Xadrez da nova corte e a fragilidade de Bolsonaro, por Luis Nassif

Peça 1 – as fragilidades de Bolsonaro

Prosseguimos na tentativa de decifrar Jair Bolsonaro, juntando mais fragmentos do homem e do grupo trazidos por pessoas que transitam por lá. Como Bolsonaro é um ator político totalmente não-convencional, esses bastidores são mais reveladores do que a cobertura da mídia brasiliense, espremida por pressões dos veículos ou pela necessidade de construir boas relações com as novas fontes.

Ontem, no Twitter, o jornalista norte-americano Vincent Bevins – que foi correspondente no Brasil do Los Angeles Times – traçou um retrato cruel da cobertura sobre Bolsonaro.

Disse ele:

“Os jornalistas estão tão desesperados para parecer neutros que toda vez que Bolsonaro diz algo que não é uma mentira ou um incitamento ao genocídio, eles praticamente quebram os dedos tentando retwittar (…)

O cara pode falar por uma hora incentivando eliminar uma classe de pessoas, mas se o discurso incluir “2 + 2 = 4” jornalistas aparentemente têm que dizer “Ele pediu por extermínio, o que é controverso, mas, para ser justo, sua matemática passou na checagem (…).

Eu digo que, como um americano confortável que nem vive mais em tempo integral no Brasil, muitos jornalistas brasileiros estão sob séria pressão financeira que os levam a ficar com a cabeça baixa. Mas isso não é verdade para os grandes nomes e vozes que têm a liberdade de serem melhores, mas não são (…)

E o mais engraçado é que os fãs de Bolsonaro ainda pensam que os jornalistas que fazem isso são comunistas que provavelmente não deveriam poder escrever´´

Por isso mesmo, é mais produtivo tentar decifrá-lo através de olhos de terceiros, mais perspicazes, do que pela cobertura tradicional.

Uma primeira impressão, que tem chamado a atenção de pessoas que têm mantido contato com Bolsonaro, é sua fragilidade: física sim, devido à facada recebida; fragilidade intelectual óbvia, mas, principalmente, fragilidade social. Ele não fica à vontade quando confrontado com temas relevantes, se mostra incomodado presidindo reuniões ou se relacionando formalmente com pessoas de fora do círculo.

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É significativo de ampla ignorância, o deslumbramento com o encontro agendado com John Bolton, assessor de Segurança Nacional dos Estados Unidos.  Bolton não vem se encontrar com Bolsonaro. Ele vai a um encontro do G20 em Buenos Aires e fará uma parada no Rio para conhecer Bolsonaro. A notícia foi recebida por Bolsonaro com um autêntico êxtase cívico, divulgando seu deslumbramento pelas redes sociais.

Bolton é odiado da portaria à copa do Departamento de Estado. Só existe porque Trump o retirou da lata do lixo. Tornou-se inimigo declarado do Brasil quando fez o diretor geral da Organização Contra as Armas Químicas, o diplomata brasileiro José Bustami, ser demitido do cargo porque recusou-se a endossar a informação de existência de armas químicas no Iraque.

Bustami estava certo e Bolton errado, o Itamaraty nunca esqueceu. Em Washington, sua credibilidade é nula. Na Europa é um paria diplomático. Que Bolsonaro de importância a Boulton diz muita coisa sobre seu nível de informação.

Peça 2 – os personagens da trama

Esse personagem socialmente inseguro está no meio de um jogo com vários personagens sem afinidade entre si, disputando espaço e comando de uma das sete maiores economias do planeta.

Personagem 1 – o apoio dos filhos

Bolsonaro demonstra necessitar da proximidade dos filhos. Estes, por sua vez, criam conflitos por todos os cantos com vários personagens da nova corte. Um dos filhos tem bom discernimento em análises de caráter, mas em nada ajudando para entender como trabalhar a lógica do poder.

Personagem 2 – os financiadores vorazes

O núcleo que deu base partidária e recursos para a campanha – o advogado Gustavo Bebiano, o dono do PSL, Luciano Bivar, e o lobista carioca Paulo Marinho – têm-se mostrado voraz, pretendendo controlar todos os grandes contratos do governo.

