Eleições e plebiscito revogatório Já, por Roberto Requião

Estamos sendo escravizados por um governo fraco que cede a toda e qualquer exigência do capital estrangeiro
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Marcos Oliveira/Agência Senado
 
Eleições e plebiscito revogatório Já
 
Por Roberto Requião
 
Para se mudar uma realidade, é preciso que a conheçamos em profundidade. A realidade do Brasil, hoje, que é exposta nas redes de televisão, nos jornais e nas rádios é terrível.  Mas ela não é uma realidade completa e fielmente representada por essa mídia.
         
A mídia presta serviços a setores da sociedade. A mídia está a serviço, dos banqueiros, do capital financeiro e dos rentistas. A mídia quer realizar uma involução no Brasil, em favor do livre mercado, do Estado Mínimo e do fim do Estado Social.
 
Vou dar um exemplo para deixar mais claro.
      
Temer dá uma entrevista à TV Bandeirantes, e durante esta entrevista diz, com todas as letras e absoluta clareza, que a ex-presidente Dilma foi cassada porque o PT se recusou a vender três votos favoráveis a Eduardo Cunha na Comissão de Ética.
         
Eduardo Cunha é velho conhecido e parceiro de Temer. Foi uma marionete do processo de impeachment, admitindo-o somente por terem negado sua absolvição, o que era esperado, visto se tratar de um notório criminoso. Cunha foi o principal instrumento do impeachment de Dilma Rousseff. 
          
Erros, complacência e autocomplacência com a corrupção, sem dúvida, existiram. E contaminaram profundamente o PT, PSDB, PP, PMDB e todos os demais partidos.
          
O famoso powerpoint do procurador Deltan Dallagnol, que apontava Lula como chefe maior da quadrilha, caiu no ridículo, pelo evidente exagero. Tal “análise” apontava o PSDB como agente moralizador da República. Entretanto, a lista de Fachin jogou por terra essa tese, visto que nomes como José Serra, Aécio Neves e outros líderes tucanos foram denunciados no mesmíssimo sistema de complacência e autocomplacência com a corrupção, tendo recebido recursos ilegalmente até mesmo no exterior.
          
Entendam. Não estou defendendo desvio algum, de nenhum partido, muito menos do PT, do qual sequer faço parte. Sou do velho MDB de guerra, não do PMDB de Eduardo Cunha, Moreira Franco, Padilha e mais.   Sou presidente do PMDB no Paraná, que se difere desse PMDB no poder da República, totalmente atolado na lama da Lava Jato.
          
Não sou cego. É nítido que a corrupção avançou, no Brasil, de maneira sistêmica, em todos os partidos e nos Três Poderes. E por trás dessa corrupção estão justamente os interesses do capital financeiro, que quer privatizar a saúde, a água, a educação e a nossa Petrobrás.
          
A Petrobrás é titular do petróleo nacional e descobridora do pré-sal. É um pilar do nosso desenvolvimento. Ela está sendo esquartejada e vendida na bacia das almas. Estamos sendo escravizados por um governo fraco que cede a toda e qualquer exigência do capital estrangeiro. Precisamos pôr um ponto final neste caos.
           
Para sair dessa enrascada, o ponto final são as eleições gerais. Eleição direta para a Presidência da República e para o Congresso Nacional, deputados e senadores, e um plebiscito revogatório, para que, massivamente, o povo e a nação brasileira digam NÃO a todas as medidas tomadas por um governo entreguista que serve única e
exclusivamente aos interesses do capital financeiro, em detrimento do trabalho e do capital produtivo do Brasil
            
Eleições diretas já, para presidente e para deputados e senadores. E plebiscito revogatório já.
 
