Moro e Bolsonaro uma coisa só, por Francisco Celso Calmon

Moro e Bolsonaro são responsáveis pela deterioração do Estado democrático de direito. São verso e anverso do protótipo do autoritarismo nazifascista.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Moro e Bolsonaro uma coisa só

Por Francisco Celso Calmon

Entre cruz-credo e deus-me-livre o melhor para o Brasil é ficar ao lado da democracia e do povo. Moro e Bolsonaro são responsáveis pela deterioração do Estado democrático de direito. São verso e anverso do protótipo do autoritarismo nazifascista.

Quem garante é a própria “conje” do ex-juiz da vara federal de Curitiba: “Eu vejo Moro e Bolsonaro como uma coisa só”. (Rosângela Mouro).

Sem a lava jato Bolsonaro não teria vencido as eleições. Foi Moro e seus áulicos do MPF de Curitiba que armaram para a prisão de Lula e o impediram até de declarar voto e votar em seu candidato Fernando Haddad. Sem a lava a jato, com Moro à frente fazendo artimanhas para favorecer o candidato da Globo, seu Jair não teria sido eleito.

Moro é especialista em delação premiada e sabe como manipular e ganhar dinheiro com ela. Sua delação receberá qual prêmio? O de candidato da Globo para as próximas eleições presidenciais de 2022?

A contradição aparente entre os dois crápulas é: um defende o poder absolutista do presidente da república e o outro a autonomia da PF blindada de qualquer interferência, a não ser com a sua permissão.

Bolsonaro já deu muitas demonstrações de querer ser um ditador, já se  insurgiu contra a harmonia e independência dos demais poderes da República. Considera seus filhos como membros da corte, na qual ele é o monarca do país. Reúne ministros e leva filhos e via de regra um deputado, que não trabalha na Câmara, mas é como vassalo seu, especialmente para sair em fotografias como o único negro da entorouge. O ex-capitão se diz militar e quebra a hierarquia constantemente e sofisma dizendo que a hierarquia é relativa.

O Moro que interferiu na PF, no MPF e nos tribunais, com o fito de prender, manter preso e condenar o Lula, na jogada de sua delação, como peão da Globo, defende a não interferência de Bolsonaro na PF, por quê?  Para aumentar o valor de sua moeda de troca, tudo indica. Afinal, não esqueçamos que ele e Dallagnol iriam montar uma entidade com 2.5 bilhões, expropriada da Petrobrás, com objetivo político de conquistar o poder do Estado.

Instituições armadas não podem ter autonomia ilimitado. Devem estar sob controle dos poderes da República. Só os que professam ideologias autoritárias, seja na forma de um Estado policial, seja na forma de uma ditadura, é que defendem dotar PF, FFAA e demais policias, com autonomia ilimitada e atuando na política com o poder das armas.

O sociopata do planalto também deseja autonomia da PF, desde que sob seu controle, e o Moro idem, e comprovou em seu histórico de juiz parcial, manipulador e inescrupuloso.

A PF tem história de arbítrio na ditadura militar, fui perseguido por ela de 1965 até a prisão em 1969 e posteriormente até 1988. É uma polícia que gosta de espetáculo, de holofotes, e muitos de seus quadros ainda hoje se permitem ser polícia política.

Os dois crápulas têm muito estoque para queimar nessa briga de quem mente mais, de quem delata mais e de quem tem mais podres um do outro.

Trouxeram o esgoto do governo para a faxina pública.

O golpismo iniciado em 2016 esquarteja a dignidade da nação brasileira. FFAA, Congresso, STF, MPF, PF, mídia, todos cúmplices dessa imundice.

Imundice enquanto o povo sofre sem imunidade e sem proteção para enfrentar o vírus impiedoso da CONVID-19.

Deveriam ter vergonha do teatro que protagonizaram. Senti nojo como deve ter sentido o povo brasileiro.

“Teve uma única condição que eu coloquei, não iria revelar [para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública], mas agora acho que não faz mais sentido manter o segredo, isso pode ser confirmado tanto pelo Presidente como pelo General Heleno, disse que como estava  abandonando 22 anos de magistratura, contribuí 22 anos para a previdência e perdia saindo da magistratura, pedi apenas, já que iríamos ser firmes contra a criminalidade, principalmente a criminalidade organizada, que é muito poderosa, que algo me acontecesse, pedi que minha família não ficasse desamparada, sem uma pensão.[…]”

Por qual razão Moro se antecipou e se autoincriminou ao confessar que pedira pensão para a “conje”, sendo ela uma advogada de escritório conceituado e sendo o casal dotado de posses? Provavelmente para naturalizar, como coisa menor, o que denunciado por outro seria no contexto de crime.

Se havia tanto receio de um atentado à sua vida, por que não fez um seguro (ou fez e quem pagou)?

Médicos e enfermeiros e demais profissionais da saúde estão sob risco de vida nesta pandemia, e nenhum deles colocou condição para exercer as suas funções. Em qualquer tempo os bombeiros e policiais também expõe a vida a risco, sem essas contrapartidas mafiosas do moralmente minúsculo ex-juiz e ex-ministro.

Ambos, que são uma coisa só, cometeram crimes de concussão quanto a pensão da “conje” (Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida); de prevaricação (Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal) quando o presidente verbalizou intenção de obstrução da Justiça e o ex-ministro nada fez, a não ser guardar como um trunfo para o seu jogo de poder: chegar ao STF.

E a exoneração do diretor da PF foi a pedido, a assinatura do Moro foi falsificada? Tem que ser esclarecido, pois, mesmo corrigindo o crime se materializou.

Infligiram os princípios constitucionais de impessoalidade e moralidade da Administração Pública.

De resto ficamos sabendo que foi desligado o aquecimento solar da piscina, que a sogra do presidente é estelionatária, o filho é um pegador, e o presidente usou um policial federal para saber se uma das que ele pegou era namoro ou amizade.

Triste, deprimente e revoltante espetáculo.

 

Francisco Celso Calmon é Advogado, Administrador, Coordenador do Fórum Memória, Verdade e Justiça do ES; autor do livro Combates pela Democracia (2012) e autor de artigos nos livros A Resistência ao Golpe de 2016 (2016) e Comentários a uma Sentença Anunciada: O Processo Lula (2017).

 

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