Bolsonaro pautou a mídia e enganou toda a esquerda, por Djefferson Amadeus

A esquerda inteira tomou um drible da vaca midiático... do Bolsonaro. Incrível! Memes e mais memes, mas quem riu por último... foi o próprio Bolsonaro.

Bolsonaro pautou a mídia e enganou toda a esquerda

por Djefferson Amadeus

Triste, muito triste. A esquerda toda caiu como pato no conto do Bolsonaro sobre o Covid-19. Mentira? Verdade? Ora, ora e ora. Era justamente isso que ele queria: todos tentando descobrir se ele mentia ou falava a verdade. Sabem por quê? Porque – enquanto vocês estavam discutindo se era verdade ou falácia – o filho dele (Flávio Bolsonaro) prestava o primeiro depoimento ao Ministério Público.

A esquerda inteira tomou um drible da vaca midiático… do Bolsonaro. Incrível! Memes e mais memes, mas quem riu por último… foi o próprio Bolsonaro.

Ontem, queridas e queridos, os assuntos deveriam ser os seguintes: Flávio Bolsonaro, Queiroz, sua esposa e o Guedes. Mas o que se viu? Apenas debates sobre a hidroxicloroquina, memes com o Bolsonaro e discussões sobre a efetividade do referido remédio.

Enquanto isso, Flávio Bolsonaro preparava um depoimento curtinho, calculado, que logo será vazado para que o assunto saia o mais rapidamente de pauta. Numa palavra: player. Drible da vaca midiático.

Pior de tudo é que o gado – alimentado pela esquerda, que caiu no drible – agora trará à tona novamente à famigerada hidroxicloroquina, já que Bolsonaro atribuirá a ela a sua recuperação.

E sim: Bolsonaro se recuperará. Recuperar-se-á porque o que mata não é o Covid-19, mas sim a ausência do SUS ou do privilégio do sistema de saúde pago. Por isso as elites e a classe média não morrem (ou morrem pouco) em decorrência do Covid-19.

Perguntaram-me se eu desejava que o Bolsonaro perdesse a luta para o Covid-19. Penso que a melhor resposta foi dada pelo grande jurista Pedro Serrano que, mesmo dizendo não ter empatia com o Bolsonaro, salientou que a queda dele tem que ser política e cultural para que não haja sucessores.

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Perfeito, querido amigo Serrano. Por isso, aliás, lamento. Lamento muito que uma possível vitória contra o Bolsonaro dependa muito mais do nosso insucesso do que de um  diálogo com o povo para – junto com este – enfrentá-lo. Triste, muito triste. Torcer para que ele morra apenas comprova a nossa mesquinharia, desorganização e ingenuidade.

Ingenuidade porque tão ruim (ou pior do que o Bolsonaro) é o Guedes. Valendo-me das lições do filósofo e historiador Jonathan Raymundo, gostaria de demonstrar-lhes porque, embora sendo farinha do mesmo saco, Guedes parece – equivocadamente – não ser tão perigoso quanto o Bolsonaro.

Vejam: a violência do grito ela parece ser pior que a violência do silêncio porque o grito nos impede de não perceber a violência. Bolsonaro é isso: a violência explicitada, a qual é impossível de não senti-la, como o xingamento de um racista, por exemplo.

Mas sabem por que a violência do silêncio tal e qual a do Guedes é pior? Porque é nela que está a engrenagem que, silenciosamente, produz o grito.O silêncio está para o racismo estrutural assim como o grito está para o racismo individual. Lembro a primeira (ou uma das primeiras) aplicações da lei Afonso Arinos.

O caso é-nos contado por Carlos Alberto Medeiros em seu belíssimo livro Na Lei e na Raça. Otelino, homem negro, não conseguiu o emprego porque era negro. E gravou toda a violência do grito exarada pelo dono da clínica que se recusara a contratá-lo pelo fato dele, Otelino, ser negro. Só que o dono da clínica era homem poderoso e presidente da associação nacional de psiquiatria. Resultado: ele conseguiu uma declaração do PRÓPRIO AFONSO ARINOS (AUTOR DA LEI) dizendo que não era racista. Resultado: Otelino foi perseguido e quase processado por calúnia.

Este exemplo foi utilizado apenas para demonstrar que a violência do grito que impediu Otelino de ser contratado foi acobertada por uma violência silenciosa que a legitimou. Daí a razão pela qual vejo Guedes como tão (ou mais) perigoso do que o Bolsonaro, pois o Guedes é a racionalidade neoliberal em sua faceta Personnalité – uma espécie de neoliberalismo Amoedizado em vez de bolsonorizado.

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Por isso a derrota de Bolsonaro tem que ser no campo político e das idéias, até porque, como disse o maior intelectual do mundo, Amilcar Cabral, a luta de libertação não é uma guerra armada com algumas pitadas de política, mas sim o contrário, isto é: uma luta evidentemente política com momento armado. A luta da libertação, portanto, é eminentemente política.

