Politização da pandemia comprometeu combate à covid-19, diz Renan

“É preciso reconhecer que não temos meios de evitar a continuidade da incompetência do governo federal”, disse relator da CPI

Relator da CPI da Pandemia, senador Renan Calheiros (MDB). Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Jornal GGN – A irresponsabilidade do governo Jair Bolsonaro em enfrentar a pandemia de covid-19 foi decisiva para que o Brasil registrasse uma quantidade tão grande de vítimas, conforme pronunciamento do senador Renan Calheiros (MDB), relator da CPI da Pandemia.

“A CPI foi instalada em 27/04/2021 – até a data da primeira reunião, cerca de 395 mil vidas já haviam sido perdidas. Infelizmente, vamos nos aproximando dos 590 mil óbitos nessa pandemia que parece não ter fim por causa de um governo irresponsável que politizou o enfrentamento de uma doença grave que afetou o Brasil e o mundo inteiro”, disse Renan na abertura de sua participação na oitiva do advogado Marcos Tolentino, proprietário da Rede Brasil de Televisão e considerado o ‘dono oculto’ do FIB Bank, responsável por conceder garantias à Precisa Medicamentos para a compra da vacina Covaxin.

Segundo Renan, a comissão “não se deixou intimidar por ameaças e bravatas, e foram tantas, cumprindo seu papel constitucional com muitos resultados reconhecidos por toda a sociedade brasileira e com a repercussão na comunidade internacional e também assistiu ao fracasso da política negacionista conduzida pelo presidente da República Jair Bolsonaro”.

Avanço da vacinação

O relator da CPI afirmou ainda que as investigações da comissão contribuíram para o avanço da vacinação do país por meio de diversas frentes, dentre elas “a desconstrução da narrativa governamental sobre a existência de um tratamento precoce com medicamentos sem eficácia comprovada que seria no lugar da vacinação em massa a política pública a ser seguida para que os brasileiros se vissem livres dos efeitos da covid-19”.

Clique aqui e veja como colaborar com o jornalismo independente do GGN

“A ênfase dada por esta comissão a esse tema permitiu que essa falsa abordagem fosse completamente desmoralizada ao ponto do próprio ministro da saúde ter que admitir em seu segundo depoimento aqui nesta CPI que medicamentos como a cloroquina e a ivermectina são ineficazes contra a doença (…)”, disse Renan, ressaltando que “a revelação dos esquemas envolvendo a Precisa Medicamentos, a Davati e posteriormente a Belcher Farmacêutica certamente foram fundamentais para afastar as negociatas e seus operadores”.

Lembrado pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE) sobre a necessidade de aplicação de uma terceira dose de vacina para o ano de 2022, Renan Calheiros disse que “esse país deveria estar se preparando para uma terceira dose em massa para o ano de 2022 e em alguns casos já a partir de 2021, os mais idosos e os mais vulneráveis”.

“Mesmo com todas essas vitórias, é preciso reconhecer que não temos meios de evitar a continuidade da incompetência do governo federal (…) Se o governo tivesse aceito as ofertas da pfizer, do butantan e da OMS, nós já teríamos 170 milhões de vacinas, uma grande parte delas sendo aplicada ainda no ano que passou, o que levaria o Brasil a esta altura do campeonato a um dos país que mais tinha vacinado a sua população, o que lamentavelmente foi negligenciado”, pontuou o relator da CPI.

Leia Também

Tolentino diz à CPI que conhece Bolsonaro e os filhos Eduardo e Flávio, mas nega “amizade”

Advogada que ajudou governistas na CPI ganha cargo no governo Bolsonaro

O jogo de Flávio Bolsonaro com a corregedoria da Receita

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome