Infraestrutura, a chave para o crescimento

 
Por André Araújo
 
A poluição real da Baía da Guanabara e da Lagoa Rodrigo de Freitas mais as lagoas da Barra encherá o Brasil de vergonha nas Olimpíadas, serão exibidas para o mundo inteiro.
 
As Olimpíadas, pensadas como grande painel de propaganda do Brasil serão nesse quesito contra propaganda.
 
O Brasil tem necessidades de investimentos em infraestrutura em dimensões chinesas. Esses investimentos serão o grande gancho para o relançamento da economia brasileira na rota do crescimento uma vez que os outros possíveis gatilhos, o consumo doméstico e as exportações, tem escassas possibilidades no curto prazo.
 
O volume de investimentos necessários em saneamento são fabulosos, não só água e esgoto, também tratamento do lixo, os investimentos em mobilidade nas nove áreas metropolitanas também serão imensos, todos são setores onde o Brasil está muito atrasado, de Norte a Sul. A falta de saneamento rebaixa o Brasil para padrões inferiores a dos demais emergentes, causa doenças e custos no sistema público de saúde. 

 
Outro setor crucial onde investimentos são necessarios é o de educação fundamental, pouco considerado em planos de investimentos. Nossas escolas são em grande parte arcaicas, de baixas condições de uso, sem equipamentos modernos, todo investimento em educação fundamental terá efeitos multiplicadores certos. Nas matrículas do 2º ciclo, metade dos alunos não completam o curso, condenando-se a baixas oportunidades de emprego pelo resto da vida.
 
No sistema de transportes todos os modais necessitam de grandes investimentos, na energia planos de 100 ou 200 bilhões de reais são insuficientes, as necessidades são muito maiores se o horizonte for de longo prazo.
 
Para viabilizar o relançamento da economia brasileira pelo caminho da infraestrutura faltam três elementos:
 
– Organização
 
– Neutralizar a burocracia de licenciamentos
 
– Meios de financiamento
 
Os três fatores exigem forte liderança. O modelo de Juscelino deve ser lembrando. Percebendo que a burocracia ministerial de seu tempo não daria conta de um vasto plano de desenvolvimento, criou 30 Grupos de Trabalho que operavam em paraelo ao organograma ministerial e deu a eles METAS claras para atingir em 5 anos. Qualquer obstáculo o Presidente ele mesmo se encarregava de resolver.
 
A questão da burocracia de licenciamentos é crucial ou se exige PRAZOS para licenciar ou será impossível qualquer plano de infraestrutura no Brasil. Colocar micro interesses no caminho de grandes projetos é mortal, aumento os custos e alonga várias vezes o prazo. O conjunto do País tem que ter prioridade em relação a interesses de minorias.
 
A questão de recursos tem que ser resolvida por meanismos criativos como pagamento em bônus, na visão de que esses investimentos não são despesas, criam riqueza nova que será o lastro dos bônus.
 
Sem um plano de infraestrutura de natureza estratégica o Brasil não terá a ÂNCORA de um novo ciclo de crescimento.
 
Todo o conjunto de mecanismos empresariais que seriam parceiros desse ciclo, as grandes empreiteiras nacionais, foram destruídas na Lava Jato, de modo que será preciso criar uma nova alternativa com construtoras e empreendedoras estrangeiras, o que exige liderança e a imagem do País, algo que deve ser cuidado com profissionalismo, o Brasil é um dos raros países do mundo que não tem campanha permanente de projeção do Pais na mídia estrangeira, não faz campanhas para atrair turismo e nem para interessar investidores, somos bem caipiras e toscos nesse campo. Lembro que um único seminário para atrair investidores para o Brasil realizado pelo Mario Garnerio em 1970 na Suíça, trouxe cerca de 300 novas firmas ao Brasil. Foi um sucesso e nunca mais se fez.

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