Alckmin e Temer sabem que PSDB e PMDB “só têm chances juntos”, diz Helena Chagas

Foto: Alan Santos/PR
 
 
 
Jornal GGN – A jornalista Helena Chagas classificou como “teatro” as posturas adotadas pelo governo Temer e por Geraldo Alckmin nos últimos dias. A ideia de que o Planalto vai lançar um nome à presidência em 2018 que não seja do PMDB depende de um “lote na lua”, ou seja, a chance de acontecer é pífia, diz a jornalista, pois os dados do Datafolha deixam claro o nível de rejeição ao atual governo. Além disso, Alckmin também dependeria de muita sorte para tentar disputar sem os benefícios que o PMDB dispõe durante campanhas.
 
Por Helena Chagas
 
 
Em Os Divergentes
 
 
Assim é se lhe parece. Do alto dos 5% de aprovação positiva e dos 1% a 2% que Michel Temer e Henrique Meirelles obtêm em pesquisas como o Datafolha deste fim de semana como eventuais candidatos, o governo resolveu falar grosso com o PSDB na eleição presidencial. Vai ter candidato em 2018 e este não será o tucano Geraldo Alckmin, anuncia. É para valer? Tudo indica que não.
 
As reuniões deste domingo com os comandantes dos partidos do Centrão, no Jaburu e na residência do deputado Rodrigo Maia, e a entrevista do ministro Henrique Meirelles à Folha foram claramente programadas para dar este recado: se esses tucanos continuarem enjoadinhos do jeito que estão, relutando para votar a Previdência e olhando com ar blasé uma aliança com o PMDB para a eleição presidencial, Michel Temer vai lhes dar uma banana e inventar um candidato – Meirelles, Maia ou o próprio Michel – com outra turma, o Centrão.
 
Só que todo mundo sabe que política é teatro. E essa estratégia cheira muito mais a um gesto para dar um tranco nesses tucanos emproados do que a uma alternativa política viável. Sobretudo porque a candidatura palaciana depende de um lote na lua. Não exatamente da melhoria dos índices da economia, que devargarzinho vão se levantando, mas sim da percepção do eleitor de que terá havido alguma melhora consistente em sua vida antes de ir à urna.
 
Isso já é bem mais complicado, e hoje está no campo do imponderável. Até agora, a recuperação não deu sinal de vida nas pesquisas, deixando Michel e seus governistas no mais baixo patamar de popularidade presidencial da história.
 
Essa estratégia, portanto, parece visar sobretudo a assustar o PSDB. Afinal, para a candidatura Geraldo Alckmin, seria mesmo um estrago ter um concorrente lançado pelo PMDB e pelo Centrão. Ainda que sem chances de vencer, levaria o maior tempo de TV e dividiria os parcos votos que sobraram para os candidatos de centro, imprensados pela polarização Lula-Bolsonaro.
 
É também teatro, portanto, o aparente desinteresse de Alckmin e companhia por uma aliança com o PMDB de Temer. No fundo, ele quer muito esse tempo de TV, a máquina estadual do partido e o resto de tinta que ainda sobra na caneta de Michel.
 
Por ironia do destino, a candidatura Geraldo Alckmin depende também do imponderável para vencer essa queda-de-braço e virar candidato do centro: tem que subir rapidamente nas pesquisas até março/abril, saindo dos números modestos de hoje, mostrando que é viável. Afinal, se for para perder feio, a turma do Temer preferirá perder com tempo na TV para defender seu legado – se é que isso aparecerá até lá – ou se defender da Lava Jato.
 
Até lá, portanto, é tudo um grande teatro em que o roto tenta provar para o esfarrapado que está mais bem vestido. Mas ambos sabem que só têm chance juntos.
 

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2 comentários

  1. Grana

    Enquanto estiver mantida a proibição de financiamento aberto de empresas e as coalizões proporcionais, a tendência é que cada partido corra com seu próprio fundo partidário. Sobretudo num cenario de extrema fragmentação e descrédito geral. O cada um por si será a regra.

    Esses analistas “bem informados” acostumados a tirar conclusões considerando uma fofoquinha aqui outra ali, sempre negligenciam aspectos estruturais.

    Nunca perceberam , por exemplo, que a expressão “tempo de televisão” era senha para acertos financeiros outros, com relação pra lá de contingente com programas de radio e TV vistos por pouco mais de 15% do eleitorado.

  2. Alckmin e Temer, na Presidência da Mídia!
    Nassif, deve estar havendo algum engano: Alckmin é aprovado por 72% dos paulistas, depois de quase um quarto de século à frente do governo estadual, segundo o Datafolha de hoje. Ganha por aclamação popular qualquer eleição, uma vez que se é bom para SP, é bom para o Brasil – como dizem os colunistas políticos da grande imprensa. Como só 25% do eleitorado consideram ruim ou péssima sua gestão, se apenas 2% da população o enxerga envolvido com a corrupção? Deve ser algum engano do Datafolha, inclusive essa rejeição maciça que seu vitorioso pupilo, João Dória, estaria sofrendo segundo o mesmo instituto de pesquisa. Com essa pesquisa, o “picolé de chuchu” passa a ser o acepipe mais saboroso do mundo, pois é o apelido de um político que nada tem a ver com o roubo da merenda escolar infantil, com o esfacelamento do sistema de transporte via metrô/CPTM, com a compra superfaturada de vagões caindo aos pedaços para esse transporte público, com o súbito enriquecimento de seu cunhado e com o vitorioso desmonte das redes de Educação, Saúde e Segurança públicas. Geraldo Alckmin é o grande estadista vitorioso da hora planetária, pois nenhum governante, depois tanto tempo no poder, recebeu tamanha consagração como esta que a FSP lhe imputa, recordista mundial de probidade administrativa! Temer, certamente, será seu candidato à vice-presidência…

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