Fátima Bezerra (PT) derrota oligarquias no Rio Grande do Norte

Única mulher eleita governadora em 2018, Fátima derrotou a oligarquia que ocupava o poder há 60 anos

Fátima Bezerra derrota oligarquia do RN

da Rede Brasil Atual

Fátima Bezerra (PT) derrota oligarquias no Rio Grande do Norte

Para o cientista político Homero Costa, da UFRN, governadora tem habilidade política e será base importante no enfrentamento aos retrocessos que virão com com as políticas de Jair Bolsonaro

por Cida de Oliveira, da RBA 

São Paulo – Ao receber 1.022.910 de votos (57,60% dos votos válidos) e derrotar o candidato Carlos Eduardo (PDT) na eleição para o governo do Rio Grande do Norte, a senadora Fátima Bezerra (PT-RN) colocou fim à oligarquia que se revezava no poder há praticamente seis décadas. 

“Este é o significado maior da vitória de Fátima”, avalia o cientista político e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Homero Costa. “A vitória é muito importante para o estado. Pela primeira vez, uma mulher de origem popular consegue derrotar as oligarquias do estado, que teve hegemonia nas sucessões para governador durante praticamente 60 anos”.

De acordo com Costa, desde que veio da Paraíba Fátima logo se integrou aos movimentos populares, de professores, foi dirigente sindical e se destacou como deputada estadual por dois mandatos (1995-2002). Exerceu mais três mandatos como deputada federal (2003-2014) até assumir uma cadeira no Senado. E como senadora, foi extremamente bem avaliada pelo povo potiguar, o que se expressou na sua liderança desde o inicio desta campanha eleitoral conforme as pesquisas eleitorais, que se confirmaram.

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O professor considera provável que a governadora recém-eleita encontre alguma resistência na Assembleia Legislativa, onde ela não tem maioria. “Mas ela tem grande habilidade política e o Legislativo, a exemplo de outros, está muito fragmentado, com representação de 15 partidos. O PT e a base aliada que a elegeu são minoria, mas com sua habilidade ela pode construir essa maioria. Tenho certeza de que ela vai conseguir fazer isso. Fátima dialoga bem, não é intolerante nem intransigente. Resta saber como vai se dar esse processo com a Assembleia”, disse o cientista político.

Outros grandes desafios estão relacionados a problemas em diversas áreas, como segurança, saúde e educação. “Acredito, porém, que ela terá toda condição e uma equipe qualificada para ajudá-la a governar o estado.”

Homero Costa lamenta a derrota do candidato do PT, Fernando Haddad, na disputa para a Presidência da República. Para ele, é uma grande tristeza ver tamanho projeto, vitorioso no Nordeste inteiro, sair derrotado no total das urnas. “No entanto, aqui houve uma grande alegria. E espero que seja um contraponto no processo da política nacional a atuação de Fátima e dos outros governadores nordestinos. E que suas bancadas possam, enfim, ser uma base de apoio para enfrentar os retrocessos que se anunciam.”

Mulheres

O movimento feminista também comemorou o resultado no Rio Grande do Norte. Única mulher a se eleger governadora em 2018, a professora eleita deputada estadual pela primeira vez em 1994 e que desde então teve uma trajetória bem avaliada na política é também referência para o movimento LGBT. 

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“Fátima é uma grande representante da mulher, negra, lésbica, com origem nos movimento trabalhista”, disse a ativista Cris Flor, integrante do Coletivo Autônomo Feminista Leila Diniz.

Segundo ela, a eleição de Jair Bolsonaro (PSL), que é conhecido principalmente pela perseguição a tudo o que Fátima Bezerra representa, não preocupa.

“As mulheres se sentem representadas. Ela tem o punho forte, tanto que quebrou a hegemonia da oligarquia que se instalou no governo do estado por tantos anos. Por isso acreditamos que, além da atenção que seu governo dará à educação, pela sua própria trajetória profissional, ela deverá contemplar também as demandas das mulheres e da comunidade LGBT”, disse Cris Flor.

Bancada substituída

Com a posse de Fátima no governo, a partir de 2019, o Senado perde uma integrante da bancada feminina, já sua cadeira será ocupada pelo suplente Jean-Paul Prates (PT). Prates, empresário ligado ao setor de energia, terá mais quatro anos de mandato pela frente, tendo agora como suplente Theodorico Bezerra Netto (PCdoB). 

Outros dois atuais senadores pelo estado também estarão fora. Garibaldi Alves (MDB) não se reelegeu e José Agripino Maia (DEM) renunciou para disputar, sem sucesso, eleição para deputado federal. Em seus lugares foram eleitoso capitão Styvenson Valentim (Rede) e a dra. Zenaide Maia (PHS).

 
 
 

 

2 comentários

  1. Sucesso à nova governadora

    Essa foi uma a unica alegria dessa noite de horrores e vai ser bem dificil para a senadora e nova governadora do RN governar com o Executivo nas mãos de outra gangue, mas sei que a senadora é uma lutadora aguerrida e vai lutar conosco.

  2. De fato, o RN sempre

    De fato, o RN sempre anti-petista em todas as últimas eleições, sobretudo a prefeito em 2016; em 2014 sendo dos estados mais alinhados com a campanha de Aécio, um desconhecido, enfim, foi agora uma lavagem das boas, deletando aqueles que sempre se sentiram os donos do Estado, sem nada, de importante fazerem pelo povo, a não ser olharem para os próprios umbigos, com a mão pesada nos nossos recursos, como aconteceu à construção da Arena das Dunas, superfaturada. Pelo menos Rosalba Ciarlini e Agripino Maia são dois arrolados nesse inquérito.

    Aloísio Alves foi governador pela primeira vez em 1962. Era, como todos da família, pessoas de classe média baixa, ou nem isso. Como num passe de mágica, toda a família foi ascendendo financeiramente, comprando rádios, televisões, gráficas, e tudo que viesse pela frente, sem que nenhum pudesse dizer que tanto dinheiro viesse de algum empreendimento próprio, ou de herança. Uma família vinda do Interior de angicos, como tantas, não dispunha de riquezas, mas ricos ficaram todos, a cada eleição se revesando entre vários partidos. 

    Aloísio não era brincadeira. Tem vídeo em que ele diz o que fazia contra quem o enfrentasse. Chegou a declarar sua brutalidade ao se dirigir aos conselheiros do TCE/RN, ao exigir que eles não ousassem reprovar suas contas. Era tão canalha que, por medo de ver Djalma Maranhão sair de prefeito a governador, pela sua popularidade, assumiu o papel de dedo-duro, ao levar o Comandante do Exército a prender Djalma, depois exilado no Uruguai, onde morreu de desgosto. Depois experimentou o gosto amargo da cassação, que chegou meio atrasada, mas chegou. 

    Foi legal essa eleição com Agripino, e tantos Alves derrotados pela primeira vez, numa só cajadada. Até Rogério Marinho, relator da Reforma Trabalhista, talvez por expressar mita antipatia de todos, perdeu. E já foi tarde. 

    Votei em Fátima, e espero que ela siga em frente com sua gana, sua raça, embora eu sei, e todos também, que com Bolsonaro na Presidência, a luta dela será muito difícil. Só uma guerreira para peitar os dias que estão por vir.

    Pra não dizer que todos os Alves foram derrotados, sobrou um, eleito a deputado federal em segundo mandato, que vem a ser neto de um dos figurões. Rapazola inexpressivo, como o é o filho de Róbinson Farias, que trai Lula, mas andou tentando aprovação dele ao visitá-lo na prisão. É tudo fairnha do mesmo saco.

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