Depois de se calar sobre censura a Nassif, Globo é proibida de noticiar rolos de Flávio Bolsonaro

A censura de Flávio Bolsonaro nos olhos da Globo não é refresco. Ataques às liberdades devem servir de alerta: toda justiça que é parcial faz mal à democracia

São Paulo – Foram tímidas as referências da mídia comercial à censura imposta ao jornalista Luis Nassif. Diante do arbítrio – contra as matérias do Jornal GGN sobre as relações suspeitas entre os bancos BTG e BB –, a imprensa se calou, observou o professor Laurino Lalo Leal Filho em seu comentário semanal De Olho na Mídia, no canal do Barão de Itararé. Para Lalo Leal a imprensa corporativa faz um jogo arriscado ao não denunciar a censura – a mesma censura da qual poderá vir a ser vítima. E não se passaram muitas horas entre o alerta do professor e a censura da Justiça do Rio de Janeiro bater à porta da Globo. Foi ontem (4). A Globo foi proibida de revelar documentos da investigação contra Flávio Bolsonaro.

A juíza Cristina Serra Feijó, da 33ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, acolheu a um apelo do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e proibiu a Globo de dar notícia envolvendo o filho do presidente e o esquema das “rachadinhas”. Um nome suave para o ato de integrantes da família Bolsonaro e políticos aliados. Porque o que crime cometido com dinheiro público não é nada suave: empregar funcionários fantasmas em gabinetes legislativos e fazer caixa com o salário deles. Segundo as denúncias, o funcionário não precisa aparecer para trabalhar. Apenas repassa parte do salário para os políticos “de bem”, e fica com uns trocados. Nessa “rachadinha”, o cidadão entra com o dinheiro. E os políticos, com o Bolso. Esse assunto também já foi comentado aqui.

Censura no jornal dos outros não é refresco

Para a imprensa comercial, que sempre tratou a censura no jornalismo dos outros* como se fosse refresco, fica o alerta. Aliás, duplo alerta. Um: não se calarás diante da censura e do arbítrio, ainda que atinja um veículo que não goste. Dois: não serás cúmplice de juízes que atuam politicamente, ainda que seus desvios éticos atendam a conveniências ideológicas e comerciais dos donos de jornais.

Desde meados da década passada a mídia corporativa vinha sendo tolerante com o “engajamento” político de setores do Judiciário. Para vender jornais e revistas, iludir um público que se alimenta de falso moralismo, ampliar a audiência, cativar anunciantes e interferir nos rumos da nação fora da trilha da democracia. A parceria de juízes e procuradores com veículos de imprensa beirou a cumplicidade. Enquanto uns riscavam o fósforo da Lava Jato, por exemplo, os donos da mídia entravam com o querosene. E agora, com o fósforo e o querosene nas mãos de outrem?

* Por “jornalismo dos outros” entenda-se veículos independentes. Tanto os que fizeram oposição ao golpe de 1964 como os que combateram o golpe de 2016. Enfim, que a produção da informação seja crítica e as linhas editoriais tenham seus lados. Mas que preze a democracia para todos, não só para alguns.

Assista ao comentário de Lalo Leal

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10 comentários

  1. A minha cidade, a 50 Km da capital era servida pela TV Sergipe, retransmissora da Rede Globo.
    Há uns dez dias o sinal local – digital, obviamente – desapareceu. A retransmissora foi desligada, ao que parece. Agora, TV com sinal aberto somente as do Estado – federal e estadual – e as dezenas de canais religiosos.
    A Globo está refluindo como já era previsível..

  2. Considero insuportável estes atos de censura, parece que isto tudo é uma viagem no tempo, quando o regime repressor implantado pelos militares “nadava de braçada” no assunto, pegando e depois sumindo com um ou outro, fatos e histórias que ficaram pra trás, tão pra trás que a maioria dos brazucas não conhece nada do que ocorreu naqueles inesquecíveis anos de chumbo.
    Os grupos de mídia estão a ignorar, por medo ou comodismo, o contexto do impresssionante poema de Eduardo Alves da Costa, equivocadamente atribuído a Maiakóvski, “…no segundo dia levaram as flores do meu jardim e eu não disse nada…”.
    Em bom português, se abrir a cerca, por ela passará um boi e depois uma boiada inteira.

  3. Que justiça é essa? Altos salários, refinados desejos gastronômicos, supérfluas mordomias e penduricalhos podem estar afetando a concentração, a conduta, o raciocínio e talvez interferindo nas decisões da corte.

