Joaquim Nabuco e os linchamentos no Brasil, por Márcio Sotelo Felippe

Do Justificando

Estranha fruta, estranha lâmpada

Márcio Sotelo Felippe – Procurador do Estado

aquim Nabuco começou sua trajetória, ainda quintanista de Direito, defendendo um escravo acusado de matar o policial que o mandara açoitar, e depois um guarda para escapar da prisão. Um negro que matou dois funcionários brancos. Nabuco saiu vitorioso porque evitou a pena de morte.

A corajosa defesa de Nabuco foi construída a partir do seguinte raciocínio: o negro defendera-se de dois crimes anteriores, crimes da ordem jurídica e social do Império: um, a própria escravidão; outro, a pena de morte iminente.

Nesta última semana, em São Luís, um jovem negro, favelado, morreu linchado amarrado a um poste por ter, segundo a notícia, assaltado um bar.

O jornal Extra publicou a notícia com duas ilustrações, incrivelmente idênticas. Uma mostrava um escravo acorrentado a um tronco, submetido a açoites. Outra, o negro de São Luís, morto, cabeça pendendo amarrado a um poste de luz. É como se a foto fosse uma reprodução deliberada da primeira, uma cópia feita por um cineasta ou um fotógrafo. Nas duas cenas, pessoas olham inertes, passivas, curiosas. Profético Nabuco.

Se o jovem negro saísse vivo, sua defesa deveria ser feita com a coragem de Nabuco: ele cometeu um crime que tem a ver com  crimes anteriores, os crimes da ordem social e jurídica que degradaram toda sua existência. Porque óbvio que jovens brancos de classe média não roubam botecos. Cometem outros delitos, e quando o fazem não são amarrados a um poste e linchados.

Anos mais tarde, Nabuco, já herói do abolicionismo, era célebre a ponto de ter sua figura estampada em rótulo de cigarro (Cigarros Nabuco). Um dos intelectuais mais extraordinários da história do Brasil, escreveu a frase que explica o linchamento do jovem negro favelado de São Luís e que explica muito do Brasil dos séculos seguintes. Em citação livre: a escravidão havia de tal forma pervertido e contaminado a sociedade brasileira que a moldaria ainda por muito tempo. E que não bastaria libertar escravos, mas reeducar a sociedade.

Nabuco não foi ouvido e não falta muito para termos no mercado Cigarros Bolsonaro.

A abolição foi um ato apenas jurídico e formal. O Brasil então seguiu impávido colosso ignorando o povo negro, como se nada devêssemos a eles, como se não tivéssemos um débito social derivado de um tenebroso passado de séculos de miséria e degradação escravizando seres humanos. O Brasil segue impávido colosso ignorando as gerações seguintes do povo negro, e assim o jovem negro de São Luís era livre segundo a lei. A lei que em sua majestática grandeza dá a todos o direito de jantar no Ritz e dormir embaixo da ponte, como disse Anatole France.

Anatole France disse literariamente o que críticos do Capitalismo desde sempre apontaram: a condição de sujeito de direito do trabalhador que produz a riqueza da sociedade por força de um contrato “livremente” assinado não o liberta. O constrangimento econômico difuso o faz escravo de outra forma. Então, ele é perfeitamente livre para dormir embaixo da ponte ou ir a Paris jantar no Ritz.

A opressão do povo negro é múltipla. Há o débito social histórico, essa miséria transmitida de geração a geração sem que a sociedade brasileira lembre-se de resgatá-lo. Há o preconceito. Há a exploração da estrutura capitalista, que aí é, portanto, uma sobre opressão.

Em artigo publicado nesta coluna Contracorrentes, Marcelo Semer, apoiado em levantamento da Secretaria Nacional da Juventude (trabalho coordenado por Jaqueline Sinhoreto), traz, nessa ordem de considerações,  um dado irrespondível: “mais de 60% dos presos são negros (prende-se 1,5 vez o número de brancos) e uma parcela próxima a essa é composta por jovens. Quanto mais se prende, mais jovens e mais negros lotam as cadeias”.

