Há uma “janela de oportunidade” que Dilma não está vendo, diz Haddad

Jornal GGN – O prefeito de São Paulo Fernando Haddad disse em entrevista à jornalista Mônica Bergamo (Folha), publicada nesta sexta-feira (13), que há uma “janela de oportunidade” na capital paulista que o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) não está percebendo com “a devida atenção”.

Haddad tentará se reeleger em 2016 e, para isso, precisará nadar contra a cobertura negativa que a grande imprensa faz de seu governo e mostrar quais promessas de campanha conseguiu tirar do papel. Para isso, ele deveria contar com ajuda do governo federal. Mas em meio à crise política e econômica, a Prefeitura de São Paulo tem enfrentado dificuldades para obter recursos que Haddad não esconde na entrevista à Folha.

Além de criticar o contingenciamento de verbas e a polícia econômica encampada por Dilma desde a reeleição, Haddad também fez emendas à “governança” que o governo federal deixou de implantar em empresas estatais, como a Petrobras, para evitar escândalos de corrupção como a Lava Jato.

“Nada supera a força do exemplo. Eu estou à frente do executivo da maior cidade do Brasil. A melhor coisa que posso fazer é mostrar que é possível administrar uma cidade desse porte com correção – não só com gestos pessoais mas também com gestos institucionais. Nos governos dos presidentes Lula e Dilma, isso foi feito. Os ministérios, e mesmo a administração indireta, sofreram investigação de órgãos que o PT criou ou para os quais deu força e autonomia, como a CGU (Controladoria Geral da União), o Ministério Público, a Polícia Federal. Onde erramos? Não criamos a mesma governança no plano das estatais. E isso vai ter que ser feito”, disse Haddad.

O prefeito afirmou que desde que assumiu São Paulo, praticou uma política financeira local que considera “impecável”, ao contrário de seus sucessores. “Contratos foram revistos. Superamos o problema dos precatórios. Renegociamos a dívida com a União. Criamos uma secretaria de combate à corrupção. E mandamos para a Câmara a reforma da Previdência”, apontou Haddad.

Na opinião do prefeito mais “tucano” que o PT já teve, a insatisfação da população paulistana demonstrada em pesquisas de opinião como o Datafolha, principalmente entre moradores de áreas mais pobres – onde está o nicho eleitoral do partido – é uma “circunstância complexa”, mas que será superada tão logo o Paço tiver espaço na mídia para mostrar o que já realizou em três anos.

“Há a questão [da crise] do PT, do governo federal e ainda a recessão. E nós ainda não tivemos a oportunidade de defender a gestão. A imprensa aponta as deficiências. E as qualidades? Onde aparecem? Ainda mais agora que você tem candidatos que são diretamente ligados a grupos de comunicação [Luiz Datena, da TV Bandeirantes, Celso Russomanno, da TV Record]? Tem uma narrativa que precisa ser construída. E isso em geral é feito na campanha”, comentou.

Para Haddad, o PT “já demonstrou capacidade de resiliência muito grande” e poderá superar a adversidades atuais.

Incitado a fazer uma avaliação da política econômica do governo Dilma, Haddad destacou que a Fazenda tem perseguido dois objetivos: “trazer a inflação para o centro da meta e estabilizar a relação dívida/PIB. De um lado, adotou uma política monetária mais austera e, de outro, uma política fiscal austera. A minha percepção é a de que existe uma contradição. O governo não conseguirá promover as duas coisas simultaneamente. A política monetária está corroendo a política fiscal. Talvez essas políticas tenham que ser recalibradas, para a retomada do crescimento. Tem que recalibrar.”

Caso isso não aconteça, o preço será o “comprometimento do emprego acima do suportável”, algo politicamente prejudicial ao PT.
 

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