Por essas e outras cantei a pedra ontem pela manhã: pode ser uma tentativa de aplicação da teoria do agendamento (colocação de fato na pauta pública de discussão). E de fato o era…

Djefferson Amadeus é Advogado criminalista, mestre em direito e hermenêutica filosófica, pós-graduado em filosofia pela PUC-Rio, pós-graduado em processo penal pela ABDCONS-RJ, membro do MNU, da IANB, da FEJUNN e da ABJD.

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5 comentários

  1. Djefferson, além de passador de pano pra gente que mente em currículo, é estatístico.
    De prancheta na mão, concluiu: toda a esquerda caiu na conversa do Bolsonaro.
    Agora, é fato que Bolsonaro pautou a mídia, que demonstrou a terrível “preguiça” que se instituiu em muitos – combalidos – lugares onde se diz haver jornalistas. A triste conclusão de que “devemos falar o que todos falam pra não perder a rabeira da notícia”, neste momento, vai contra aquela manjadíssima – mas útil – piada ruim em que “cachorro correr atrás de salsicha não é notícia, mas a salsicha correr atrás do cachorro é notícia”.
    Quando se pensa, por exemplo,em alguém que é mentiroso contumaz, se exime da responsabilidade, não tem remordimentos de consciência, realiza várias versões sobre um mesmo tema, tem medo de “competição”, não gosta de ser contestado até mesmo quando erra na “conta de somar” (Ministério da Saúde acéfalo) etc., está dado um contexto em que um fato não é simples.
    Para isso, é necessário realmente ser formado em jornalismo?

  2. Ouso propor que Djefferson Amadeus e Aldo Fornazieri constituam, imediatamente, algo como uma Sociedade Brasileira de Intelectuais Superiores, que terá a função de dar rumo às esquerdas.
    Ô gente pretensiosa!

  3. Não , toda a mídia esquerdista falou dos 2 assuntos, vc é que é um adulto infantilizado que insiste nessa sua fantasia de “o sábio solitário cercado de tolos ingênuos e cegos para a sua sabedora”. Recomendo que vc procure ajuda psiquiátrica

  4. Nassif: diante dos fatos que envolvem a “nova” e oportuna doença do TenenteJair, ele parece uma besta. Assina com o dedão e por extens. Pôrra, se o cara dizia tomar preventivamente a tal cloroquina (produzida pelo KhmerVerde) e pegou o bicho então esse troço é uma merda pro tratamento, que só serve pra matar aposentado do INSS. Já imaginou se esses que a ponta das Agulhas sonha mandar ao TodoPoderoso se tiverem de ir tantas vezes ao “cardiologista” do serviço público? Agora, o que tá fazendo mesmo algum efeito é que ele com essa manobra conseguiu mobilizar sentimentos avivados e da pobraiada-de-direta. Tem deles prometendo subir a escadaria do CristoRedentor de joelhos. Outros (os corruptos comerciantes) dizendo que serão honestos durante 45 dias. Isto sem falar do abafa na repercussão do depoimento de Bananinha e outros do clã. Agora, cá pra nós, nessa briga dele com o Corona quem você acha leva a melhor? Tó apostando no Tenente. Tem mais traquejo e maldade que o pobre chinês.

    PS: se puder, avise pro ministro-da-(in)Justiça em nenhum momento desejei a “morte” do Presidente dele. Inclusive, bateu uma dúvida. Morrendo o cara os chinas serão chamados à responsabilidade, conforme queria aquele que fugiu pros esteites? Quais as chances de declararmos guerra aos caras?

  5. Sim, a percepção é de que o bozo pautou a mídia e aproveitou para matar dois coelhos com uma só cajadada: evitou sensacionalismo sobre depoimento do filho, quebrou o silêncio forçado a que estava adstrito, criou um sentimento de comoção entre os seus fãs e dissenção entre os inimigos.
    Ele, por certo, foi orientado por mestres.
    Por outro lado, não se pode admitir que se censure o desejo de morte ao indigitado.
    Se o bozo alardeia em alta voz que e com total insensibilidade que todos nós morremos, desejar que alguém morra, como ele faz, não pode ser considerado um crime. Agir como ele seria apenas um amor correspondido.
    Desejar a morte a ele, extensivo aos seus descendentes e simpatizantes será, portanto, natural
    Quem hesita em admitir que deseja erradicar esse inimigo, ou é hipocrita , ou considera aceitável conviver com doenças crônicas.
    E não nos venham dizer que estaremos agindo como aqueles que desejaram a morte à Dilma, ao Lula e aos demais integrantes do PT. Aqueles pautaram suas ações pela paz e pela concórdia e não à toa, Lula, ainda que pejorativamente, era chamado Lulinha paz e amor.
    Bah!

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