Porque o conselho de Mike Pompeo não será seguido pelo Brasil, por Luis Nassif

Os maiores produtores agrícolas mundiais são Estados Unidos, Brasil e Austrália. Uma redução das exportações brasileiras para a China beneficiaria diretamente os dois países restantes

Recorde-se que, na última tentativa de acordo comercial EUA-China, a grande demanda americana era para aumentar a venda de soja americana para os chineses. O que só poderia ser alcançado em detrimento das exportações brasileiras, o maior fornecedor de soja para a China.

Vamos a uma pequena análise do comércio bilateral do Brasil com a China e EUA.

Na conta, somam-se exportações e importações para se estimar o fluxo de comércio. Até setembro, no acumulado de 12 meses, a China somava US $106 bilhões contra US $49 bilhões dos EUA.

Não apenas isso. A tendência é de crescimento ainda mais do comércio com a China e decréscimo com os EUA, conforme pode-se conferir no gráfico.

A relação entre a balança comercial com EUA e China mostra um distanciamento cada vez maior entre ambas, em favor da China.

Além disso, a China tem um peso cada vez maior nas exportações e no saldo comercial brasileiro.

Aqui, a comparação entre o saldo comercial total e o saldo com a China.

Ou, analisando no tempo, percebe-se o imenso impacto do saldo com a China no saldo comercial total brasileiro..

E aí se entra em uma situação curiosa. Os maiores produtores agrícolas mundiais são Estados Unidos, Brasil e Austrália. Uma redução das exportações brasileiras para a China beneficiaria diretamente os dois países restantes.

Ocorre que, na quadra atual, tanto EUA quanto a Austrália estão em conflito ideológico com a China, o que abriria espaço adicional para o Brasil, caso tivesse um governo ou uma diplomacia minimamente racional.

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