Desculpe-me, minha Presidenta, por Fernando Horta

Me coloco à disposição de qualquer um dos que usaram o meu texto para menosprezar a presidenta Dilma Rousseff para me ouvirem a qualquer momento a respeito do que foi falado. Ataquem o autor da mensagem e não uma figura pública da envergadura de Dilma.

Desculpe-me, minha Presidenta, por Fernando Horta

Nesta semana fui tomado de surpresa e alegria quando da visita da presidenta Dilma Rousseff e Pillar del Rio ao presidente Lula, em Curitiba. Na saída do encontro, como acontece com pessoas da envergadura moral e histórica das duas mulheres ali presentes, houve uma quantidade imensa de perguntas a respeito de diversos temas nacionais e internacionais. Primeiro para Dilma e, em seguida, para Pillar.
 
Não bastasse a situação depressiva que viva o país, ainda, as visitantes, tiveram que lidar com o abalo de visitar o maior líder político brasileiro, preso ilegal e injustamente. Neste turbilhão de emoções, de perguntas e de cobranças a presidenta Dilma Rousseff citou o meu nome, ao responder uma das perguntas a respeito do que as instituições deveriam fazer com a batata quente que Sérgio Moro se tornou.
 
Indiscutível que hoje é um defunto político, Sérgio Moro é um enorme problema para um governo que cria problemas desde o café-da-manhã até depois do jantar. A presidenta, tomada de surpresa pela pergunta, lembrou-se de um texto que eu havia escrito na rede social “Twitter”, no dia 20 de junho último (reproduzo a imagem do texto abaixo). Nele eu faço uma síntese das infantis e tautológicas tentativas de defesa do defunto-juiz com relação aos crimes que são desvelados pelo trabalho de Glenn Greenwald e sua equipe.
 
As mentiras de Moro se iniciaram por dizer que todo o vazamento do The Intercept era em função de um suposto “hacker”. Depois, Moro passou a dizer que nos diálogos que manteve com vários integrantes da PF e do MP “não existia nada de mais”. Não havia crime nenhum, segundo o agonizante ex-juiz. Sendo forçado, pela veracidade das mensagens, a reconhecer os crimes que havia cometido, Moro usou o expediente infantilóide que já havia usado com Teori Zavaski: afirmou que foi um “deslize” e que “pedia desculpas”. Não sou advogado, mas gostaria que me indicassem em que artigo dos códigos brasileiros consta que um criminoso que pedir “desculpas” está isento de responder por seus crimes. Mais adiante, espremido pelas evidências, Moro saltou com a desculpa maior e mais insensata: “se fiz, foi no combate à corrupção”.
 
A essência de toda a construção do Estado Moderno, incluindo aí as ciências jurídicas, é a lógica cartesiana. Nela, existe o princípio do “terceiro excluído” que afirma que dada qualquer proposição que fazemos sobre as coisas, somente dois valores ela pode assumir: ser verdadeira ou ser falsa. Assim, a defesa estrambólica de Moro cria diversas tautologias (conjuntos lógicos que não podem ser falseados), fazendo parecer que suas ações nunca poderiam ser tomadas como erros ou crimes. Há sempre uma desculpa ad hoc que o cadáver político do ex-juiz apresenta.
 
Eu reduzi toda esta inepta ginástica lógica num texto de 280 caracteres, e a presidenta ao me citar, não foi capaz de retomar de memória o contorcionismo infantil que Sérgio Moro não é capaz de sustentar sequer lendo. Ainda, no final do dia, sua (de Dilma) mãe veio a falecer. Fato que por si só deveria tornar todo o resto desimportante.
 
Ocorre que algumas figuras histriônicas e espurcas usaram o lapso de memória da presidenta a respeito do meu texto para lhe menosprezar. Fizeram isto retomando o misto de machismo, preconceito e pedantismo que enoja qualquer pessoa com um mínimo de caráter. Especialmente o comunicador Milton Neves merece o meu completo repúdio por ter tomado tal atitude. Primeiro, porque tenho certeza que ele é incapaz de reproduzir o meu texto, eis que já lhe falta a memória. É também incapaz de reproduzir a crítica, uma vez que não tem a espinha reta o suficiente e nem conhecimento para isto. E é também incapaz de compreender a extensão dos crimes de Moro, o que o torna um mero papagaio a repetir sandices que suas ventas julgam corretas.
 
Me coloco à disposição de qualquer um dos que usaram o meu texto para menosprezar a presidenta Dilma Rousseff para me ouvirem a qualquer momento a respeito do que foi falado. Ataquem o autor da mensagem e não uma figura pública da envergadura de Dilma, tomada de supetão como ela foi. Todos os meus contatos podem ser conseguidos com o GGN.
 
Peço desculpas, minha presidenta, pelo ocorrido.
 
Já se disse aqui e acolá que enquanto os cães ladram, a caravana passa. Como o Brasil tem sido um país sui generis … aqui, as hienas uivam, e, como sempre, não têm coragem de enfrentar os leões.

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1 comentário

  1. Pois é. Esse merchand neves não é jornalista, é um mercador de quinquilharias em intervalo de programa, por acaso, de futebol. Um nada. Se não fosse pela Dilma não teria sido notícia, porque por si mesmo e por seu trabalho não aparece, nem descendo na boquinha na garrafa. Um canalha.
    Pergunte a Juca Kfouri quem ele é, e ao povo que não o respeita.
    Dilma é grande, e fica maior com o passar do tempo e da história que revela o tamanho de cada um.
    Ela, presidenta do Brasil, eleita de maneira legítima, por duas vezes, com uma história de vida e militância política que deve realmente causar inveja a esse panfleteiro fracassado como ser humano; ela, respeitada em países civilizados e por seu povo – ontem, esperando metrô cedo em são paulo, nessas conversas sobre os problemas da cidade e do país, comentei que disseram que bastava tirar a Dilma e tudo se resolveria, e as coisas só pioram, que as pessoas foram enganadas, que agora estão vendo quem são os acusadores dela e que sobre ela não provam nada, e o senhor que ouvia, constrangido mas sem responder nada… A maior prova de respeito nem sempre vem dos admiradores mas daqueles obrigados pela consciência a reconhecer a grandeza de alguém por não terem como atacá-la. Bem, isso merchand neves – deve ser o sobrenome das trevas, rs – não tem a capacidade de apresentar, nem se for contratado para fazer um merchand de decência e dignidade em seus programas – isso é que se chama garoto de programa? Mais um que vive de cachê, ou michê – para combinar com o nome dele e a forma como ganha seu dinheiro – do
    futebol-mercado, que como todo mercado, cheira sempre muito mal. Não o chamarei de rato em respeito ao stuart little e ao personagem fofinho do filme Ratatouille.

    Sampa/SP, 17/07/2019 – 12:20

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