O histórico do ditador paraguaio elogiado por Bolsonaro

Ditador mão-de-ferro Alfredo Stroessner era também pedófilo. Bolsonaro o chamou de "um homem de visão, um estadista"

Ditador mão-de-ferro Alfredo Stroessner - Foto: Arquivo

Jornal GGN – Durante seu discurso da posse do general Joaquim Luna e Silva como diretor da Itaipu Binacional, Jair Bolsonaro homenageou todos os ditadores, do Brasil e Paraguai. Sobre o ditador do país vizinho, o general Alfredo Stroessner, Bolsonaro o chamou de “um homem de visão, um estadista” e que a usina não existiria sem ele.

Os elogios de Bolsonaro ao ditador que comandou o Paraguai entre 1954 e 1989 fizeram parte do histórico do atual presidente brasileiro em tom de saudosismo sobre as ditaduras de ambos os países. E, assim como o fez ao mencionar e homenagear os generais brasileiros, Bolsonaro também ignorou o outro lado da história no caso do Paraguai.

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Além do próprio regime militar ditatorial, incluindo torturas e desaparecidos políticos que até hoje não foram levados à cabo pela Justiça, Stroessner é marcado por seu envolvimento com casos de pedofilia e estupros sistemáticos.

O correspondente na América Latina da GloboNews, Ariel Palacios, descreveu em suas redes sociais alguns dos crimes cometidos pelo ditador paraguaio. “Segundo os investigadores do Departamento de Memória Histórica e Reparação do Ministério da Justiça em Assunção, capital paraguaia, Stroessner estuprava em média quatro meninas por mês”, escreveu.

O regime de Alfredo Stroessner foi considerado mão-de-ferro durante 35 anos, “instaurando um intenso culto à personalidade”. “Para manter uma fachada democrática, contava com o fiel Partido Colorado”, completou o jornalista. Somado a isso, o ditador realizava eleições falsas, nas quais sempre vencia com mais de 95% dos votos, mantendo os principais opositores presos, exilados ou assassinados.

Somente em 2016 é que começaram as apurações sobre os estupros sistemáricos cometidos pelo regime do general. “O principal protagonista dos abusos sexuais era o próprio ditador, que exigia um fornecimento constante de garotas virgens para seu uso. O requisito era que as meninas deveriam ter entre 10 e 15 anos de idade”, narrou.

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Além disso, Stroessner mantinha, durante o seu regime, o envolvimento ativo das forças armadas no contrabando, justificando que esse era “o preço da paz”. “Durante seu regime o Paraguai tornou-se o “hub” do contrabando na América Latina, desde cocaína, passando por eletrônicos, a carros de luxo roubados. Um dos pontos do contrabando era a cidade de ….Puerto Stroessner (atual Ciudad del Este)”, contou o jornalista.

Mas independente de todo esse histórico, Bolsonaro ignorou e preferiu apenas elogiar o general paraguaio:

“Isso tudo [a usina Itaipu] não seria suficiente se não tivesse do lado de cá um homem de visão, um estadista, que sabia perfeitamente que o seu país, Paraguai, só poderia prosseguir e progredir se tivesse energia. Então aqui também a minha homenagem ao nosso general Alfredo Stroessner”, disse, saudoso, Jair Bolsonaro.

Leia, abaixo, as publicações de Ariel Palacios, sobre o ditador paraguaio:

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4 comentários

  1. A cada ditador que o vagabundo Jair Bolsonaro elogia o Brasil perde clientes em potencial nos países em que os regimes deles foram derrotados e substituídos por democracias. Se continuar assim esse palhaço vai conseguir falir todos os ruralistas que o colocaram na presidência.

  2. É lamentável a atitude desse presidente elogiando os ditadores latino americanos do passado. Se fosse coerente ele deveria então estar elogiando o Maduro, já que o considera um ditador.

  3. Curiosamente nossa imprensa e alguns colunistas não falam nada sobre este amor pela Ditadura. Inclusive não acham que isto é um compromisso com o erro. E a tudo isto eles chamam de posição não ideológica.
    O problema deles era o Chaves o Morales e o Correa , Kirchner e claro os Castro .
    As palavras de nosso atual subalterno a Trump são sempre minimizadas. Como dizem, é apenas um discurso de campanha.

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