11 de junho de 2026

Os efeitos do câmbio no IPCA e os erros de Guedes, por Luis Nassif

O maior peso foi Carnes, com 0,1443% dos 0,84% do IPCA. Ou seja, só a carne representou 17,2% da alta

Em novembro, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Ampliado) foi de 0,84%.

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Desse total, 0,47% foi provocado pelo grupo Alimentação e Bebidas, e 0,26% por Transportes.

Vamos desdobrar, agora, o grupo Alimentação, que influenciou o IPCA em 0,422%.

O maior peso foi Carnes, com 0,1443% dos 0,84% do IPCA. Ou seja, só a carne representou 17,2% da alta.

Desde janeiro, a maior influência continua sendo a Alimentação e Bebidas.

No ítem Alimentos, a maior influência foram os cereais, onde está incluído o arroz. No ano, só o arroz influenciou o IPCA acumulado em 0,5583% ou 17% de todo o índice.

Arroz e Carne foram diretamente influenciados pelo câmbio, já que são produtos comercializáveis – isto é, exportados -, cujos preços são influenciados pelas cotações internacionais e pelo câmbio.

Sem os aumentos em Cereais e na Carne, a influência dos alimentos sobre o IPCA acumulado cairia em 2,22% e o índice cairia para 1,2%, bem abaixo da meta fixada para disparar os juros.

Há outras pressões de preços, mas o comportamento do IPCA comprova a extraordinária inapetência da política econômica. Desde o governo Temer, o fiscalismo irracional reduziu os recursos para estoques reguladores. Ao contrário de países responsáveis, não foi feito nenhum movimento visando impor taxas de exportação sobre commodities, que pudessem amortecer a influência sobre os preços internos.

Entra-se agora em uma quadra em que a pressão dos preços convive com falta de insumos e queda de renda. Mesmo assim, Paulo Guedes insiste na recuperação em V.

É caso clínico.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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6 Comentários
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  1. Vladimir

    9 de dezembro de 2020 8:07 am

    O título correto seria : O erro Guedes.

  2. Lucinei

    9 de dezembro de 2020 9:17 am

    São esses aí os “técnicos”… “Ideologicos” são os outros…pfff!

    O bambamban do mercado, do Instituto Millenium, nao sabia nem que o Orçamento é aprovado pelo Congresso no ano anterior…pfff!

  3. Zé Sérgio

    9 de dezembro de 2020 9:47 am

    Vamos ficar nesta conversa fiada de câmbio até quando? Quando se acabará estes 90 anos de AntiCapitalismo de Estado? Ignorância ou Hipocrisia? Precisamos de câmbio para que? Precisamos de investimentos estrangeiros para que? Comida? Produção Agrícola? Carne? Arroz? Energia Elétrica? Água? Ferro? Metais? Minerais? Petróleo? Mão de Obra? Combustíveis? Dependência de Dinheiro emitido por outra Nação se seus Interesses? Pobre país rico. Acorda AnãoDiplomático!! Gigante Continental sendo ridicularizado como Anão?!! 90 anos. Mas de muito fácil explicação.

  4. marcio gaúcho

    9 de dezembro de 2020 3:10 pm

    IGP-M A 25% a.a, INPC a 4% a.a. Em plena pandemia! O índice da FGV é o mais coerente com a realidade. O INPC, que corrige salários, é uma farsa montada no Ministério da Economia para diminuir o “custo Brasil “, em cima do lombo do trabalhador. Escárnio puro!

    1. Zé Sérgio

      9 de dezembro de 2020 6:16 pm

      FGV ? Ode ao Ditador Assassino Fascista e suas Privatarias projetadas por Eugênio Gudin (PUC;RJ-FGV) Coincidência? Afinal estamos na Pátria de 90 anos de coincidências. Pobre país rico. “Indústrias são para a Bélgica” Na farsante e coincidentemente ‘Industrialização Tardia Brasileira. Mas de muito fácil explicação.

    2. Clever Mendes de Oliveira

      10 de dezembro de 2020 12:57 am

      Marcio Gaúcho (quarta-feira, 09/12/2020 at 15:10),
      O IGP e IGP-M sofrem uma influência muito grande do índice de preços no Atacado (IPA). Muito provavelmente estes dados estão certos. Se houver queda do dólar o IGP ou o IGP-M voltarão a ficar abaixo do INPCA.
      Guedes está torcendo para que não caia, pois inflação maior vai representar receita maior e vai representar redução do salário dos funcionários. E ai ele poderá fazer como a ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff que manteve a inflação em patamar tal que não desequilibrava a a economia, mas assegurava aumento de receita.
      E tudo indica que ele vai conseguir segurar as despesas e as receitas em patamar razoável de modo a assegurar superávit primário, como ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff conseguiu com folga pelo menos até junho de 2014, quando começou a ficar acentuada a queda dos preços das commodities inclusive petróleo, reduzindo a receita e ao mesmo houve uma desvalorização do dólar que pressionou mais a economia em direção a recessão e lá na frente quando a economia começava a se recuperar veio o golpe.
      O que aconteceu com as despesas e receitas em 2014 foi mostrado em gráfico recente da Folha de São Paulo no editorial “Gambiarras Fiscais” de quarta-feira, 12/06/2019 e que pode ser visto no seguinte :
      https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2019/06/gambiarras-fiscais.shtml
      O que se verifica é que com inflação e sem crise econômica o governo consegue ter um superávit primário. Talvez, impossibilitado de aumentar diretamente os impostos, o Paulo Guedes espera que uma inflação na faixa de 5% faça a recuperação da receita e ele segura como pode o aumento da despesa.
      Clever Mendes de Oliveira
      BH, 09/12/2020

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