Contrariando avisos, Sabesp quer tirar mais água de bacia em área de mata atlântica

Jornal GGN – A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) pretende dobrar a captação de água do Sistema São Lourenço para dar conta da demanda da Região Metropolitana de São Pauo.

A companhia já enfrenta questionamentos sobre a ideia por parte de entidades que questionam a superexploração dessa reserva.

Um estudo do hidrólogo e professor da UFRGS, Carlos Tucci, aponta que a bacia não tem capacidade de fornecer tanta água. A pesquisa, encomendada pela Votorantim (que tem seis hidrelétrica e um parque de presenvação ambiental na região) diz que a retirada de mais água dessa bacia pode provocar a seca na região do rio Juquiá.

O rio São Lourenço fica em área de mata atlântica, próxima ao Vale do Ribeira, uma das mais pobres de São Paulo. Lá está a maior obra de avastecimento feita pelo governador Geraldo alckmin, prevista para ser entregue em 2018.

Em 2011, a Sabesp divulgou relatórios que apontavam a viabilidade de retirar 4,7 mil litros de água por segundo da região do São Lourenço e Juquiá; Esse valor equivale a 15% da capacidade do sistema Cantareira, segundo informações da Folha.

Em 2015, após a crise hídrica, a Sabesp decidiu que bombearia 6,4 mil litros de água do São Lurenço para a RMSP quando a obra ficar pronta. Isso sem fazer estudos de impacto ambiental e de viabilidade hídrica, mas com aval de órgãos estaduais como o Daee e Cetesb.

A Sabesp quer aumentar a captação no Juquiá para alimentar a represa Guarapiranga, num volume que representaria 30% da capacidade do Cantareira (9,6 mil litros de água por segundo).

Mas, pelo estudo, a bacia do Juquiá só tem capacidade de prover 6,6 mil litros de água por segundo e, ainda assim, existe uma lei do próprio Estado dizendo que só pode autorizar a capitação de metade do potencial de um manancial.

Em nota, a Sabesp sustenta que a ampliação do uso do São Lourenço-Juquiá é necessário para desafogar o Cantareira e Guarapiranga.

Mas para um especialista da Unicamp, Antonio Carlos Zuffo, há risco de deixar a região explorada sem água, já que a bacia é de uma área de mata atlântica isolada.

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