Padre sírio recebe refugiados em BH

Jornal GGN – Um padre sírio se tornou referência para os refugiados em Belo Horizonte. Com a ajuda de doações, George Rateb Massis coordena uma casa matriz onde os imigrantes fugidos da guerra são recebidos.

Do O Estrangeiro

A ajuda que vem da terra

Por Thiago Guimarães

Padre sírio vira referência para refugiados em Belo Horizonte.

Natural de Homs, cidade conhecida como berço da guerra civil na Síria, um padre de 39 anos se tornou referência para os refugiados sírios em Belo Horizonte. George Rateb Massis organiza o acolhimento de 77 conterrâneos, a maior parte deles jovens de 21 a 34 anos que fugiram do conflito na terra natal. E o número cresce aos poucos dia a dia.

Com ajuda da Arquidiocese de Belo Horizonte e de doações, sobretudo da comunidade síria em BH, estimada em até 75 mil pessoas, Massis coordena uma casa matriz onde os imigrantes são recebidos.

Após um período de adaptação, que inclui aulas de português e busca por trabalho, os refugiados passam a viver em apartamentos que funcionam como repúblicas com até oito pessoas.

O grupo ocupa hoje 16 imóveis na cidade –a Igreja ajuda nas despesas de quem não conseguiu trabalho.

A maioria dos refugiados sírios em BH é de cristãos, grupo que representa apenas 10% da população do país de maioria muçulmana. Muitos vêm de famílias de classe média, possuem educação superior e deixaram o país para evitar se envolver no conflito.

Padre George diz não ter restrições a ninguém, lembra que chegou a receber um muçulmano que acabou não se adaptando e voltou, e que é natural que a comunidade cristã recorra a ele como uma referência no Brasil: “Temos [cristãos e muçulmanos] uma longa história de vida juntos [na Síria].”

Adaptação

No Brasil desde 2003, o religioso acaba fazendo as vezes de pai dos jovens conterrâneos, com conselhos sobre segurança e hábitos culturais. “Virei o homem das regras”, disse uma vez em entrevista à imprensa local.

Para ele, as principais dificuldades na vida nova dos refugiados têm sido o choque cultural e a busca por emprego. “Se com a crise econômica os brasileiros estão sofrendo com falta de trabalho, imagine os refugiados.” O padre convocou a imprensa local nesta semana para fazer um apelo ao empresariado por oportunidades aos imigrantes.

A convivência com os brasileiros também passa por momentos turbulentos. Massis já relatou casos de uma vizinha que disse “não aguentar” a presença dos sírios, e outro refugiado foi agredido com um copo de café com leite no rosto por um cliente da padaria em que trabalha.

Esse não é o caso de Yazan Elias, morador de Homs de 22 anos, que chegou à capital mineira há três meses e por ora é só elogios. “Tenho recebido muita ajuda das pessoas”, afirma ele, que está trabalhando em um bar.

Como outros colegas, Elias ainda tem dedicado pouco tempo a atividades extra-trabalho. Tardes no tradicional clube sírio da cidade e as missas do padre George são algumas opções.

Para o padre, há quem tenha dificuldade em distinguir qualquer morador de um país árabe de um radical islâmico. Embora ressalte a importância da ajuda, ele afirma que os conterrâneos não estão em busca de caridade.

“Eles vêm aqui para trabalhar, fazer a vida e mudar a história de violência do mundo”, afirma.

Quem tiver interesse em colaborar com os refugiados sírios na capital mineira pode contatar a campanha Juntos pela Síria, uma iniciativa da Arquidiocese de Belo Horizonte.

 

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3 comentários

  1.  
    Parece que esse padre é da

     

    Parece que esse padre é da igreja que fica na Av. Carandaí com Alfredo Balena, perto do Pronto Socorro.  Se alguém quiser e puder ajudar, astá aí a dica.

  2. É assim que se faz.
    Recebam
    É assim que se faz.
    Recebam de braços abertos, a sociedade, não o Governo que tem mais o que fazer.
    E lembre-se, nossas fronteiras estão do jeito que SEMPRE ESTIVERAM, abertas.

    Mas quem DEVE PAGAR A CONTA foi quem fez uma conta num papel e uma guerra no estrangeiro.
    Qual são eles?

    Tem que ser assim PORQUE SE NÃO, farão novamente!
    Refugiados para Londres, Paris e Berlin! Esse é o caminho para que estas sociedades PAREM DE FINANCIAR GUERRAS.
    O que os húngaros fazem, tanto faz.

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