Tchau, tchau Dias Toffoli, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Daqui a alguns anos, Dias Toffoli aposentará como Ministro do Tribunal que presidiu. Mas eu não me colocaria no lugar dele.

Foto Agência Brasil

Tchau, tchau Dias Toffoli

por Fábio de Oliveira Ribeiro

A presidência do STF será entregue ao Ministro Luiz Fux. Ninguém sentirá saudades de Dias Toffoli, especialmente as pessoas que odeiam a Ditadura Militar de 1964/1985 (regime político criminoso que o agora ex presidente do STF passou a minimizar há alguns meses).

O Ministro Dias Toffoli é 3 anos mais novo do que eu. Minha inscrição na OAB/SP é de 1990, pois colei grau na Faculdade de Direito de Osasco em 1989. Ele concluiu Direito na USP em 1990 e se tornou advogado em 1991. Conheci vagamente Toffoli no movimento estudantil. Ele queria triunfar e triunfou, mas nunca me impressionou.

Em 1989, atuando como estagiário junto com um colega, ganhei meu primeiro recurso no STF. O STJ havia rejeitado o Mandado de Segurança de um Sindicato contra o Ministro do Trabalho. No STF o Min. Moreira Alves deu provimento ao recurso e cassou o ato ministerial que lesava nosso cliente.

Como eu, Toffoli começou pela esquerda. Após triunfar ele passou a adotar posições mais e mais reacionárias. Ao que parece, o preço do triunfo foi a prostituição intelectual/ideológica e o envelhecimento acelerado. Hoje o Toffoli parece ser 10 anos mais velho do que eu, coitado.

Há alguns dias Dias Toffoli cortou a merenda escolar no Rio de Janeiro. Os filhos dos filhos dos operários que ajudaram a construir o PT e a colocar Toffoli no STF passarão fome bem longe do Tribunal. Quando estiver se empanturrando de lagostas ele lembrará das crianças famintas? Suponho que não.

Daqui a alguns anos, Dias Toffoli aposentará como Ministro do Tribunal que presidiu. Mas eu não me colocaria no lugar dele. Continuarei sendo um modesto advogado osasquence. Prefiro a esquerda, não tenho pretensões politicas pessoais. Sou feliz porque sei que nenhuma criança passa fome por minha causa.

Toffoli triunfou. Mas para continuar triunfando ele terá que desumanizar milhões de brasileiros ao proferir decisões para agradar o mercado ou para garantir ao Estado o direito de reduzir despesas sociais. É possível rebaixar a humanidade dos outros sem se rebaixar também? Ele talvez acredite que sim, mas eu tenho convicção de que ele está errado.

Esse é um paradoxo que merece toda a nossa atenção: a mesma escada que as pessoas usam para subir na vida é aquela que elas estão descendo ao desprezar a humanidade dos mais pobres. Quando olho para o STF lá no alto, como aquele personagem do filme “The Platform”, prefiro descer.

Lá embaixo, no fundo do poço da civilização brasileira que carrega o peso de um Supremo Tribunal que custará 778 milhões de reais em 2020, estão as crianças pobres que ficarão sem merenda escolar por causa da decisão de Dias Toffoli.

Cumpra-se a decisão judicial, pois ela é válida. Mas eu desafio qualquer pessoa a provar que ela é justa.

A injustiça de cortar a merenda das crianças cariocas é uma cereja podre no bolo embolorado que o STF serviu à população brasileira sob o comando do Ministro Dias Toffoli. Em breve Luiz Fux dirá ao povo que não adianta reclamar no Tribunal: “Quem não puder comprar arroz, que coma brioches.”

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