Personagem 3 – Onix Lorenzoni

O deputado Lorenzoni tem provavelmente a maior unanimidade contrária do Congresso. Ficou do lado da Lava Jato, mesmo tendo sido beneficiado por financiamentos de caixa 2. Hoje em dia é uma alma penada, sem trânsito algum no Congresso. E a ele está sendo conferido o papel de coordenador político.

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Personagem 4 – o Imperador Paulo Guedes

Dia desses, houve uma reunião com Bolsonaro. Todos os presentes quedavam em atitude respeitosa normal. De repente, ouviu-se uma agitação. Era Paulo Guedes chegando, como se fosse o Imperador da Alemanha. Entrou, todos se levantaram para cumprimenta-lo, enquanto Bolsonaro permanecia quieto, em sua cadeira, observando. Parecia que Guedes era o presidente. Esses superpoderes sempre acabam se voltando contra quem os utiliza, sem deter o poder originário, a Presidência.

Peça 4 – a arbitragem de Mourão

Todos os personagens acima giram em torno de Bolsonaro. Mas há um componente extra-Bolsonaro na história: o vice-presidente general Hamilton Mourão.

Em sua coluna de hoje, na Folha, Jânio de Freitas traz mais algumas informações relevantes sobre seu papel (clique aqui). Segundo Jânio, há indícios (ainda não confirmados por ele) de que Bolsonaro foi ´´aconselhado´´ na área militar a ceder o lugar de vice para Mourão.

Jânio reparou, corretamente, que Mourão tem uma segurança afirmativa que não se assemelha mais a meros arroubos, como passava a impressão durante a campanha eleitoral.

Por exemplo:

“Tenho certeza absoluta de que nós não vamos brigar” [com a China]. A mudança da embaixada brasileira em Israel, de Tel Aviv para Jerusalém, já reafirmada por Bolsonaro, “é uma decisão que não pode ser tomada de afogadilho, de orelhada”. Sobre o fim do Mercosul, também dado como decisão, “antes de pensar em extinguir, derrubar, boicotar, temos que fazer os esforços necessários para que atinja os seus objetivos”.

Peça 5 – a lógica do Congresso

Congressos repetem indefinidamente os mesmos vícios e virtudes do Senado romano. Entram os cidadãos mais abonados, muitas vezes comprando os mandatos com campanhas caras e/ou herança política, com o objetivo de negociar com o Imperador os filtros a seus atos.

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A lógica política demandaria um acordo com o Centrão, apoiando a eleição de Rodrigo Maia na Câmara e Renan Calheiros no Senador. Seria um acordo de sobrevivência, não de adesão. Mas há convicção de que os círculos íntimos de Bolsonaro farão tudo para impedir e partir para o confronto.

Na hipótese de Bolsonaro ganhar a presidência de uma das casas, os perdedores irão retaliar. Mesmo porque há um clima pesado, por conta da indicação do juiz Sérgio Moro para o Ministério da Justiça, entendida como tentativa do grupo de Moro de intimidar o Congresso.

O resultado da eleição para o Congresso mostrará melhor o rumo do governo. Entre velhas raposas há a convicção de que Bolsonaro sabe que o melhor caminho – para seu governo – seria o acordo de sobrevivência. Mas duvidam que ele tenha força para enfrentar os lobbies internos, constituído de um pessoal primário que acha que poderá domar o Congresso – algo que nem o governo militar de 1964 conseguiu, a ponto de fechar o Congresso pela impossibilidade de controla-lo.

Peça 6 – os primeiros conflitos

Os primeiros conflitos à vista provavelmente serão entre os filhos, contra a gana dos financiadores e de Onix Lorenzoni.

A eles se somarão os generais Hamilton Mourão e Augusto Heleno, agastados com a fritura a que foi exposta o general Ferreira por Onix e o grupo dos financiadores.

Conforme observamos semanas atrás, as únicas ideias consistentes, sistematizadas, que poderiam ser entendidos como um projeto de governo era o plano integrado de infraestrutura, preparado pelo general Ferreira, contemplando o curto, médio e longo prazo.

