Lavou o pé, lavou a mão, foi passear… por Luciano Hortencio

Era uma vez uma moça muito bonita e dócil, que vivia somente em companhia de seu cachorrinho de estimação

Lavou o pé, lavou a mão, foi passear… por Luciano Hortencio

Era uma vez uma moça muito bonita e dócil, que vivia somente em companhia de seu cachorrinho de estimação. Como era muito pobre, quase não saia de casa, o que a impedia de arranjar um namorado e se casar.

Certa manhã, ao ir ao mercado fazer algumas compras, conheceu um homenzarrão que lhe fez a corte. Como nunca conhecera outros rapazes, a moça ficou interessada e o levou em casa para ser seu namorado. 

Em lá chegando encontraram o cachorrinho bravo e rosnando o tempo todo para o pretendente. Esse fez reclamação, porém a moça disse que era ciúme e que isso passaria. O cachorrinho sempre ficava desesperado ao ver o pretendente. Ainda assim, depois de algum tempo terminaram por casar e isso foi o fim da ilusão da pobre moça.

O marido chegava sempre embriagado, exigindo mundos e fundos. Quando era contrariado, ameaçava surrar a pobre esposa. O cachorrinho latia e urrava, avançando para o homenzarrão, que o jogava longe com um pontapé.

A situação chegou a tal ponto que a infeliz recém-casada expulsou o mau marido de casa e mudou imediatamente as chaves da porta.

Na noite seguinte o safardana chegou embriagado e passou a gritar:

-Maria, abra a porque que eu quero entrar. Uma vozinha respondeu:

-Lavou pé, lavou mão, foi passear…

Intrigado, o marido escorraçado deu meia volta e voltou à farra. No dia seguinte aconteceu a mesma coisa. No terceiro dia a vozinha respondeu mais uma vez que “lavou pé, lavou mão, foi passear…”

O marido desconfiou e olhou pelo buraco da fechadura. Quem cantava era o cachorrinho e a moça estava vizinho a ele, trêmula de medo. O covarde arrombou a porta e matou o cachorrinho a facadas, deixando o chão coberto de sangue. Deu ainda uma surra de tirar o couro na esposa e foi beber cachaça com seus amigos.

Leia também:  E eu te amando na vida sou doido também!, por Luciano Hortencio

No dia seguinte voltou satisfeito à sua antiga casa, certo que iria entrar e ficar com sua mulher, agora sozinha. Tomou um grande susto após gritar: – Maria abra a porta que eu quero entrar, pois recebeu a mesma resposta: – Lavou pé, lavou mão, foi passear…

Olhou pelo buraco da fechadura e o que viu fez com que fugisse em desabalada carreira, para nunca mais voltar. O sangue do cachorrinho tremulava ao solo e dali saia a mesma vozinha canina:

– Lavou pé, lavou mão, foi passear. Lavou pé, lavou mão, foi se deitar…

COISAS QUE O TEMPO LEVOU

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

6 comentários

  1. Muito obrigado, boa amiga Lourdes Nassif!
    Estou torcendo para que o pessoal da TI consiga conciliar a nova plataforma com os recursos antigos, imprescindíveis aos colaboradores e leitores desse excelente canal de comunicação.
    Abraços!

    • A versão da amiga Maria Estela de Siqueira:

      À semelhança da história postada por Luciano Hortencio:

      História que Ceição nos contava em dias de chuva…

      A história do “Arenga do Mar”

      A noite já ia alta, quando gotas grossas de chuva começaram a cair.
      Corria uma lenda, que em noites de tempestade, um ser monstruoso que vivia no fundo do mar, costumava sair à procura de donzelas distraídas pra saciar a sua fome. “Arenga do mar” era o seu nome.
      Maria vivia sozinha no alto de uma colina e gostava de apreciar a chuva.
      Nesta noite a chuva viera forte, com muitos relâmpagos e trovões assustadores., uma grande tempestade… Maria sentiu medo e desejou alguém que lhe fizesse companhia. Mas quem sairia neste tempo pra chegar até sua casa? Lembrou-se do “Arenga do mar”, apesar de não acreditar na sua existência, era apenas uma lenda. E para se distrair, pôs-se a chamar por ele, como uma brincadeira.
      “Arenga do mar vem dormir mais Eu.”
      “Arenga do mar vem dormir mais Eu”

      Chamou várias vezes, sorrindo de sua brincadeira. Quando já estava quase adormecendo, ouviu passos se arrastando e ficando cada vez mais perto.
      Subitamente os passos pararam e Maria ouviu batidas na porta.
      “Quem é? – perguntou.

