Desmatamento e invasões a terras indígenas aumentaram em pandemia

Amazônia perdeu 11.088 km², invasões aumentaram 134,9% e recursos à FUNAI foram os mais baixos em 10 anos. Nesta semana, Conselho Indigenista Missionário denunciou o cenário à ONU

Povos indígenas ergueram barreiras sanitárias e tiveram de conviver com a covid-19 e as invasões territoriais, que não cessaram. Foto: Edgar Kanaykõ Xakriabá

Jornal GGN – O desmatamento e as invasões às terras indígenas aumentaram durante a pandemia. A denúncia foi levada pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) à ONU, na 46ª sessão ordinária do Conselho de Direitos Humanos, nesta última quinta (04).

A Amazônia perdeu 11.088 quilômetros quadrados de área de floresta entre agosto de 2019 e julho de 2020, um aumento de 9,5% em relação ao ano anterior e o mais alto dos últimos 12 anos. Os dados são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do INPE.

E enquanto o número de invasões em terras indígenas aumentou 134,9% no primeiro ano do governo Bolsonaro, 2019, segundo o relatório “Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil” da organização, o valor do governo à FUNAI gasto nos primeiros cinco meses do ano de 2020, em plena pandemia, foi o mais baixo em 10 anos: R$ 189 milhões, segundo informações da Siga Brasil, do Senado.

Na reunião, o representante da Cimi na Amazônia, Luis Ventura Fernandes, alertou para “o nível de desmatamento na Amazônia, que atingiu seu maior nível nos últimos 12 anos, enquanto assistimos a um desmonte completo das políticas ambientais”.

Juntamente com a denúncia, a Cimi pediu à Relatoria da ONU que realize uma visita ao Brasil e um estudo para monitorar a situação.

Acompanhando estas denúncias, na próxima segunda (08), a Relatora Especial da ONU sobre a Situação dos Defensores de Direitos Humanos, Mary Lawlor, conversará com a jovem indígena Sthefany Tupinambá, da aldeia Serra do Padeiro, Terra Indígena Tupinambá de Olivença, na Bahia.

A representante indígena levará à Relatoria Especial as fragilidades do proteção de defensores no governo de Jair Bolsonaro no Brasil, que colocaram em risco a vida e luta dos povos ingíneas.

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