E nem houve espaço para falar do novo Ministro da Educação Ricardo Velez Rodrigues e do inacreditável chanceler Ernesto Araújo.

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57 comentários

      • Isto se respeitarem a Constituição!

        Se não….

        Agora, independente de teorias da conspiração ou não, o quadro de bolsonaro com “inflamação do peritônio e processo de aderência entre as alças intestinais” já estando a tempos sendo tratado com antibióticos e não regredindo a inflamação, não sei não, talvez tenhamos três dias de nojo nacional (atenção, nojo em todos os sentidos da palavra).

  1. O país foi tomado pela
    O país foi tomado pela estupidez e pelo cinismo. É um tremendo erro de avaliaçao achar que há um suposto “nucleo racional” nesse aglomerado de boçais. O que muda é a composição desses ingredientes nos diversos personagens que compoem ou comporão o governo. Uns sao mais ou menos estupidos e outros sao mais ou menos cinicos, so isso. Todos estao fechados na pauta antissocial e entreguista.

    Agora, uma coisa é falar em entregar o patrimonio publico para grupos privados; outra vai ser quando se aproximar a hora de ver QUEM vai passar a mao no butim. Quando ficar claro o “limite da irresponsabilidade” e que serao elas…

    O Congresso vai avançar na pauta maluca de armas, escola sem partido, estatuto da famili, do nascituro, etc.

    O resto, vao vender caro.

    O macarthismo so caiu quando foi desmoralizado.

    Tratar “à cavalheiro” quem cavalheiro nao é, nao corre o menor risco de dar certo.

    Ganharam as eleiçoes na base da desinformaçao, da manipulação e da mentira. Pelo visto, vão governar do mesmo jeito.

  2. Insanidade geral.

    Foi levado ao poder pelo rancor, leviandades , preconceitos, oportunismos , falta de escrúpulos … Será que se pode entender de alguma forma?

  3. Resumo da ópera: esse

    Resumo da ópera: esse “governo” é uma ilha de imbecis cercada por ignorantes de todos os lados.

    Não tem como dar “certo”, seja lá o que essa palavra signifique nessa altura no campeonado. Aliás, seria uma surpresa imensa se desse “certo” de alguma forma..

    E, não vou esquecer: são 57.797.847 os culpados por tudo que está acontecendo e pelo que vai acontecer.

    Não tem essa de passar a mão na cabeça de um povo burro que elegeu essa aberração.

    • “E, não vou esquecer: são

      “E, não vou esquecer: são 57.797.847 os culpados por tudo que está acontecendo e pelo que vai acontecer.”

      Daqui dois anos você não vai encontrar nenhum, assim como não encontra os que votaram no aécio e diziam não ter culpa.

      Mas, os eleitores do aécio são os mesmos que votaram no bozo acrescidos dos eleitores da marina no primeiro turno de 2014.

      O resto foi feito pelo tse.

      E temos o que temos.

      Como disse o Maradona sobre o tumulto acontecido no sábado em Buenos Aires antes da decisão da Libertadores, relacionando a violência com o desgoverno macri: “Nós temos o que nós merecemos pois votamos nele.”

      O Brasil segue tendo enorme prazer sentindo o efeito Orloff, e com a eleição do bozo está dizendo para a Argentina: “Eu sou você amanhã.”

       

    • Eu não passo e não passarei a

      Eu não passo e não passarei a mão na cabeça de nenhum dos 57 milhôes de jumentos que votaram neste sujeito débil.

      Cobrarei e jamais deixarei cair no esquecimento o voto de merda que deram.

      Em 92, os “colloridos” renegaram seus votos, ao mentir que haviam anulado o voto.

      Hoje, temos milhôes de “Prints” para quebrar a mentira covarde.

      Serão cobrados e estigmatizados.

      Merecem isso – a burrice gigantesca desses 57 milhôes foram a pá de cal numa grande nação chamada Brasil.

    • Não tem como um país dar

      Não tem como um país dar certo com 57.797.847 de traídores lesa-pátrias.