      – “Sou eu, Arenga do mar, que você chamou Maria, abre a porta que eu quero te comer.”

      – “Vá embora!” disse Maria tomada de pânico.
      Seu gato, vendo-a assim tão assustada, falou por ela:
      “Maria lavou mão. Maria lavou pé, Maria já foi se deitar.”

      E Arenga repetia:
      “Maria abre a porta que eu quero te comer.”
      E o gato respondia:
      “Maria lavou mão. Maria lavou pé, Maria já foi se deitar.”

      E Arenga repetia:
      “Maria abre a porta que eu quero te comer.”
      E o gato respondia:
      “Maria lavou mão. Maria lavou pé, Maria já foi se deitar.”

      E Arenga repetia e o gato respondia…

      Então, a tempestade cessou, fez-se um grande silêncio e, logo a seguir os passos se arrastaram novamente, mas dessa vez se distanciando, cada vez mais longe…até não se ouvir mais. Era o “Arenga do mar” que voltava para o mar, pois ele só existia durante a tempestade…

      Maria abraçou o gato e dormiu, aliviada pela tempestade ter passado…

      Entrou por uma canela de pato, saiu por uma canela de pinto.

    • À semelhança da história postada por Luciano Hortencio:

      História que Ceição nos contava em dias de chuva…

      A história do “Arenga do Mar”

      A noite já ia alta, quando gotas grossas de chuva começaram a cair.
      Corria uma lenda, que em noites de tempestade, um ser monstruoso que vivia no fundo do mar, costumava sair à procura de donzelas distraídas pra saciar a sua fome. “Arenga do mar” era o seu nome.
      Maria vivia sozinha no alto de uma colina e gostava de apreciar a chuva.
      Nesta noite a chuva viera forte, com muitos relâmpagos e trovões assustadores., uma grande tempestade… Maria sentiu medo e desejou alguém que lhe fizesse companhia. Mas quem sairia neste tempo pra chegar até sua casa? Lembrou-se do “Arenga do mar”, apesar de não acreditar na sua existência, era apenas uma lenda. E para se distrair, pôs-se a chamar por ele, como uma brincadeira.
      “Arenga do mar vem dormir mais Eu.”
      “Arenga do mar vem dormir mais Eu”

      Chamou várias vezes, sorrindo de sua brincadeira. Quando já estava quase adormecendo, ouviu passos se arrastando e ficando cada vez mais perto.
      Subitamente os passos pararam e Maria ouviu batidas na porta.
      “Quem é? – perguntou.

      – “Sou eu, Arenga do mar, que você chamou Maria, abre a porta que eu quero te comer.”

      – “Vá embora!” disse Maria tomada de pânico.
      Seu gato, vendo-a assim tão assustada, falou por ela:
      “Maria lavou mão. Maria lavou pé, Maria já foi se deitar.”

      E Arenga repetia:
      “Maria abre a porta que eu quero te comer.”
      E o gato respondia:
      “Maria lavou mão. Maria lavou pé, Maria já foi se deitar.”

      E Arenga repetia:
      “Maria abre a porta que eu quero te comer.”
      E o gato respondia:
      “Maria lavou mão. Maria lavou pé, Maria já foi se deitar.”

      E Arenga repetia e o gato respondia…

      Então, a tempestade cessou, fez-se um grande silêncio e, logo a seguir os passos se arrastaram novamente, mas dessa vez se distanciando, cada vez mais longe…até não se ouvir mais. Era o “Arenga do mar” que voltava para o mar, pois ele só existia durante a tempestade…

      Maria abraçou o gato e dormiu, aliviada pela tempestade ter passado…

      Entrou por uma canela de pato, saiu por uma canela de pinto.

      Maria Estela de Siqueira.

  2. Essa historia deixa a gente arrepiada. Luciano, você conhece a origem? Parece-se com contos do leste europeu ou russo… Esse quadro é de Renoir ? Lembra um outro, no qual Renoir pinta sua mulher com seu cachorro. E por falar em cachorro, o curumim este todo contente com seu amiguinho Kiki 🙂

    • A origem que conheço é a saudosa UMBELINA SIMÕES.
      Não lembro de quem é o quadro. Meu, eu sei que não é. Peguei no Google.
      O presente que vocês deram pro Benjamin é impagável. Nada como um cachorrinho para um menino esperto e inteligente como o CURUMIM!
      Ah! Novidade! O Cocó tá pegando água, acho que vai virar sertão!

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome