Próximos passos da Lava Jato cercam Dirceu

 
Jornal GGN – Mais um réu da Operação Lava Jato conquistou a liberdade em troca de fechar o acordo de delação premiada. Dessa vez, o lobista Fernando Moura, que foi preso na 17ª fase da Operação, juntamente com o ex-ministro José Dirceu. É o segundo acordo fomentado para incriminar Dirceu. 
 
Na última semana, o juiz Sergio Moro homologou a delação de João Antônio Bernardi Filho, ex-executivo da Odebrecht e representante da empresa Saipem, que foi assaltado quando levava a propina de R$ 100 mil em espécie para Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras. A tentativa de Moro acertar a colaboração de Bernardi datava desde junho. Pressionado, confessou a prática de crimes na Lava Jato para, em troca, responder o processo em liberdade.
 
O interesse de Sergio Moro nos depoimentos de João Antônio Bernardi Filho é fechar os elos que incriminam Renato Duque, supostamente indicado por José Dirceu ao cargo na estatal. Duque já foi acusado de cobrar propina e intermediar repasses ao PT e é denunciado pelos crimes de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro, ao favorecer a empresa italiana Saipem nas obras do gasoduto da Bacia de Santos. 
 
 
Já Moura é apontado pelo Ministério Público Federal como um dos principais cabeças de todo o esquema da Petrobras, por ter levado o nome de Duque ao ex-ministro. Estava preso há três meses, e também admitiu participação em crimes para acertar a redução de penas.
 
“Queremos mostrar que ele [José Dirceu] e Fernando Moura foram os agentes responsáveis pela instituição do esquema Petrobras desde o tempo do governo Lula. Desde aquela época [da indicação na estatal], passando pelo mensalão, pela condenação [do STF], pelo período em que ele ficou na prisão. Sempre com pagamentos. Esses são os motivos com os quais estão baseadas a prisão [de Dirceu]”, disse em coletiva de imprensa o procurador federal Carlos Fernando Lima, quando a 17ª fase foi deflagrada, no dia 3 de agosto.
 
Moura acertou em outubro o termo de colaboração e terá a pena reduzida. Para interessar o acordo às autoridades, admitiu que manteve ligações com petistas e afirmou que o PT recebia propina de fornecedores da Petrobras. Disse que Dirceu o aconselhou a morar fora do país quando o mensalão foi julgado pela Suprema Corte, e por isso se mudou para os Estados Unidos, onde permaneceu por um período.
 
 
Desde que o instrumento da delação premiada foi acusado pelas defesas que se tratava de uma forma de chantagear os investigados a admitirem os crimes em troca da liberdade, a equipe da força-tarefa da Lava Jato encabeçou uma campanha, contabilizando que a maioria das delações não ocorreu com delatores presos, mas soltos.
 
As delações de Fernando Moura e João Antônio Bernardi Filho, seguidas de suas liberdades, revelam que o acordo e a estratégia de pressão da Justiça Federal do Paraná têm um foco determinado. 
 
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