“Puta africana”, “macaca”, “vagabunda” foram algumas das frases dirigidas a Maju, a apresentadora negra do Jornal Nacional, no Facebook. A página do Extra que estampava as duas ilustrações teve, entre 1817 comentadores, 71% favoráveis ao linchamento.       

Billie Holiday cantava uma canção chamada Strange Fruit. Falava dos negros enforcados em árvores nos sul dos EUA: “árvores do sul produzem uma fruta estranha/sangue nas folhas e sangue na raiz/corpos negros balançando/fruta estranha pendurada nos álamos/pastoril cena do valente sul/os olhos inchados e a boca torcida/perfume de magnólias, doce e fresca/Depois o repentino cheiro de carne queimada/Aqui está a fruta para os corvos arrancarem/Para a chuva recolher, para o vento sugar/Para o sol apodrecer, para as árvores deixarem cair/Aqui está a estranha e amarga colheita”.[i]

Aqui não são árvores, são postes de luz. Há neles uma estranha lâmpada.

Marcio Sotelo Felippe é pós-graduado em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Universidade de São Paulo. Procurador do Estado, exerceu o cargo de Procurador-Geral do Estado de 1995 a 2000. Membro da Comissão da Verdade da OAB Federal.
Junto a Rubens Casara, Marcelo Semer, Patrick Mariano e Giane Ambrósio Álvares participa da coluna Contra Correntes, que escreve todo sábado para o Justificando.
Foto: Biné Morais

24 Comentários

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Pedro Mundim

- 2015-07-12 22:29:12

Reeducação é violência

Reeducar um indivíduo, estritamente falando, consiste de remover sua educação anterior e substituí-la por uma nova. Esse processo é uma violência só autorizada nas ditas "revoluções culturais" de triste memória.

Insistir nessa reeducação entre nós, ainda que por métodos mais brandos, só vai criar um complexo de culpa entre uns e um complexo de inferioridade entre outros: sabe-se lá se daqui a 100, 200 anos ainda estaremos culpando a escravidão por nossas mazelas?

Mais sensato é reconhecer que já não dá mais para apelar para a escravidão para explicar o que temos de ruim.

Pedro Mundim

- 2015-07-12 22:22:18

Escravos que chicoteiam outros escravos não são sempre escravos

Os escravos que aplicavam os castigos geralmente eram negros livres, tal como os capitães-do-mato (lembra aquela gravura de Debret?) Em suas fazendas, os senhores até podiam mandar um escravo chicotear outro, embora preferissem fazê-lo pessoalmente, mas os escravos que eram chicoteados em público, como é o caso da figura mostrada, provavelmente o eram por um funcionário da polícia. E é sabido que a primeira coisa que um ex-escravo fazia ao ser alforriado era começar a juntar dinheiro para comprar um escravo.

As nossas favelas um dia foram quilombos, mas favelas existem no mundo inteiro, mesmo em países cujo passado escravocrata data de séculos. Se as favelas foram fundadas por ex-escravos ou por migrantes pobres, esse dado só é relevante na primeira geração; depois, os descendentes são apenas pobres sujeitos a um ambiente onde o Estado é ausente e impera a impunidade. Aí fica tarde para culpar a escravidão.

leonidas

- 2015-07-12 20:20:08

O senhor leonidas, não

O senhor leonidas, não esqueçam, MORRE DE MEDO DE CUBA!

 

Eu nao morro de medo de Cuba rs

Pois no contexto dela a revolução teve lá seus méritos.

Morro de medo de gente desonesta, desavergonhada, incapaz de admitir a ideia que são totalitarios e obviamente nunca tiveram nada contra ditaduras só nao gostavam da nossa.