      Quem voutou no Bolsonaro é absolutamente irresponsável !!!

      Quem votou nele e tem segundo grau, deveria ser preso, NO MÍNIMO !!!

      Gente que votou abertamente pela recolonização do Brasil.

  4. Matar Trancredo e empossar

    Matar Trancredo e empossar Sarney foi uma maneira encontrada para garantir uma transição lenta gradual e segura. Foi essa morte que permitiu a sobrevivência de elementos institucionais da ditadura dentro da democracia. Mourão poderia ser uma transição lenta gradual e segura da democracia para uma “não democracia” economicamente eficiente de tipo chinesa com a preservação de uns poucos elementos institucionais da democracia (paz externa, liberdade de imprensa, vários partidos, eleições regulares, etc…). Para que isso ocorresse Bolsonaro teria que ser removido do caminho de uma maneira ou de outra. Mas isso teria que ser feito pela direita e não pela esquerda. E é aí que a porca entorta o rabo. “Hard to see, the dark side is.” – como disse Yoda.

    • Alto Comando está ideologicamente comprometido

      Caro Fábio, minha única discordância no seu comentário é quanto à “eficiência econômica”. Infelizmente, o Alto Comando do Exército Brasileiro está ideologicamente contaminado e acreditam em todas as baboseiras econômicas da grande mídia. É diferente dos anos 1970, quando a ditadura se segurou porque eles apelaram pros planos de desenvolvimento. Com o pacote econômico atual que a mídia lhes vendeu, esse da da austeridade, da estagnação do PIB e do arrocho fiscal e salarial para os mais pobres, não tem quem se sustente.

      • Você tem toda razão. Por isso

        Você tem toda razão. Por isso eu fiz questão de enfatizar a “eficiência econômica” do regime “não democrático”. Sem “eficiência econômica” qualquer novo regime será instável e irá cair inevitavelmente. Mas não é certo que o que virá depois será uma democracia de alto impacto econômico. O mais provável é que o caos político, militar e econômico venha a foder o Brasil por séculos, com risco inclusive de fragmentação territorial. Isso obviamente será muito bom para os gringos, que poderão pilhar os recursos petrolíferos e minerais do país mais facilmente, além de vender armas para os idiotas brasileiros ficarem se matando (como eles fazem no Oriente Médio).

  5. O golpe esta em

    O golpe esta em andamento

    BOZO se mostra o que sempre foi, um psicopata, FRACO, covarde, um traidor da pátria e da democracia

    ..é o que DIZ a décadas que é (não o que imaginamos ou o que é urdido pela CORJA de jornalistas aéticos)  ..É defensor da tortura, do uso da força bruta como convencimento, da aniquilação dos contrários ..É um FASCISTA, anti- povo/negros/índios/minorias – GAY e mulheres ..aliás, tem algo de TARA, de trauma, de complexo sexual nesse camarada

     

     

     

  6. .. …fico urubuservando como
    .. …fico urubuservando como na Terra Brasilis é tudo gradual, exceto a democracia, o progresso e as políticas desiguaitárias que, como provado está, são exceções: o normal é nossa condição de colônia e relho no lombo da Senzala que, por sua vez, nunca vez aquilo que tem que fazer: rebelar-se…
    .
    ..ou será que ainda acreditam na conciliação de classes como projeto permanente? Lula, que tentou isso, está apodrecendo na cadeia, para usar um termo daquilo que foi eleito para servir de espelho desse pais sem futuro.
    …… Do gradualismo de um Brasil que se descontínua e se destrói sempre…….
    .
    : na década de 70 a abertura começou com Geisel, aquele que mandava matar opositores, e terminou em 1985, aliás, em 1988, com a nova CF que, nem chegou aos 30 anos fora enterrada pelo golpe judicial-midiatico em que os militares atuaram nos bastidores….
    ..
    .no Chile, tão logo houve o golpe, pessoas começaram a ser metraladas aos montes: no Brasil foi gradual: 4 anos depois, com o AI 5, em 1968…o golpe de 2016 repete em tudo o de 64, em que JK e Lula são acusados de terem triplex e de serem corruptos – a velha cantielna da direita que, quando fora do poder, cria esse discurso do mar de lama como forma de perseguir opositores…
    .
    ..assim Lula e JK são retirados do jogo político: Vargas preferiu a morte ….2016 + 4 = 2020….no máximo 2021 quando, sob temperatura máxima, o cabo terá que ceder para que o General assuma: aí meu amigo, como dizem: que Deus tenha piedade dessa Nação…
    .
    Em tempo: pq que a nossa casta dominante age assim? De bobos não tem nada: de grão em grão enchem o papo e o povo nem desconfia …
    .
    .

