Gafisa, mais uma vítima do CEO genérico, por Luis Nassif

A crise da Gafisa é mais uma comprovação da praga que passou a dominar a gestão de grupos nacionais, um CEO sem conhecimento, de olho no caixa

A crise da Gafisa é mais uma comprovação da praga que passou a dominar a gestão dos grandes grupos nacionais, o CEO genérico, sem conhecimento maior do setor, trabalhando exclusivamente de olho no caixa.

A empresa já enfrentava problemas com desaquecimentos do mercado. Aí a gestão foi assumida pelo coreano Um Hak You, dono da gestora GWI. Já detinha participação de 38% na Gafisa e se valeu da crise da empresa para assumir o controle e a maior parte dos integrantes do Conselho de Administração. Depois, indicou Ana Maria Recart, uma executiva de mercado, que já havia trabalhado com ele na GWI, para a presidência executiva.

Recart impôs a receita padrão que já vitimou outras grandes empresas brasileiras. Enxugou a companhia, sem ter noção sobre a operação. Cancelou lançamento, mudou a sede, passou a
atrasar pagamentos para fornecedores, criando enorme ruído.
Para melhorar o caixa, passou a exigir entradas maiores dos compradores, condições muito piores de que a de seus concorrentes.

O plano foi um desastre. O resultado foi uma queda acentuada no caixa líquido, caindo de R$ 194 milhões no terceiro trimestre para R$ 137 milhões ao final de 2018. Segundo o balancete, dos R$ 889 milhões em dívidas, 39% vencem até o final do ano.

You acabou saindo da companhia, vendendo suas ações e reduzindo sua participação a 5%. A maior acionista da empresa terminou sendo a Planner, corretora que intermediava as ações da
GWI.

A executiva genérica foi demitida e o novo conselho indicou para seu lugar Roberto Portella, que deverá conduzir o plano de reestruturação.

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6 comentários

  1. O CEO de mercado é movido apenas por uma meta, a margem EBITDA. Começa dando resultados e se a empresa não for vendida rapidamente irá quebrar fatalmente. Busca o ganho não no objeto social e sim na valorização de mercado. Poucos ganham e muitos perdem quando bancos ou fundos administram empresas operacionais.

  2. Uma empresa nunca deve fugir do seu objetivo social, ou dos fatores operacionais da empresa.

    Deve prestar atenção na sua identidade e direcionar seu foco, seu objetivo, sua energia na
    sua excelência de forma a operar para ter resultados financeiros e crescimento. Obviamente, de olho na conjuntara política e econômica do momento, do mercado e do governo.

  3. Quando me lembro da destruição promovida pela Gomes Almeida Fernandes (vamos dar nome aos bois) aí no Rio, sinto a tristeza enorme, e fico até achando bom.

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