E vivem mentindo descaradamente ao se apresentarem como democratas, disso eu tenho medo...rs

 

 

senhor leonidas, mas o senhor é uma ótima referência de cidadão que necessita se sentir colonizado. Independencia não está nos seus "planos". Matar, excluir, aterrorizar é coisa pequena para quem morre de medo de países que não cultivam a dependencia de ter crianças com fome. Bom mesmo, para esse tipo de cidadão(afe...) é ver laboratórios do USA espalharem vírus pelo mundo para terem lucros exorbitantes, é ver o USA fabricar guerras para fomentar sua indústria armamentista. Obviamente que cidadão tipo o sr, leonidas, não consegue ver o que não lhe é determinado  pelo colonizador e  permanece caladinho diante da injustiça vomitada pelo invasor em países que almejam independencia, mas deve SEMPRE babar de ódio pelo proprio país, tudo como o colonizador manda em sua cartilha. Entregar nossas riquezas para os colonizadores e desestabilizadores das economias mundias, é regra para cidadãos que necessitam ser colonizados.

 

Estranha soberania essa cultivada por estes ditos progressistas...rs

Cuba sempre dependeu da mesada soviética, Che queria mais que isso, queria respeito coisa como Tito conseguiu para Yugoslavia mas devido a isso se tornou inconveniente pois  a URSS só queria uma colonia junto à florida, e se livraram dele abandonando-o a propria sorte e por cima ainda usam sua imagem para o markentig socialista tupiniquim.

Depois da Russia quem pagou as contas Cubanas foi a Venezuela outra candidata a tal soberania, que apesar disso mesmo com o esforço da maquina do estado não consegue produzir papel higiênico para os bolivarianos se limparem, de fato voces entendem muito de soberania , hoje não fosse o tal dos +médicos Cuba estaria ainda mais falido do que já e, pobre ilha depende da cafetinagem de seus cidadãos para subsistencia.

Alias ela resolveu falar com os EUA em segredinho acredita? rs

Os bolivarianos aqui batento o bumbo sobre posição antiyankee e os cubanos com conversinhas debaixo do pano com os gringos.

Deve ter sido muito dolorido para os bolivarianos ... 

Sobre entregar riquezas, a esquerda só não concorda se isso nao for para a China, que alias fez um tratado para instalar uma base na Argentina cujos termos ao que consta deixam o de alcantara no chinelo, e estranhamente não ouvimos os tais antiimperialistas falarem um A.

Estranho né? rs

leonidas

- 2015-07-12 20:18:14

Isso Renisia! faça um favor

Isso Renisia!

faça um favor para vc mesma e para o mundo e evite mesmo querer debater.

nesse seu mundo onde só existe o mal contra o bem , onde o contraditorio é sempre facismo, inundado de medos e dogmas , não há nada mesmo possa ser realmente util à qualquer discussão honesta...rs

janes salete

- 2015-07-12 15:20:05

O senhor leonidas, não


O senhor leonidas, não esqueçam, MORRE DE MEDO DE CUBA! Perdoe-me, senhor leonidas, mas o senhor é uma ótima referência de cidadão que necessita se sentir colonizado. Independencia não está nos seus "planos". Matar, excluir, aterrorizar é coisa pequena para quem morre de medo de países que não cultivam a dependencia de ter crianças com fome. Bom mesmo, para esse tipo de cidadão(afe...) é ver laboratórios do USA espalharem vírus pelo mundo para terem lucros exorbitantes, é ver o USA fabricar guerras para fomentar sua indústria armamentista. Obviamente que cidadão tipo o sr, leonidas, não consegue ver o que não lhe é determinado  pelo colonizador e  permanece caladinho diante da injustiça vomitada pelo invasor em países que almejam independencia, mas deve SEMPRE babar de ódio pelo proprio país, tudo como o colonizador manda em sua cartilha. Entregar nossas riquezas para os colonizadores e desestabilizadores das economias mundias, é regra para cidadãos que necessitam ser colonizados. O senhor pode preferir ser assim, um antipaís(nao vejo uma idéia sua de solução para resolver os problemas do Brasil, só reclamação e diga-se, NADA MAIS FÁCIL que só RECLAMAR e NÃO FAZER NADA PARA MELHORAR, muito antes pelo contrário). Uma coisa o USA me inspira: NUNCA traem seu país. Seus grandes problemas são acobertados pelos própios cidadãos, que lutam para suas soluções e NUNCA por entregar suas riquezas a outros países, muito antes pelo contrário, tomam as riquezas dos que se permitem colonizados. Corrupção, USA tem muita, só que lá existe JUSTIÇA que funciona. Moros, jb e gilmar mendes já estariam no olho d rua e respondendo judicialmente pelas tentativas de golpe. Eu amo o meu país, independente de fhc e  tais colonizados, a minha luta sempre foi pró meu país e assim sempre será. Nunca apoiarei governos entreguistas das riquezas do meu país e que  enriquecem seus amigos e a si própio com privatizações corrompidas. Os engavetadores da república, cargos em todos os governos entreguistas, NUNCA MAIS.