  7. É evidente que um sujeito que
    É evidente que um sujeito que usou a grana da Câmara Federal para “comer gente” ( e ninguém nunca indagou o que ele quis dizer com isso,já que não especificou sexo),não deve ser o mais preparado do mundo para ser presidente. Ponto de exclamação.
    Agora,não sou partidário de que um sujeito que se elegeu por várias legislatura e que,principalmente,conseguiu se eleger presidente,independentemente de qualquer ajuda externa e suja que tenha recebido,seja um zero a esquerda completo.
    Acredito que o sujeito está se ambientado e,sempre que conveniente,joga a responsabilidade para os outros. Assim,fatura as benesses dos acertos,se houverem, É deixa a agrura dos erros para os subordinados.
    Aliás, quem serviu o exército, É tive a felicidade de não ter perdido este tempo em minha vida,sabe um lema muito difundido na caserna:Um superior nunca erra,raramente se engana e quando isso acontece é única e exclusivamente por culpa de seus comandados.
    Precisa desenhar?
    Os tontos que estiverem no governo e se achando mais do que o eleito verão, mesmo o camisa preta do Paraná, que não mandam um milímetro que o eleito não concorde.
    Uns,com dificuldade,entenderão e poderão se arrastar pelo governo (rastejar seria mais apropriado),outros,ficarão pelo caminho,provavelmente na primeira batalha.

  8. bufonídeos

    Esse brejo coalhado de sapos nós vamos ter que engolir.

    O duro vai ser tolerar nossos amigos bolsominions repetir:

    -Pois é, mas a gente não tinha opção. Tudo culpa do PêTê, partido que acabou com o Brasil.

  9. A análise do Nassif neste

    A análise do Nassif neste Xadrez permite que se faça a seguinte leitura do cidadão Bolsonaro: trata-se de uma pessoa extremamente incompetente e despreparada que não estaria apta a dirigir uma reunião de condomínio. Seu desconhecimento de temas elementares causa-lhe uma insegurança de ordem psicológica s social. Nesse sentido, lembra aquele aluno que ficava no fundo da sala de aula, e que chamava a atenção dos colegas pela indisciplina e pelo desrespeito à autoridade do professor, na medida em que se desinteressava  pelos ensinamentos e exibia um comportamento excessivamente individualista. Partindo dessa constatação, é possível compreender o motivo de Bolsonaro transferir toda a responsabilidade de governar para terceiros, concentrando todo o poder nas mãos do economista Guedes e do militar Mourão, projetando no presente a atitude que talvez tenha exibido no passado, quando a professora passava a lição de casa para ser feita em grupo. Este perfil de estudante, descomprometido com o aprendizado, individualista, a esconder sua insegurança e incapacidade com atitudes mais agressivas, era uma exceção no ambiente escolar, mas a desvalorização do professor e, por consequência, do sistema de ensino, associada à alienação produzida pela grande mídia analógica/digital, transformaram a exceção em regra. Pode-se então, concluir que o “fundo da sala” elegeu o presidente da república, e a “algazarra” tomou conta do país. A desvalorização  social do ensino, da cultura e da ciência deixou um vazio que que gradualmente passou a ser ocupado pela violência, representada pelos filmes e programas de TV que a normalizam e e pelo misticismo representado pela teologia da prosperidade. Toda esta regressão desemboca na tomada do poder pelo homem medíocre, apoiada pelo militarismo e pelo fundamentalismo religioso. O uso das redes sociais não é apenas uma tática mas o limite intelectual de Bolsonaro e dos seus admiradores para a comunicação. O núcleo de poder passa a atrair pessoas igulamente medíocres e espartalhões que se passam por imbecis para desfrutar as benesses do poder. Enfim, não é difícil entender a origem do desprezo e ódio que o grupo que assumirá o poder em 2019 nutre pela universidade ( invasões e escola sem partido ) e pela ciência ( negação da crise climática ),. como também a atração patológica que o “mito” exerce sobre parte da população.

