Eduardo e Flávio Bolsonaro são destituídos de presidências regionais do PSL

Planalto sofre duas derrotas que colocam em risco manutenção de base no Congresso; Quadro pode prejudicar governabilidade da gestão Bolsonaro e travar pautas de reformas

Jornal GGN – Nesta quinta-feira (17), o presidente do PSL, Luciano Bivar, destituiu o deputado Eduardo Bolsonaro e o irmão, senador Flávio, dos comandos da legenda em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente.

A reorganização também afastou a deputada Bia Kicis (PSL-DF), outra aliada dos Bolsonaro, da presidência do PSL do Distrito Federal. Essa foi a segunda derrota do Planalto num mesmo dia, em meio a crise entre Bolsonaro e o presidente nacional do PSL, o deputado Luciano Bivar (PE).

Também hoje, o grupo aliado aos Bolsonaro não conseguiu afastar o deputado Delegado Waldir da liderança do PSL na Câmara.

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A crise aberta entre Bolsonaro e a liderança do PSL começou há cerca de uma semana, logo após uma reportagem da Folha de S.Paulo, revelando que, em depoimento à Justiça, um ex-assessor do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, comentou que “parte dos valores depositados para as campanhas femininas”, empregadas como laranjas do partido, “na verdade, foi usada para pagar material de campanha de Marcelo Álvaro Antônio e de Jair Bolsonaro”.

A matéria trouxe ainda dados de uma planilha apreendida em uma gráfica pela PF sugerindo que o dinheiro desviado de candidatas laranjas do PSL mineiro foi desviado como caixa dois para a produção de materiais das campanhas de Bolsonaro e Álvaro Antônio.

Apesar de seguir com Álvaro Antônio no Ministério do Turismo, Bolsonaro busca descolar sua imagem dos escândalos das candidaturas de fachada deixando o partido. O argumento que vem sendo utilizado pelo presidente, e parlamentares que querem desembarcar do PSL junto com com ele, é a falta de transparência do partido em abrir as contas.

Um dia após a matéria da Folha ser publicada, Bolsonaro disse que o presidente da sigla, Luciano Bivar, está “queimado pra caramba” e orientou um simpatizante a deixar o PSL.

No início da semana, a Polícia Federal realizou uma operação de buscas e apreensões em endereços ligados a Bivar. A ação marcou de vez o racha dentro do partido.

As buscas da PF aconteceram também pouco menos de duas semanas após o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG), ser indiciado e denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais e também pela Polícia Federal, sob a acusação de liderar um esquema de candidaturas de fachada em 2018, mesma questão que colocou Bivar na mira das investigações.

A PF e o Ministério Público abriram investigações sobre candidaturas laranjas do PSL a partir de fevereiro, baseados em reportagens da Folha de S.Paulo. O jornal mostrou que, em Minas Gerais, quatro candidatas receberam R$ 279 mil de verbas publica para campanhas do PSL mineiro, ficando entre as 20 que mais receberam recursos do partido nas eleições passadas.

Já em Pernambuco, reduto político de Luciano Bivar, o jornal revelou que o PSL direcionou R$ 400 mil do fundo partidário para Maria de Lourdes, secretária administrativa do partido no estado que também se tornou candidata. Não há sinais de que as candidatas, que receberam mais recursos para as campanhas do que o próprio Bolsonaro, tenham feito campanhas efetivas. Em Minas, todas juntas somaram cerca de 2.000 votos e em PE, Maria de Lourdes recebeu 274 votos, números insuficientes para se elegerem.

Parte dos parlamentares do PSL, que estão ao lado de Bivar, acusam Bolsonaro de estar por trás da operação da PF contra o presidente da sigla. Nesta terça-feira (16), o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO) disse que o “presidente da República tem bola de cristal, porque ele ataca o presidente do partido e na semana depois acontece a operação.”

Waldir até sugeriu que a PF poderia fazer busca nas casas de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, e do próprio senador, filho do presidente.

Na semana passada, Bolsonaro se reuniu com o ministro da Justiça, Sergio Moro, e com o diretor-geral da Polícia Federal Maurício Valeixo. A audiência foi reservada.

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