Renisia Garcia Filice

- 2015-07-12 14:13:41

A complexidade do racismo no Brasil

Os fatos:

1. Linchamento de negro pobre, diga-se, sem passagem pela polícia: tido por um leitor como algo comum, "natural" - matar um negro, criminoso -  por "engano";

2. Parabenizo ao Sr. JB e demais sensíveis estudiosos, porque, pelos argumentos é isto que são; em tentarem discutir com Leonidas, o rapaz obtuso . Eu , embora educadora, já teria desistido dele há muito.  Não porque eu desista fácil das pessoas, mas porque minha experiência me mostra que há um grupo grande de pessoas no Brasil que estão tão tranquilas em sua branquitude, ou "sala de jantar" que se negam a entender qualquer raciocínio que os leve a refletir para além de seu umbigo. E agora então, nos rotulam de "esquerda", desmerecem todos os argumentos históricos e dados estatísticos e se pautam em religião (que é como chamam a fé cega que professam) , ou em seus paupérrimos conhecimentos prévios (resultantes de uma história do Brasil limitada e uma mídia mentirosa no que tange à contribuição da população negra). Estas são formas de operar da convicção racista, sexista, homofóbica...desumana que está vindo a tona no nosso País, eo pior, de forma institucionalizada.

 

3. E, Sr. Pedro, como o Sr. me pareceu apenas equivocado na análise sobre as agruras do racismo que atinge a todos nós, negros e não negros, eu só diria que "o oprimido, traz o opressor dentro de si", e a situação que o Sr. descreve não transforma negros em piores que brancos, só evidencia a face mais perversa do racismo: quando ele é introjetado por negros. Sugiro ler Franz Fanon..

E para fechar: isto não muda a causa, a origem: quem criou, consolidou, materializou a teoria da superioridade racial foram brancos. Se negros pobres em algum momento tiveram e tem atitudes racistas, isto se deve a falta de identidade negra consolidade, consciência do pertencimento racial, desconhecimento da História do racismo no Brasil e no mundo. E falta de informação sobre as grandes ações de negros/as por este mundo a fora.

 

4. Fechando, JBCosta e os cuidadosos/as leitores/as : Parabéns, reaprendi com vocês: insistiram bravamente com os Leonidas da vida!!

 

Saudações,

 

Renísia 

leonidas

- 2015-07-12 13:49:05

Que conversa em Meire? A

Que conversa em Meire?

A emancipação nao se dá com essa balela racialista nao viu fia.

Ela se dá com algo chamdo "vergonha na cara " por parte do estado ao adotar politica de estado na educaçao.

olha só que magico!

Vc nasce pobre,mas tendo acesso a educação, saude, segurança e moradia decente vc consegue sair do ciclo de miséria sem que um demagogo de uma esquerda boçal lhe diga que para vc conseguir isso tenha que usar roupas com cores voltadas as suas raizes africanas, tenha que ter um poster de Zumbi no quarto ou precise aprender a falar um dialeto ancestral do tipo ioruba.

Não precisa de nenhuma viagem as origens ou cultuar a ideia odiosa de pertencimento racial ( que ajuda a esquerda a ganhar curral eleitoral mas nunca ajudou a acabar com racismo nenhum )

Entao vamos parar de romancear e falar de coisas realmente uteis ok?

Fernando Fernandes

- 2015-07-12 06:35:28

Novamente no srnquistão,

Novamente no srnquistão, terra controlada ha mais de 60 anos por uma mesma familia, um dos estados que mais recebe recursos da união, entretanto o segundo mais pobre estado do pais.