  10. A mediocridade cada vez mais
    A mediocridade cada vez mais evidente de Bolsonaro e de seu coordenador(?) politico Lorenzoni são sinais fortes de que o pais não terá um governo. O que esse débil está fazendo é lotear toda a estrutura do Estado na forma de condomínios isolados sem nenhum tipo de coordenação entre eles. O síndico de cada condomínio vai tocar o seu latifúndio do jeito que quiser enquanto o Napoleao de hospício ficará rosnando frases desconexas contra os comunistas, os gays, Cuba, o PT, porque como todos sabemos, o PT e a esquerda são culpados de todos os males do Brasil desde a colônia.

    • Provavelmente é proposital.

      Provavelmente é proposital. Nada melhor para saquear um país do que colocar um presidente medíocre no comando, melhor ainda quando o escolhido é medíocre e um “palhaço de circo” que chama a atenção da população para si enquanto os verdadeiros problemas passam sem serem percebidos.

      Como em todas as outras repúblicas bananeiras Bolsonaro irá colocar a culpa de todos os erros dele nos “comunistas”, e quando isso não funcionar mais ele irá começar a matar qualquer um que discordar dele, acusando-os de serem “comunistas”.

  11. O Ônix no governo

    No âmbito governista, no que diz respeito à interlocução do futuro ministro Ônix Lorenzoni, a representação existente no congresso anterior perdeu muita força em função de uma renovação significativa do campo conservador. Por isso, acredito que Ônix irá encontrar menos resistência na articulação política no congresso, pois, àqueles políticos que o “fritavam” em função do seu apoio a lava-jato foram reduzidos em termos de representação. Porém, por isso mesmo, a nova base conservadora é formada por políticos inexperientes, uma mistura de celebridades, generais e “bon vivants”, o que pode gerar dificuldades na negociação em função de interesses pessoais e alta dose de vaidade. Ainda, o Ônix foi a porta de entrada de vez do DEM no compartilhamento do governo com o Bolsonaro. Acredito que há muito tempo o Ônix apostava seu futuro político na lava-jato/Bolsonaro.

    Historicamente o Ônix Lorenzoni sempre foi um político medíocre em termos de atuação parlamentar, preferindo se abraçar à pauta moral e vocalizando o pensamento da extrema direita no congresso. Não me lembro de ter liderado nada de importância em sua vida como político, de forma que é difícil visualizar como será esta experiência como ministro.

  12. Sinuca

    Se o governo de Bolsonaro “der certo”, o Brasil estará ferrado. Atrasado, com menor patrimônio público e submisso aos Estados Unidos. Se “der errado”, melhor para o Brasil. Mas, e o povão? Em qualquer das hipóteses, terá ainda como sustentar “pastores evangélicos”, adeptos da “teologia” não evangélica  (dos Evangelhos) do dízimo?

    • Certo e errado
       

      Se o Bozo der certo, o país estará ferrado, sem patrimônio e submisso aos estados unidos, mas com os eleitores satisfeitos e o bozo fazendo sucessor ou se reelegendo, como FHC.

      Se der errado, vai ser tudo isso por menos tempo, com o povo emputecido nas ruas clamando por mudanças.

      • Talvez…

        … você tenha razão, Amoraiza. Mas discordo quando lembra o governo FHC como um período de sucesso. O que houve foi ilusionismo, aplicado em doses diuturnas pela mídia hegemônica, enquanto o Brasil falia, subordinava-se ao FMI e ao mercado financeiro e a distribuição de renda piorava a cada minuto. O povo demorou um mandato para entender. Veio Lula e a pregação da mídia continuou e permanece até os dias de hoje. Só que contra Lula e o PT. O mesmo povo continua iludido, agora presa de um ódio inexplicável, que lhe foi inoculado. Quanto ao meu comentário: “dar certo”, para mim,  significa que o governo faça tudo o que tem prometido (existe alguma coisa boa?); “dar errado” é ele não conseguir fazer.