 
 

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5 comentários

  1. eleições…

    Eleições e Plebiscito, agora Requião? Para salvar a pele de estrutura e politica corrompida? De uma farsa de Estado? Nossas reestruturações de cima para baixo, onde o povo é chamado para avalisar o que desconhecem? Este será o futuro do Brasil, a continuação do engodo fantasiado de democracia? Eleições e Plebiscito? Então para que uma tal Constituição Cidadã ainda cheirando a carro novo? Juvenis, amadores ou espertos demais, não compactuaram com o golpe no Governo Collor? Não defecaram sobre o plebiscito do desarmamento, o desfigurando? O Mundo deu voltas e aquela cusparada caiu na cabeça de quem mesmo? Theresa May no auge do governo, vencedora na restruturação do seu país, invocou novas eleições para ter sustentação pública para suas decisões. Aqui o povo é chamado para ser responsabilizado pelas desgraças causadas pela nossa disfarçada ditadura política. Mas para ser ditadura, só faltam as penas no burro…. 

  2. Lá vem o pobre Requião, voltando do outro lado do Rubicão…

    O encontro de requião com o juizeco de Curitiba deve ter-lhe afetado…ou pior, deve ter trazido à tona aquilo que já estava sedimentado dentro de si…

    Uai, haverá milagre que ungirá todo o arranjo estatal e representativo desse país para conferir a eleições gerais o dom de mudar tudo que ele descreveu como ruim?

    Ou melhor, eleições gerais vão mudar os interesses e táticas geopolítcas dos EUA e Europa, e permitir que esse país possa concluir, enfim, sua primeira revolução industrial?

    Pobre Requião…

    Ainda que mereça todo nosso respeito por sua notável resistência, faz coro com os néscios e cínicos…

    Eleições são uma bala de prata? Então não é de todo criminoso um juiz imaginar que ele seja a bala de prata, ou o parlamento se imaginar assim, ou qualquer outro arremedo de deus ex machina…

    Há um debate atual entre blogueiros, políticos, “especialistas de crises” (não é Nassif?) e comentaristas, onde o lugar comum é a constatação de que o sistema político implodiu, tendo com epicentro a ação do judiciário…

    Apesar de concordar com os efeitos do problema, discordo do diagnóstico…

    O que assistimos e sentimos na pele agora é só mais uma associação de classe (elite e judiciário, o que antes era elite e militares) para impedir que os sistemas representativos, incluindo aí até suas versões ilegais (irrigação de campanhas e mandatos por dinheiro empresarial), começassem a alterar, ainda que timidamente, a correlação de forças e o principal: a distribuição de renda e dos recursos do Estado, antes só disponíveis aos de sempre.

    Minha visão não é romanceada…Nem a minha, muito menos a de Requião, macaca velha nacional…

    O PT imaginou que saberia manobrar esse esquema, seja quando “convidou” o mp e o judiciário a participarem do seu esforço oposicionista nas décadas de 80 e 90, seja quando teve que governar com uma base hostil e sedenta…

    Requião sabe disso não por ouvir dizer, mas foi governador e sabe os acordos de “governabilidade” que teve que aturar…

    O PT imaginou que manipularia esses esquemas e foi engolido por eles…

    Mas a culpa não é só do PT…Nós todos sempre preferimos uma arrumaçãozinha a enfrentar uma secessão para impor um modelo vitorioso sobre os divergentes…

    Nos EUA, na década de 60 do século XIX, diante da encruzilhada entre tornarem-se o que são, ou continuarem a ser o que eram até virarem um Brasil do Norte, eles escolheram sangrar 600 mil pessoas…

    Lá eles sabem de cor e salteado os nomes de quem enforcavam os negros, apesar dos capuzes…

    Aqui, as madamas tratavam e ainda tratam suas escravas domésticas como “gente da família”, enquanto a polícia mata seus filhos e maridos aos montes, sob o olhar cúmplice da lei e da sociedade, afinal, “ninguém é morto à toa, devia estar devendo”…tudo sublimado…

    A bem da verdade, eu disse isso antes e vou repetir, correndo o risco de me tornar chato:

    Desde 1980, essa nova configuração de poder mundial vem sendo desenhada…

    A primeira versão da War on Drugs encaixou (e não por coincidência) como uma luva na nova política econômica que começava a tomar o mundo a partir do Consenso de Washington e da Escola de Chicago…