Pegaram um ladrão de galinhas, mas quem será q esta roubando o maranhão realmente ? 

ELISEU FRANCISCO DE SANTANA

- 2015-07-12 03:59:30

Esses fatos que temos que

Esses fatos que temos que vivenciar, estão todos devidamente explicados. O ódio diário que a maldita imprensa brasileira dissemina em nosso país. A Rede Globo de Televisão áq e comandante do Cartel Criminoso. 

Vânia

- 2015-07-12 03:29:01

Que bom que somos hilários

Já os seus são repugnantes. 

 

Miguel Freitas

- 2015-07-12 03:28:08

Passou da hora de tipificar

Passou da hora de tipificar quem participa destes "justiçamentos e linchamentos como crime hediondo", ainda mais hoje onde a maioria dos boçais que assistem estes massacres filmam e colocam na internet, ou seja é mole identificar estes covardes.

leonidas

- 2015-07-12 02:50:17

Costa não me venha com essa

Costa não me venha com essa pregaçao  onde vc entulha um texto de termos para atraves disso deturpar os fatos.

Esquerda para mim é sinonimo de desonestidade, nao deveria pois teoricamente ela é linda e tem o saudavel papel de servir de contra peso ao capitalismo que só existe ainda hoje ( paradoxalmente ) pela existencia dela.

Mas na pratica ( quando no poder ) ela só fez criar tudo aquilo que diz condenar ou lutar contrar na teoria, pobreza, fome, totalitarismo, dissidentes, prisões  etc

Voltando ao ponto , a coisa é muito simples.

Racismo existe e sempre existiu e há em todo o mundo.

A escravidão ocorreu, e graças a um estado voltado para sí mesmo quem é pobre ( leia-se descendentes de negros tambem pq nao há so negros pbores ) esta condenado a um ciclo sem fim de nascimento e morte na miseria.

Logo é OBVIO que a maioria na cadeia é de afrodescendentes (como na policia tambe.)

Já que me perguntou o que penso da esquerda eu lhe pergunto para voce o que vem a ser branco ou  negro? fenotipo?

Minha avó era negra quase azul, meu sobrinho parece um anglo saxão.

Na regão norte do pais a pobreza continua igual entre os descendentes de indios , no nordeste o sertanejo esta na miseria como sempre e nao sao todos negros e nem por isso vejo gente defendendo cotas para sertanejos.

Meu sobrinho na rua para "experto" um  feito esses pseudos humanistas seria um branco que deve reparaçao historica para algun negro escravizado.

entao por favor me poupe dessa demagogia marxista onde é necessario criar um publico especifico para através dele tumultuar as coisas com vitimização e a necessaria eleição de uma inimigo no caso uma elite branca que teria um pacto secreto para impedir a ascençao social do negro.

Sim ascençao social pois é disso que se trata, é tambem o unico caminho paa a igualdade que é a unca arma para combater racismo.

Racismo nao se combate com essa balela da qual vc é adepto onde eu alimento o conceito de raça ( coisa de loko isso rs ) para atraves dele superar o racismo!!!!!! rs

Só um tolo, um racista , um politico e   um marxista interessados em rebanho para manipulaçao pode acreditar nisso mesmo.

A verdade é uma só raça é um conceito maligno, criado para fins malignos e jamais podera se prestar para qualquer coisa defensavel, o resto é histeria politicamente correta...

Obs: Pobre nunca fez e nunca fara de ninguem ladrão , claro que é uma das faces do problema nao da para negar mas nao na dimensão que vc e a galera progressista gosta de pintar.

 

 

leonidas

- 2015-07-12 02:19:56

ùe ta falando o que?se os

Ué ta falando do que?

Quem defende bandido aqui não sou eu nao colega...rs

Se ahca que há injustiça com alguem sendo livre no tapetão ( e há ) é outro assunto para outro debate que nao passe em analogia descabida para através de um erro relativisar outros.