        • Oi?
           

          Quando que eu disse que o o período de FHC foi de sucesso?

          Onde?

          50 milhões de brasileiros abaixo da linha da pobreza, desmantelamento da máquina pública, privatizações desmedidas, recessão, deflação, corrupção galopante e  devidamente amoitada, compra do congresso para sua reeleição, funcionalismo 11 anos sem reajuste…

          O governo FHC foi um sucesso pra ele e para a direita. Foi tempo do capital realizar seus lucros no brasil.

          • Concordo, …

            . . . Amoraiza. Quando se referiu a eleitores satisfeitos, entendi mal como governo de sucesso. A minha resposta talvez e a sua oi? mostram que somos unânimes em reprovar o, para mim, abominável  governo FHC.  

  13. Trânsito difícil

    Nassif segue reamadurecendo.

    Quanto aos comentários, sem comentários….

    Difícil transitar por aqui, só há lamentos ferozes, e poucas ideias.

  14. Não e só o governo que faz

    Não e só o governo que faz papel de ridículo perante o mundo, é o jornalismo brasileiro também.

  15. Grupo dos pastores também será importante na Corte.
    Existe ainda o “círculo pentecostal” da Corte, com Silas Malafaia, Valdomiro Santiago e os “fantoches” de Eduardo Cunha no Congresso (por exemplo: Sóstenes Cavalcante, do RJ).

    Foi um pessoal decisivo na tresloucada decisão de levar a Embaixada em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém. É a força parlamentar do “Escola com Fascismo” e das pautas conservadoras nos costumes.

    A maioria do grupo de pastores e padres (Carismáticos) da Corte gosta mais do dinheiro do que de Deus. Portanto, podem ser fiéis da balança entre o grupo “tudo por dinheiro” (Onyx e as cúpulas partidárias da direita) e o grupo dos “filhos do Duce” e dos generais.

    Não está claro ainda como os deslumbrados com o Poder do “núcleo duro” bolsonarista vai lidar com Guantánomoro, que representa o verdadeiro mentor de tudo o que aconteceu no Brasil desde 2013: o governo estadunidense.

    • Verdade ….

      Sim 

      Esse seria meu comentário , mas como você se antecipou . 

      Não apenas o grupo parlamentar evangélico , mas também a TV RECORD que pelo que se observa mergulhou de cabeça na linha de frente da defesa de Bolsonaro contra os veículos que publicam notícias desfavoráveis.  Será o que a REDE GLOBO foi para FHC e José Serra. 

      Já que Bolsonaro declarou sua intenção de abrir a caixa preta do BNDES , como ficará exposto o grupo do sr. Macedo – um dos maiores devedores do banco , sobretudo para financiar as obras da disneylandia evangélica , o Templo de Salomão ?

  16. Economia e relações externas

    O liberalismo econômico e o alinhamento com EUA, vão aprofundar as contradições dos grupos políticos que apoiam o novo governo, e caso não sejam revertidas irão provocar os primeiros desentendimentos que terão reflexos nas votações no congresso.

    Sem bancos públicos não haverá como financiar a agricultura, muitos menos manter os eternos refinanciamentos agrícolas..

    Sem as estatais aumentará a dependência dos fertilizante importados.

    A entrega do pré-sal para empresas estrangeiras, vai anular qualquer ganho com as exportações de petróleo, em função dos altos custos das importações de plataformas, navios e equipamentos.

     

     

  17.   Sinto cheiro de Era

      Sinto cheiro de Era Collor.

      Outros lembram de Tancredo.

      De qualquer modo, o resultado é o mesmo: catástrofe à vista num país que já vai de mal a pior. E eu até hoje aguardando a autocrítica dos imbecis de junho de 2013.

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