O Chile e a planilha do Ilan

Cunhei pela primeira vez a expressão “cabeça de planilha” me referindo à planilha do Ilan Goldfajn, diretor do Banco Central na gestão Armínio Fraga. Ilan é quem controlava as expectativas do mercado com sua planilha. Apesar de ser muito mais sofisticado que seu sucessor Affonso Bevilacqua, Ilan faz parte do time das análises seletivas – que, em cada modelo bem sucedido, só levanta os aspectos que interessam às suas teses.

No seu último artigo, no Estadão de terça (clique aqui) Ilan tece loas ao modelo econômico chileno. Ele menciona o sistema anti-cíclico do Chile, de economizar quando o cobre está em alta para gastar quando o cobre está em baixa. Mas há uma regra de ouro que impede aumentos permanentes de despesa em períodos de alta da arrecadação.

Sustenta que o regime tem se caracterizado por uma menor intervenção no mercado de câmbio. E aí mistura análise e ideologia:

“Não obstante, a taxa de câmbio não se tem apreciado mais que nos outros países da região. Isto reforça a convicção no país de que políticas mais intervencionistas não teriam tido eficácia em suavizar os movimentos de apreciação cambial. Mas a verdadeira razão para o comportamento do câmbio é que o Tesouro tem acumulado o excesso de arrecadação com as vendas de cobre num fundo externo”.

Ou seja, sustenta que o governo intervém menos no câmbio, e como não houve apreciação da moeda local, isso prova que políticas mais intervencionistas não são eficazes para controlar o câmbio.

Em seguida, no mesmo parágrafo, explica que “a verdadeira razão” para o comportamento do câmbio é que o Tesouro tem acumulado o excesso de arrecadação com as vendas de cobre num fundo externo. Quer mais intervencionismo que isso?

Não menciona que o cobre continua estatizado, que o governo fica com suas receitas para utilizar no fundo de estabilização. E que, a qualquer sinal de aumento da inflação, o BC aumenta as taxas de 4,25% para 4,5% — e não esses saltos mortais da política monetária brasileira.

Ilan acaba de sair da sociedade com Armínio Fraga na Gávea Investimentos. Ele está sendo preparado para presidir o Banco Central, em caso de vitória de Geraldo Alckmin. Em caso de vitória de Lula, fica o inefável Henrique Meirelles.

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