Para finalizar se os tais garotos brancos fossem "di menor" ( que vcs tanto amam e defendem ) a culpa seria do Indio né?

e a juiza uma profissional que ao chorar demonstra a "face humana de um judiciario conciente "

Vcs  ditos progressistas são hilários  sabia? rs

Meire

- 2015-07-12 00:42:08

*

A tutela só seria dispensável se a emancipação de negros e desfavorecidos fosse colocada em prática. Mas quem disse que os ricos ladrões de hoje assim como ladróes ricos de ontem, às custas dos escravos, permitam que ela exista?

Analogia boçal é considerar que a riqueza proveniente dos crimes da escravidão e herdada por muitos que a usufruiram,os torna automaticamente pessoas ricas e honestas.

Na realidade são pessoas que devem muito para os pobres e a sociedade na qual vivem.

O texto acima é muito claro, mas  para muitos, TENTAR TAPAR O SOL COM A PENEIRA , faz parte desse esquema. Assim como os feitores de escravos que eram pagos para cumprir ordens e agredir à quem fosse mandado.

Ou assumem que são bandidos engravatados, ou não entendem aquilo que soletram.

Emancipação significa o ato de tornar livre ou independente.

Em Filosofia, a emancipação é a luta das minorias pelos seus direitos de igualdade ou pelos seus direitos políticos enquanto cidadãos.

 

JB Costa

- 2015-07-11 23:12:06

Para começar um perguntinha

Para começar um perguntinha sem nenhuma intenção se não conhecer melhor meu interlocutor: o que tu chamas de "esquerda"? Quais são os princípios que norteiam essa TUA concepção de "esquerda"? O Papa Francisco é de "esquerda"? 

Analogia tem origem no grego e diz respeito a "proporção". Na questão da criminalidade ela advém do fato comprovado pelas estatísticas que a proporção de negros no universo da população é menor que a de negros na criminalidade. Basta visitar qualquer presídio do país que saltará aos olhos essa realidade cruel. Se é assim. devemos negá-la ou "historiá-la"? Ir a fundo nas causas? Ah, não só negros, mas também pobres.

Delinquente não surge do nada, Aliás, delinquente nem substantivo é. Trata-se de adjetivação de um substantivo, qual seja, Homem. E Homens tem histórias cujas narrativas prescindem de análises nos campos social, político, antropológico, cultural e econômico. 

É impossível, e seria até desonesto, descurar das análises das causas da criminalidade e de seus efeitos esse imenso e vergonhoso passivo gerado pela escravidão negreira.

Óbvio que isso não implica em determinismo, mas sim que fica muito difícil, por isso restrito a poucos, a prevalência do livro arbítrio quando as condições ambientais, o meio social, conspira de modo avassalador.  

 

 

 

Luís Henrique Donadio

- 2015-07-11 22:37:11

Quer tal compararmos com o

Quer tal compararmos com o cinismo das instituições quando se trata de criminosos brancos? Lembra dos garotos que mataram um índio queimado, em Brasília? Lembra como a juíza tentou o que pôde para desclassificar o crime para lesão corporal? Lembra como a juíza chorou ao sentenciar os assassinos? Lembra como ela os tratou, durante todo o julgamento, como crianças de escola que cometeram uma travessura, em vez de como criminosos confessos indo a júri?

Por que se você não gosta da ideia de que pobre e preto é tudo ladrão mesmo - ideia que você atribui à esquerda, mas é obviamente muito generalizada na sociedade brasileira - o que dizer então da estranha ideia de que jovens brancos nunca são criminosos, nem mesmo quando apanhados em flagrante cometendo um crime?

JB Costa

- 2015-07-11 22:25:20

Li com toda a atenção devida

Li com toda a atenção devida o teu comentário. Mesmo aos trancos e barrancos. Lá pelo meio fui forçado a ir ao banheiro "chamar o Hugo"(vomitar).  

Escravos açoitavam seus iguais e não "contestavam a escravidão"  porque..........eram também escravos! Elementar isso, não? Da mesma maneira, os linchamentos ocorrem mais em favelas porque por "coincidência" lá moram mais negros ou descendentes(mestiços) e onde o Estado é quase ausente. E, claro, serem os negros e seus descendentes a maioria dos delinquentes.