  4. O importante é que os que estão sendo enfraquecidos com censuras não lutem entre si, como querem que aconteça os que já estão se cagando de medo das futuras revelações…………………….por quem? por qual mídia? pouco importa!

    tentem ver no que aconteceu com a Globo dois momentos distintos, um para antecipar e outro para revelar

    porque a força da informação não reside em ela poder ser revelada, mas sim em ela poder ser antecipada

    Com isso qualquer mídia do planeta desmascara e derruba qualquer governo de criminosos na hora que bem desejar

    Mas a censura ao GGn foi e continua sendo intolerável; à Globo apenas desagradável, vai passar

  5. Bolsonaro veio para lenhar com o povo, mas também para mostrar a essência da nossa elite de origem escravocrata. Criar as condições para colocar um facínora no poder. E quis o destino que surgisse em plena pandemia, possivelmente na mais grave crise humanitária da história. A mentira, o temperamento, as ideias do Bozo foram forjadas sem nenhum compromisso com o humanismo. ” As favas todos os escrúpulos de consciência” Frase histórica do milico Jarbas Passarinho no momento do AI 5. Essa frase voltou quando a elite apoiou o Bozo. A pandemia lançou luzes sobre uma polarização que sempre existiu na humanidade: a disputa entre barbárie e civilização. Temos clareza de que lado está quem cravou 17. E de que lado está quem o mantem no poder, certo Dona Globo?

  6. Não será armação? E se a Globo e os golpistas… bem, a Globo É um dos golpistas. Mas será que não houve um trato na alcova?

    “Algum de nossos empregados está lhes incomodando? Não queremos a pecha de controladores de nossos empregados, queremos a fama de patrão que deixa seus empregados trabalharem, e que estes são independentes. Quer que paremos de noticiá-los? Ok, pegue um juiz aí e nos obrigue. De quebra vocês estarão criando jurisprudência para que possam continuar censurando. Ninguém mais vai poder acusá-los de estarem sendo contra um ou outro jornalismo. Quanto a nós, poderemos posar de independentes e até vítimas e de injustiçados. Sabe como é, se até a Globo é injustiçada e impotente ante vocês, quem tentará defender-se de vocês?”

    Conveniente…

    Sabe aquele negócio de criar “Miriam Leitão, a injustiçada pela ditadura”… Ok, Leitão realmente teve problema. Mas reviver isso bem na hora em que ninguém menos que Dilma Rousseff estava na presidência… como se fosse um personagem à altura de debater economia em pé de igualdade? Criar um contra-ponto? Ah, vá…

    Ou aquela história de mandarem roubar um processo de dentro da vara de justiça, no Rio…

    Não, essa firma não apenas é alinhada com golpes de direita como não tem a menor vergonha na cara. Globo, mesmo com retratação, seu passado – e presente – te condena. Globo, não dá para confiar.

  7. Se o golpe é inclusive contra a Globo, porque não julgam logo a dívida dessa firma junto ao fisco? Isso e outras tantas ações que há contra a firma…

  8. Se a mídia comercial se cala ante a censura, vai ver é conivente, de alguma forma. Caso contrário estaria esperneando… Vamos ver se a Globo protesta mas só um pouquinho, quem sabe?

  9. DRIBLANDO A CENSURA CONTRA A REDE REDE GLOBO.
    POR QUÊ NÃO CONTRA O NASSIF?

    Jornalista revela documentos do caso Flávio Bolsonaro que a Globo iria divulgar antes de ser censurada

    De acordo com o jornalista Samuel Pancher, “o MP-RJ descobriu mais de 400 depósitos de assessores do senador Flávio Bolsonaro nas contas de Fabrício Queiroz”. “O valor atingia milhões de reais”, afirmou. A divulgação ocorre após a Globo ser censurada com uma decisão judicial que proibiu a emissora de exibir processos contra o parlamentar no caso das “rachadinhas”

    5 de setembro de 2020, 18:50 h Atualizado em 5 de setembro de 2020, 19:52

    https://www.brasil247.com/regionais/sudeste/jornalista-revela-documentos-do-caso-flavio-bolsonaro-que-a-globo-iria-divulgar-antes-de-ser-censurada

    Por quê os jornalistas da mídia corporativa não divulgam as matérias do JORNALISTA LUIS NASSIF sobre as falcatruas envolvendo o BTG Pactual, censuradas por uma juiz concurseiro chamado Grandmasson não sei das quantas.

    Aprendam, senhores jornalistas: denunciar em grupo uma falcatrua envolvendo um grande banco não é corporativismo, ou espírito de corpo. Deixar de denunciar e de tentar driblar a censura é porém espírito de PORCO.

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