Em Salvador, um grande projeto… sem negros

Por Marco Antonio L.

Do Observatório da Imprensa

Salvador sem negros, por Mauro Malin

O discurso é bem-intencionado, mas a realização, um ato falho: no caderno “Muito” de 25 de novembro, distribuído com o jornal A Tarde, de Salvador, em 4 de dezembro, como se fosse um brinde (foi atraso), a reportagem de capa, “A cidade dos homens”, apresenta o que jovens arquitetos projetam para “transformar Salvador em uma cidade mais confortável para seus habitantes”.

Salvador vive um dos momentos talvez mais críticos de sua história, com monumentais congestionamentos de trânsito. Prédios altíssimos brotam por todos os cantos, enquanto favelados resistem como podem ao seu lote habitual de infortúnios. A cidade não tem metrô e a política federal de incentivar a compra de automóveis faz a sua parte para transformar a “Boa Terra” em mais uma cidade maluca.

Mas não é disso que trata a matéria.

Entre outras histórias, conta a de projetos para humanizar locais hostis à presença de moradores da cidade. As ilustrações são perspectivas montadas em computador. Do arquiteto Adriano Mascarenhas, “ligação do Morro do Cristo à Praça de Ondina”. Do escritório Urban Recycle, uma remodelação da Praça Castro Alves.

Tudo muito bom, tudo muito bem.

Mas tem um problema: todos os personagens que figuram nos dois desenhos são brancos.

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