Mas isso tem uma causa, não única, mas fundamental, basilar:  A ESCRAVIDÃO NEGREIRA. A libertação da escravatura, ou seja, dos negros só se deu no formal. Pior: sucedeu-a outra espécie de humilhação e afronta à dignidade humana: o preconceito pelo lado dos brancos e complexo de inferioridade por parte dos libertos. 

Causa espanto o teu desconhecimento do processo de formação da sociedade brasileira. Sabe como surgiram as favelas e cortiços? Exatamente para servir de refúgio aos egressos da escravidão. Locais onde imperava. e impera em parte ainda, a carência de todos os serviços públicos. Associe-se a isso a falta de oportunidades no mundo laboral em virtude da falta de educação, formação profissional e.........o preconceito! Sempre ele.

Sairia dessa ambiência o quê? Não por nada 80% ou mais dos presídios são lotados de condenados negros ou mestiços. Um estatística que demonstra cabalmente que a criminalidade descende, sim, do iníquo tratamento que se deu aos negros libertos. 

 

 

Elizabeth S. Pretel

- 2015-07-11 22:19:41

Me parece que na ilustração a

Me parece que na ilustração a imagem das pessoas que assistem ao castigo não parecem indiferentes, antes, parecem obrigadas a presenciar a cena, ao passo, que no linchamento, ai sim as perssoas assistem impassíveis, sem nenhum tipo de sentimento. Infelizmente, parece que com o decorrer dos anos o povo, ao invés de evoluir, involuiu. Isso, para mim é inexplicável.

leonidas

- 2015-07-11 21:59:27

Quando a esquerda tomara

Quando a esquerda tomara vergonha na cara e aprendera a respeitar o pobre? rs

Pq tamanha boçalidade dessa analogia só pode mesmo ocorrer quando se adota o lema preconceituoso que pobre é o mesmo que ladrão ou que negro é o mesmo que ladrão.

Oras o cidadão linchado era um delinquente , o que em absoluta legitima o fato contra ele obvio mas dai querem fazer alusão a condição do negro açoitado com a de um ladrão vai um oceano de diferenças.

É muito cinica essa tutela dispensavel da esquerda para com os menos favorecidos...

André Paulistano

- 2015-07-11 21:51:26

Do Sensacionalista

 

http://sensacionalista.uol.com.br/2015/07/10/ladrao-branco-amarrado-a-arvore-e-confundido-com-ativista-do-greenpeace/

 

 

Assaltante branco é amarrado a árvore e população acha que é um ativista do Greenpeace

  

Em Caxias do Sul, interior do Rio Grande do Sul, um ladrão foi capturado por um lojista em flagrante enquanto tentava assaltar sua loja a mão armada. Antes, ele agrediu uma mulher que fazia compras no mesmo lugar. O homem foi então levado para fora da loja e amarrado a uma árvore enquanto o dono da loja ligava para a polícia.

“Quando eu voltei, tinha gente tirando selfie com o ladrão”, disse o lojista, que não quis se identificar. “O pessoal começou a se reunir em volta, olhar para ele, até que alguém puxou uma salva de palmas”, disse o lojista.

Até que a polícia chegasse, meia hora depois, o lojista não conseguiu convencer os transeuntes que o homem era um ladrão perigoso. “Eles acharam que era um cara daqueles movimentos do meio ambiente, né, do Greenpeace, que estava amarrado na árvore para que não derrubassem”, disse o policial militar Jefferson Schluden.

Após ser desamarrado, o homem ainda deu autógrafos a algumas pessoas que se recusavam a acreditar que ele era ladrão de lojas antes de entrar no camburão.

M Zorzanelli

 

antonio almeia

- 2015-07-11 21:40:17

visão romântica.

