10 de junho de 2026

A estratégia de Fernando Pimentel em Minas Gerais, por Luis Nassif

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Mais importante eleição depois da presidencial – porque ali se disputa a sobrevivência do PSDB, como partido nacional, e do PT, caso seja derrotado na eleição federal – o jogo em Minas Gerais está assim.

O governador Fernando Pimentel (PT) enfrentou uma borrasca fiscal. Em parte, pela crise; mas, fundamentalmente, pelo estrago nas contas mineiras deixadas por seu antecessor Antônio Anastasia.

Na primeira parte da campanha, para o primeiro turno, a estratégia de Pimentel foi bater na imagem de bom gestor de Anastasia e de ligá-lo ao seu padrinho político Aécio Neves. Aparentemente, está conseguindo explorar bem as contradições de Anastasia.

Há um dolo fundamental em sua atuação política – além do padrinho Aécio. Sendo um dos personagens principais do impeachment de Dilma Rousseff – como relator no Senado do julgamento das pedaladas – Anastasia cometeu ilícitos fiscais muito mais facilmente enquadramos na categoria de crime, pela Lei Fiscal, do que as irregularidades administrativas de Dilma. Coube a ele extinguir o fundo previdenciário – montado por Itamar Franco para garantir o sistema de capitalização na aposentadoria dos novos funcionários públicos -, apropriando-se de R$ 3,5 bilhões da reserva matemática acumulada.

Em sua campanha, Pimentel expõe esses episódios e mostra-se vítima da perseguição do governo Michel Temer, além do calote da União em cima das restituições de ICMS devidas pela Lei Kandir.

Não basta para ganhar as eleições. O eleitor pode ficar solidário mas, na reta final, votará em quem der mais garantias de melhoria da sua vida. Afinal, com a dificuldade do cidadão médio em identificar relações de causa-e-efeito na economia, Anastasia era o que mantinha os salários em dia – ainda que à custa de jogar os passivos para o futuro – e Pimentel foi o que atrasou os pagamentos. E daqui para frente?

Aí entram o fator Fernando Haddad e Dilma Rousseff.

Caso Haddad vá para o segundo turno – como indicam as pesquisas -, Pimentel pegará carona na onda e terá um argumento imbatível de campanha: com a eleição de Haddad, cessará o boicote da União e poderá haver um encontro de contas aliviando a situação fiscal de Minas.

No caso de Dilma, na condição de candidata única do PT, ela possui um bom tempo de televisão. O tempo de Pimentel tem que ser utilizado para desconstruir o adversário, mas, principalmente, para apresentar suas propostas. Aliás, no 2º turno ele terá que se concentrar em mostrar como irá melhorar a vida dos mineiros.

Nos últimos dias do primeiro turno, Dilma seria a arma para a desconstrução de Anastasia. E Dilma tem o melhor dos argumentos: um gestor que cometeu crimes fiscais gravíssimos, plenamente caracterizados, foi seu algoz na condenação por meros atrasos na cobertura dos empréstimos bancários. No caso Anastasia, legou-se um enorme passivo: além dos déficits orçamentários, o passivo atuarial criado com o fim do fundo previdenciário; no caso das “pedaladas”, não se aumentou em um centavo a dívida fiscal, pois todos os encargos foram quitados antes do encerramento do ano fiscal.

Resta saber se Dilma se dispõe a cumprir essa tarefa sem se considerar diminuída.

 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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6 Comentários
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  1. sergior

    21 de setembro de 2018 1:28 am

    Se Dilma se lembrar da

    Se Dilma se lembrar da atuação de Pimentel na luta contra o golpe, irá fazer o mesmo que ele: ficar em casa vendo pela teve. Pimentel nada fez, durante seu governo, para desconstruir Aécio/Anastasia. Foi absolutamente fiel àquele que o traiu em 2010, quando esperava ser o candidato ao governo estadual após entregar a prefeitura de Belo Horizonte a um indicado de Aécio. Aliás, foi traído duas vezes nessa ocasião, pois Aécio ainda o impediu de ser senador, ao bancar a candidatura de Itamar, que só fez figuração para Perrela se tornar senador. Mas nenhuma das tantas questões de Aécio e de Anastasia durante os oito anos de governo em Minas foram suficientes para que o governo estadual de Pimentel, de alguma maneira, cobrasse judicialmente suas atitudes, a começar pela absurda construção da cidade administrativa. O que relata Nassif não foi levantado por Pimentel na defesa de Dilma. Ele poderia e deveria ter ido ao Congresso fazer a defesa pública de Dilma. Foi covarde. O principal denunciante dos malfeitos de Aécio e Anastasia, o jornalista Marco Aurélio Carone, até hoje não teve seus arquivos devolvidos pela polícia civil. Mais do que isso, Pimentel afastou o delegado que finalmente investigava as denúncias de Carone, como também viu calado o afastamento do promotor Eduardo Nepomuceno dos processos associados a Aécio e Anastasia.

    A grande saída para o PT mineiro e para Minas seria Dilma candidata ao governo. Ou, melhor ainda, Patrus. Mas seria demais exigir de Pimentel humildade e reconhecimento de seu fracasso como governador do segundo estado da federação.

