergonhou o Brasil.

    Na mesma edição da Folha a colunista Mônica Bérgamo informou que, diante da cobrança que será feita ao plenário do STF por Teori, os ministros já discutiriam a melhor forma de afastar Cunha. Avaliando que a destituição do presidente de um outro poder seria muito traumática, pensaram numa fórmula jaboticaba: ele seria afastado apenas nos dias em que, tornando-se presidente, Temer tivesse que deixar o país. Isso contentaria a lei, que não permite a um réu assumir a presidência da República. Engraçado que o STF ache traumático o afastamento de um presidente do Legislativo mas feche os olhos para as anomalias do processo de deposição da chefe do poder Executivo. Esta fórmula resolve o problema legal mas não o político. Não elimina o fato de que, no governo Temer, o segundo homem na hierarquia de poder seria um réu acusado de tantos crimes.

    Mas como descartá-lo sem que ele se volte contra Temer? Um exemplo das perigosas relações entre Temer e Cunha está documentado pela própria Lava Jato. Quando fundamentou a autorização de busca e apreensão da Operação Catilinárias, (na casa de Cunha e de mais 52 pessoas), o ministro Teori Zavascki transcreveu “indício” registrado pelo procurador-geral Rodrigo Janot: “Eduardo Cunha cobrou Leo Pinheiro por ter pago, de uma vez, para Michel Temer, a quantia de R$ 5 milhões, tendo adiado os compromissos com a ‘turma'”, afirmou Janot, segundo reprodução de Teori.

    As mensagens foram trocadas por Whatsapp, e capturadas no celular do sócio da OAS. Na réplica Léo Pinheiro pediu a Cunha “cuidado com a análise para não mostrar a quantidade de pagamentos dos amigos”.

    Na época em que isso foi divulgado (dezembro de 2015) Temer divulgou extrato de cinco doações legais da OAS ao PMDB, registradas na prestação de contas, entre maio e setembro de 2014, totalizando R$ 5,2 milhões. Mas, pelas mensagens, depreende-se que Cunha falava de um pagamento feito em cota única, e não destas doações parceladas. Cunha tem um arsenal de esclarecimentos sobre os esquemas do PMDB.

    Fala-se também de um outro acordo. Cunha renunciaria à presidência da Câmara e preservaria o mandato para manter o foro privilegiado. Mas a troco de quê ele renunciaria? É como presidente da Câmara que ele usa o poder do cargo para barrar o processo de cassação de seu mandato no Conselho de Ética. Agora, por exemplo, emplacará um aliado na Comissão de Constituição e Justiça, para lhe dar ganho nas disputas com o Conselho.

    A fórmula que evitará riscos para o futuro sistema de poder e ao mesmo tempo atenderá à lei é a que foi divulgada por Monica Bergamo, por mais exótica que pareça: ele deixaria de ser presidente da Câmara só nos dias em que Temer viajar. Se viabilizar esta saída, o STF ficará ainda mais exposto como parceiro de tudo o que está acontecendo.

  8. fraqueza natural, pose

    fraqueza natural, pose artifical, vice decorativo, cosmético…

    casracterística de temer – verbo – e do golpe….

    um veneno, golpe,  que, se for concretizado, será difícil remediar

    a não ser com muita luta e manifestrações por todo o país…

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