    A segurança pública, e claro, o judiciário se tornaram centrais como pilares da nova segregação racial e econômica de lá…

    Depois se tornaram centrais em todas as instâncias, e enfim, esse modelo se espalhou pelo mundo…classificação, vigilância e punição, lembra algo? Pois é…à benção Foucault…

    Pularam de 350 mil presos em 1980 para 3 milhões em 2016…25% dos presos do planeta em um país que detém apenas 5% da população mundial…

    Fomos na onda (como sempre!) com um trágico detalhe de adaptação: prendemos muito também (oscilamos entre a 8ª a 4ª população carcerária mundial), mas em escala menor, porque a outra parte que “sobra” nós matamos…

    Lá eles têm um capitalismo de escala que absorve bem (e como!) a mão de obra quase escrava gerada das prisões e pelo sistema judicial-penal com suas “condicionais” perpétuas…

    Foi assim no pós-29 e depois de cada crise de lá…

    Aqui não dá, então “passamos o rodo”…

    Ainda assim, os movimentos políticos anti-hegemônicos (de lá e de cá) não desistiram…

    Em 2000 veio a paulada final na ideia de casamento entre Democracia e capitalismo: a fraude pró-bush, bancada pelo conglomerado de mídia, associada ao complexo bélico-militar-financeiro, e tendo como ratificadores finais o legislativo e o judiciário, a despeito de milhões de votos (e olha que as regras de lá já são claramente anti-voto popular)…

    Foi o Senado (presidido por um “conformado” e roubado Al Gore) que de forma unânime, junto com a maioria da Suprema Corte, a qual parte dos integrantes foram cuidadosamente escolhidos por bush sênior, que definiram que o resultado da maior fraude da história daquele país era válida…

    Depois 11/09, crash de 2008 e o resto não precisamos repetir para constatarmos que os sistemas eleitorais perderam a sua pálida camada de representatividade…

    E esses fatos nem são tão inéditos, tendo como referência os EUA, nossa principal referência e matriz política:

    Na década de 50, um bando de loucos anticomunistas tomaram o poder de assalto nos EUA, intimidando a tudo e a todos a bordo do macartismo, deixando às instituições apenas as aparências de civilidade…e espalhando por suas franquias (como nós) a histeria anti-vermelha…em uma mão o porrete, na outra o livro-caixa…

    Hoover levou décadas a frente do FBI, como um poder acima de todos os poderes…

    Se olharmos de forma sistêmica, essa loucura fertilizou o ambiente para o assassinato de um presidente (JFK)…nem vou citar a morte de Martin Luther King…

    Em resumo:

     

    Os sistemas políticos controlaram ou funcionaram apenas quando galvanizavam a estrutura de poder vertical das elites sobre as demais classes…

     

    Todas as vezes, seja nos trópicos, seja na Alemanha de 30, seja nos EUA, em que o sistema político possibilitou uma configuração que ameaçasse, ainda que timidamente (como no Brasil) esse establishment, houve um golpe ou uma ruptura conservadora e violentíssima.

     

    O verdugo da vez é o judiciário…e uma coisa é verdade: pela sua natureza, é o mais perigoso deles…

    Então, caríssimo Requião, sua proposta é um solene colóquio flácido para embalar semoventes (ou, conversa para boi dormir)…

  3. Requião

    Admiro muito a cultura, os discursos lógicos e a postura de Requião no Sensdo.Mas para haver uma eleição direta teria que haver um movimento que viesse de baixo, do povo. Vamos esperer dia 28/04 e ver como o povo reagirá a greve geral.

  4. Greve Geral dia 28/4

    Pacificamente, o povo  brasileiro pode dar uma demonstração da sua repulsa ao golpe:

    Greve Geral dia 28/04 – próxima sexta-feira.

    Ou assumir a condição de servidão (a própria e a da família) e parar de resmungar.

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