  2. Tulio Magno Luiz de Oliveira

    21 de setembro de 2018 3:23 am

    Jogo sujo
    Pimentel e Anastasia, ambos são tão podres, que ao invés de preocuparem em ficar apresentar os próprios projetos, um fica atacando o outro. É triste ver que Minas ainda cogita uma eleição pra governador entre esses dois abutres.

  3. Luiz Fernando de Souza

    21 de setembro de 2018 12:07 pm

    Bom dia! Esclarecendo a

    Bom dia! Esclarecendo a questão dos salários. Eu trabalho na área da educação em Minas Gerais. É verdade que Aécio/Anastasia pagava no 5º dia últil, mas ficamos de 2003 a 2010 sem um centavo de aumento salarial. Entrou em vigor em 2011 o regime de subsídio, que incorporou todos os benefícios dos servidores; assim quem tinha 20 anos de carreira passou a receber praticamente o mesmo que um novato. E foram congeladas as promoções por escolaridade e progressões. Pimentel não tem pagado no 5º dia últil, mas em parcelas dentro do próprio mês, neste mês, por exemplo, a primeira parcela no valor de R$ 2.000,00 foi paga no 9º dia últil (13/09) e a 2ª parcela de R$ 1.000,00 no dia 20/09. Quem tem um salário acima de R$ 3.000,00 terá outra parcela ainda este mês. Pimentel deu um aumento no salário de 47% em cima do salário incorporado de Aécio/Anastasia, desgongelou as promoções e progressões, instituiu um adicional por tempo de serviço, aumentou o vale alimentação. Conheço servidores que hoje recebem mais do que o dobro do que recebia em dezembro de 2014. Desconheço outro patrão que tenha concedido um aumento de salário desse montante neste momento de crise.

  4. Igor Tkaczenko

    21 de setembro de 2018 12:25 pm

    Ultrapassando as fronteiras …

    Para mim, essa perspectiva do Anastasia, aquele que sendo relator do impeachment cometeu crimes realmente dolosos ao estado, enquanto Dilma não, essa comparação avança para além das causas mineira. Reflete o jogo sujo de forma geral com que a sintonia do golpe age e o PT deve explorar a nível nacional essa questão moral, sim. Pois é a mesma sobre a condenação do Lula, processo frágil, a prisão ilegal, não cederem o habeas corpus que dão aos outros e a cassada da candidatura pelo TSE, onde não deram o dieito ao artigo complementar da lei da ficha limpa como deram ao Garotinha e outros milhares. Explorar esses fatos em horário eleitoral, o modos operandi, fazer a população entender que isso é uma ameaça a qualquer um, à vida de qualquer cidadão, mesmo que não matem mais ou torturem, mas “eles” escolhem alguém e pimba! Sem nenhum processo realmente substancial, acabam com a vida de uma pessoa. A ameaça é real.

    Isso não dá voto? O que dá voto é a economia? Sim, mas quem falou que o PT não tem o que mostrar nesse campo? Tem é que juntar as duas perspectivas que, aliás, somam-se ao consenso de que a sabotagem política a partir de 2014 e o impeachment são fatores de entrave ao desenvolvimento econômico hoje, pois a intenção era mesmo essa: sabotar o país para derrubar um gopverno, sabotar as instituições, principalmente a instituição do voto.

    Fazer a população compreender o porque do valor moral do voto e o respeito a isso. É o que faço em sala de aula sobre análise filosófica do valor do voto, faço a partir da criação do voto simples por Clístenes na Grécia Antiga. Ao final, os alunos compreendem até onde o voto pode realmente chegar e representar.

    Essa discussão EDUCA o povo ao perceber a força e o valor abstrato do voto e que resulta efeitos na vida prática, pois desrespeitar os votos vencedores em uma democracia por viés tão superficial é tão perigoso quanto administrar o dinheiro mal, deixar de pagar salários e fazer a economia retroceder.

    Muito comum ouvir: “o voto não adianta”. É isso que temos que combater. É que está votando mal, sem critério, fazer entender o valor do voto e não que “não adianta nada”.

    Um erro que acredito e sempre repito sobre o PT, foi na comunicação, principalmente na educação política, na construção de culturas a partir do pleno entendimento de conceitos.

    Educar politcamente é tão precioso a um governo, a um líder, quanto administrar outras áreas.

  5. Juliano Santos

    21 de setembro de 2018 1:32 pm

    O PT perder em Minas não é

    O PT perder em Minas não é tão ruim quanto para o PSDB, Nassif. Elegerá uma penca de governadores no Nordeste e tem o político mais popular do país. Para os tucanos sim, com a quase certa derrota do Doria, Minas é o bote salva-vidas

  6. PedroAraujo

    21 de setembro de 2018 7:53 pm

    A peleja será resolvida no primeiro turno

    A análise só esqueceu de um ponto. A peleja está rumando pra ser resolvida no primeiro turno.

    A vantagem do Anastasia é de 10 pontos e como o Lacerda saiu da campanha…

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