Vantagens comparativas. Porque o acordo UE–Mercosul não sairá tão cedo, por Rogério Maestri

Analistas não se dão conta que há um fator que impede a realização deste acordo que muitos pensam vir somente da competitividade dos países do Mercosul em relação a agricultura.

Vantagens comparativas. Porque o acordo UE–Mercosul não sairá tão cedo

por Rogério Maestri

Grande parte da mídia mais progressista se lança com unhas e dentes contra o acordo de comércio entre União Europeia – Mercosul mas não se dão conta que há um fator que impede a realização deste acordo que muitos pensam vir somente da competitividade dos países do Mercosul em relação a agricultura. Porém, me arrisco a dizer que as vantagens comparativas do Mercosul em relação a União Europeia não é somente na área agrícola, mas também é na industrial!

Geralmente todos os economistas ou mesmo comentaristas econômicos quando analisam a capacidade concorrencial entre países se restringem a itens de capital, coisa que é feita desde economistas neoliberais até marxistas de raiz, porém todas as análises esquecem de um fator importante que é o custo de fabricação em locais que tem restrições de energia, água, mão de obra e um fator que todos esquecem, a geografia.

Por mais que haja dinheiro na União Europeia, o fator geográfico, levando em conta não só a extensão do terreno, mas sim os outros citados anteriormente, não favorecem em nada a implantação e mesmo a modernização de indústrias num local que todos esquecem de falar o nome o VELHO MUNDO europeu.

Vamos dar exemplos concretos que mostram a vantagem competitiva que o Mercosul tem em relação a indústria europeia. Se falarmos na disponibilidade hídrica que possuímos, mesmo se formos utilizar este recurso de forma sustentável com tratamento correto da água e do esgoto, já no tratamento do esgoto podemos priorizar métodos corretos que só são viáveis para locais a onde a terra é abundante.

Como exemplo me restringirei a assuntos que conheço melhor como tratamento de esgoto e geração de energia alternativas. No uso de tratamentos desde o secundário até o terciário como, por exemplo, lagoa facultativas seguidas de lagoas de estabilização com células de polimento/maturação, o esgoto sairá após este tratamento feito de forma correta, em condições ambientais perfeitas, porém para um sistema deste tipo em que se priorize a área a ser empregada para o tratamento final, é possível numa superfície da ordem de hectares (conforme o volume a ser tratado) um efluente perfeito, mas sendo necessário a aquisição de hectares de terreno em zonas planas. Ou seja, se alguém achar na Bélgica, na Alemanha, na Suíça e inclusive em outros países menos densamente povoados como a França, será mãos econômico utilizar esta área para um loteamento. Outro exemplo, de novo com a água, se tivermos processos de fabricação que necessitam grandes quantidades de água simplesmente para resfriamento, sem necessidade de nenhum tratamento químico ou biológico, na Europa será necessário a construção de grandes torres de resfriamento custosas na construção e na manutenção, que poderão ser substituídas por plácidos lagos que farão o mesmo processo permitindo até que patos friorentos tomem banho nestes lagos no inverno.

Se formos falar de energia alternativas e sustentáveis, nem tem comparação, energia solar para um país que tem sol intenso durante o ano inteiro poderá no futuro garantir uma produção de energia a baixo custo principalmente nas horas que as indústrias funcionam. Se falarmos de energia eólica, nem se fala, enquanto temos amplas regiões que podem ser instaladas “fazendas de geração eólica” é um custo bem menor do que colocar geradores eólicos no meio do Mar do Norte com custos astronômicos.

Poderia falar de outros benefícios, porém como estes acima indicados são os que conheço melhor, deixarei para quem quiser comentar e conhece o assunto pensar nas vantagens comparativas que temos no Mercosul, nem vou exagerar e comparar países como Bélgica e Holanda com o Brasil e Argentina, pois aí fica ridícula as comparações.

Não estou falando aqui que devemos simplesmente sacrificar o nosso meio ambiente para produzir para os europeus, mas sim utilizar a abundância de terra e de recursos naturais para que produzindo corretamente sem nenhum sacrifício das nossas matas remanescentes produzir a um custo total mais baixo do que a indústria europeia.

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