A imagem do Brasil é a bolsa coletora do presidente “eleito”, por Armando Coelho Neto

Cena da animação “Uma História de Amor e Fúria”, de Luiz Bolognesi

A imagem do Brasil é a bolsa coletora do presidente “eleito”

por Armando Rodrigues Coelho Neto

– Como a direita irá se eleger dizendo o que realmente vai fazer?

Eis a pergunta que muitos espíritos inquietos faziam. Imagine o leitor, um candidato se eleger dizendo que vai rebaixar salários, acabar com aposentadoria, cortar verba da educação, acabar projetos sociais, precarizar o serviço público, voltar à política lambe botas do Tio Sam e, que vai sim vender o Brasil. Para dar um toque mais rebuscado, recorreriam à obra de Ignácio de Loyola Brandão, “Não Verás País Nenhum”. Esse título, aliás, poderia ser o lema da campanha. Como não era possível dizer isso, o destino do país foi deixado de lado e a campanha girou em torno de kit gay, mamadeira erótica, bíblia no lixo e outras heresias.

Um país sob golpe de estado, com sua dita Corte Suprema sob chantagem até de ordem sexual (segundo alguns) e pecadilhos outros inconfessáveis, não poderia ter uma eleição séria e não teve. Imaginem se um petista recebesse dinheiro da JBS, devolvesse para o partido e depois o PT devolvesse esse dinheiro para o candidato. Qual a leitura que os oficiantes da Farsa Jato faria? Imaginem o que os delegados da partidária Polícia Federal iriam publicar em suas páginas ou difundir pelo zap-zap afora, levantando a bandeira contra a corrupção?

Jogo de cartas marcadas, caixa 2 ignorado por todas as instituições e urnas inauditáveis, como dois mais três somam cinco, a fraude se consumou e isso é indiscutível.  Na hora do preto no branco, o “presidente eleito” apresenta um magote de fichas sujas para compor sua equipe, que vai desde seu posto Ipiranga Paulo Guedes (envolvido em supostas fraudes de fundos de pensão) ao títere da saúde (Mandetta), suspeito de fraude em licitação, tráfico de influência, caixa 2. Depois, às vésperas da denominada Black Friday, o Coiso convida Salim Mattar,  um dos maiores doadores de sua campanha, para secretariar o assunto privatização.

Sempre que falam de privatização, leia-se, venda do patrimônio público, gosto de lembrar que um antigo Manual da antiga Divisão de Repressão ao Crime Organizado e de Inquéritos Especiais da Polícia Federal é bastante claro: “As ondas de privatizações oferecem boas ocasiões de corrupção”. Ao mesmo tempo, sempre que se toca nesse assunto, lembro que Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público Federal e Justiça Federal nunca deram bola para as denúncias feitas na obra “Privataria Tucana” e que nunca se tornaram claros os prejuízos sofridos pelo Brasil com negociatas do gênero.

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Enquanto a traquinagem oficial é urdida, para manter a fachada de moralidade prometida em campanha, o Coiso convidou Sejumoro para a pasta da Justiça. Sim, Sejumoro, o aliado da mídia entreguista e corrupta, que conseguiu encantar descuidados, desinformados e bandidos oportunistas. Nesse sentido, embora tenha concorrido para quase 300 conduções coercitivas ilegais, condenado Lula sem provas, o capitão do mato da Farsa Jato vai alimentar por algum tempo o imaginário de que a corrupção vai acabar.

Nessa trilha, “o candidato que prometia ‘mudar tudo o que está aí’ cedeu às barganhas fisiológicas dos partidos e entrega nacos do Estado a interesses corporativos”, diz a revista Carta Capital. Enquanto alimenta o ego dos ricos, inclusive para que comprem terras indígenas, abre um buraco na saúde ao provocar a suspensão do programa Mais Médicos. Por certo este programa será substituído pelo “Mais Pastores”, que apesar de mais caro, também “cura” e ainda tem a salvação eterna como brinde. Saúde laica e sem partido…

Já o disse nesse GGN que todas as falas do Coiso podem ser ou não ser: o manual de seus marqueteiros está sendo seguido à risca. O “eleito” vem apresentando nomes, e um dos mais recentes é Ernesto Araújo, suposto ministro das Relações Exteriores. Ao que consta, seu nível de conhecimento na área vai de quarto a quinto escalão. Segundo o repórter Pepe Escobar, correspondente no estrangeiro, a imagem do Brasil hoje é a de uma república de bananas a ser gerida por bananas. “Não sei como ele conseguiu passar no exame do Instituto Rio Branco”, diz Escobar.

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Consta que depois da posse, o Coiso vai para o hospital dar sequencia à verdadeira história da facada cinematográfica. O fato é que o fedor de mentira do “presidente eleito” ultrapassou nossas fronteiras, e a verdadeira imagem do Brasil no exterior, hoje, é mesmo a da bolsa coletora em uso pelo presidente “eleito”, que também simboliza a massa encefálica de parte de seus eleitores.

Armando Rodrigues Coelho Neto – advogado e jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-integrante da Interpol em São Paulo

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7 comentários

  1. A resposta à pergunta inicial

    A resposta à pergunta inicial está no próprio texto. Se até um ex-intelectual refinado como Ignacio de Loyola Brandão, que escreveu “Não verás País nenhum”, um dos melhores livros já escritos, se transformou, politicamente, naquilo que é hoje, o que esperar da plebe ignara ?

  2. Qual seria o motivo da chantagem sexual dos Excelsiores?

    Os Excelsiores Ministros $upremos estão com seus rabos presos nas mãos de quem?

    Hay que libertar esses Excelsiores, decepando seus rabos.

  3. Triste país………Como pode

    Triste país………Como pode uma população ser enganada pelo ódio.

    Tempos sombrios virão………………………….

  4. O Fascismo ou o Pais da delicadeza perdida

    A imagem do Brasil tal qual a do meu querido presidente Lula foi para o brejo. Vamos precisar de décadas, apos esse interregno obscurantista e ignaro, para recuperar aquilo que Lula e Celso Amorim tinham começado. Perguntei a minha mãe, que é professora, como o brasileiro esta assistindo o vai e vem da montagem do governo do bozo. Ela me respondeu : acho que foram abduzidos. Parte esta entusiasmada a outra parte calada. Enquanto isso Lula paga com sua liberdade e possivelmente sua vida, a vida de sua mulher, nossa apatia e covardia. 

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