Preços ao produtor continuarão pressionando a inflação em 2021, por Luis Nassif

Compare dois quadros: o de maiores altas e o de maiores quedas desde março, por grupos de produtos vendidos aos produtores. A pesquisa é dividida em 23 grupos.

As altas mais expressivas foram de Abate e Fabricação de Produtos de Carne (48,60%), Produtos Químicos Inorgânicos (40,38%), Siderurgia (37,86%), todos com grande impacto na cadeia produtiva.

Na outra ponta – o de produtos de maior queda – houve apenas um setor, o de Curtimentos e Outras Preparações de Couro -0,81%).

Dos 23 grupos de produtos pesquisados, 2 registraram aumentos superiores a 40%, 3 entre 30 e 40%, 3 entre 20 e 30%, 5 entre 10 e 20%, 8 até 10%, um ficou estável e 1 caiu.

Essas pressões se refletiram igualmente nos produtos intermediários, com variações muito maiores do que as refletidas nos Índices de Preço ao Consumidor.

Finalmente, na ponta final, há uma pressão evidente nos preços das manufaturas.

Todas essas pressões de custos vão bater, na ponta, em um mercado de consumo estagnado e em queda, devido ao fim do auxílio emergencial, à falta de qualquer estratégia viável de política econômica e à eclosão da segunda onda.

Tem-se um quadro claro de estagflação que será enfrentado pelo Banco Central com suas armas habituais: alta de juros. No Congresso, aumentarão as exigências do Centrão para garantir apoio ao governo. E haverá pressa para entregar as reformas, sejam quais forem elas, da maneira que der.

Nas ruas, o resultado óbvio será o aumento das tensões sociais e das trombadas nas políticas de saúde. Agora, com um Bolsonaro fortalecido e cada vez mais confiante em seu poder de cooptar instituições, enquanto prossegue armando suas milicas.

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