O fato de um negro chicotear outro negro não desautoriza a tese de que a escravidão deixou para séculos futuros as suas sequelas. Muitos negros lutaram contra a escravidão. Exemplo,  a existência de incontáveis quilombos. Não compreender as mazelas de nossa formação social e política, apenas confirma Joaquim Nabuco quando disse que precisaríamos de uma reeducção. 

janes

- 2015-07-11 20:59:15

Sabem o que mais me assusta?

Sabem o que mais me assusta? A religião. Quase todo religioso  SEMPRE deseja o mal para quem ele considera mau. É a punição,  o olho por olho, o dente por dente. Não há outra saida, outra alternativa mais digna, mais humana para "exterminar" a violência do que matar quem a pratica. Mas, o que me assusta mesmo, é ver essas criaturas falarem que apoiam essa violência bandida por que deus assim quer.O preconceito, o extermínio é básico nas religiões, Pergunto: o que seria dessas religiões se não existisse a desgraça?  O medo, a desgraça alheia parecem ser  quesitos básicos para que elas, religiões, existam. Os datenas, rezendes "oram" a mesma "oração". Sem a dsgraça alheia, sem o incentivo a violência, eles não teriam salário. Não vejo quase nenhuma diferença entre o capitalismo e as religiões. Esse papa latino, francisco, vem com discurso diferente, por isso, não vai viver muito. Sempre que aparece alguém compromissado com a dignidade humana, os "religiosos" e capitalistas dãp um jeito de calá-lo. Não creio em divindades, creio no homem que revoluciona para que a igualdade, a oportunidade seja para todos. Meus pais, e minha nona sempre me disseram que O SOL NASCEU PARA TODOS e acredito nisso.

Jair Fonseca

- 2015-07-11 20:47:20

Billie Holiday, Nina Simone e Abel Meeropol

"Strange Fruit", com Billie Holiday e Nina Simone, duas cantoras e sofridas militantes, negras, que ousaram cantá-la, e como! A canção foi composta por um professor judeu novaiorquino, de esquerda (Abel Meeropol), nos anos 30, e por muito tempo ninguém quis cantá-la. A letra é uma porrada poética no linchamento, no racismo e na miséria social.

[video:https://www.youtube.com/watch?v=98CxkS0vzB8]

[video:https://www.youtube.com/watch?v=tqbXOO3OiOs]

 

Pedro Mundim

- 2015-07-11 20:42:05

Visão romântica

É uma visão romântica achar que o negro chicoteado 150 anos atrás é igual ao negro linchado dias atrás. Vocês realmente acreditam que se o bandido da foto fosse branco, ele não teria sido linchado?

Um bom observador, contudo, notaria um detalhe que empana essa visão romântica. Quem chicoteia o negro é... outro negro. E muitos dos linchadores também são negros. Aliás, a maioria dos linchamentos no Brasil ocorre em favelas. Lembro-me de uma cena que vi em minha juventude. Eu estava em um ônibus, quando de repente uma mulher mulata sentada a meu lado começou a gritar: Ladrão! Sem vergonha! Próximo à porta eu vi um garoto também mulato levando cacete de vários passageiros, muitos dos quais negros. O garoto acabou sendo entregue a uma patrulhinha, daqueles fuscas que chamávamos de joaninhas.

O negro chicoteando o negro 150 anos atrás deixa claro que a escavidão, naqueles tempos, não era contestada por negros, tal como não era contestada por brancos. E os negros linchando negros no presente deixam claro que não se trata de uma questão de racismo, mas de desespero ante a ação livre da bandidagem.

Nosso tenebroso passado de escravização de outros seres humanos, na verdade, é o passado comum de todos os povos. Em maior ou menor grau, a escravidão sempre esteve presente na História. É forçar muito a barra achar que ainda hoje, 120 anos depois da abolição, o quadro social brasileiro ainda é um reflexo direto da escravidão. Se olhar ao redor, verá que muitos de nossos vizinhos tiveram menos escravidão e libertaram os escravos bem antes, e no entanto, seu quadro social não é muito diferente do nosso. A Venezuela teve pouca escravidão e hoje tem muito mais crime do que nós. As disparidades sociais têm causas puramente econômicas, agora já é tarde para culpar a escravidão, que já pertence à História.

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