O Brasil só sabe jogar oportunidades fora, por Gustavo Adolfo Medeiros

Desde a derrocada de Barão de Mauá, passando pela destruição da indústria por conta da Lava-jato, o Brasil só sabe jogar oportunidades fora.

Léo Ramos Chaves - Revista Fapesp

O Brasil só sabe jogar oportunidades fora

por Gustavo Adolfo Medeiros

Nassif,

Eu nem consegui ver passar do começo sobre o vídeo em que fala que o Brasil perdeu o bonde da história. Vou ver se vejo o vídeo quando eu tiver coragem. Não sei se o vídeo fala que o Brasil foi contemporâneo com os EUA na fibra ótica, pelo menos é o que eu ouvi falar.

Mas deixa eu contar uma experiência pessoal. Há 20 anos atrás, eu trabalhava como engenheiro de Telecom na Telemar. Eu era um engenheiro responsável por implantação de equipamento que acessava a internet por voz no telefone chamado “Vocal”, equipamento que acho que era alemão. Não lembro exatamente a estação, mas acho que era na cidade do Rio. Eu e um técnico da Siemens tentamos e tentamos instalar esse equipamento. Mas ele dependia da conexão com a central telefônica. Por telefone, o supervisor responsável pelas centrais insistia que o problema era do nosso equipamento e não deles, o sujeito já estava irritado. Nosso medo é que o pessoal da central fosse embora sem a gente instalar máquina. Nenhuma central funcionava, japonesa, sueca etc. ficamos horas trabalhando nisso sem que o técnico encontrasse nenhum defeito no equipamento e o supervisor continuava insistindo que o problema era nosso.

Aí, insisti em testar com a Central “Trópico” desenvolvida aqui no Brasil. O supervisor indignado disse que iria testar só para provar que eu estava errado. Fui no banheiro urinar, estava muito tenso, se desse errado, meu pescoço estava a prêmio por voltar sem uma solução. De repente, o técnico grita comemorando e eu interrompo meu xixi para comemorar. Depois de comemorarmos, o técnico lembrou: “você nem lavou as mãos”. E não tinha, na pressa de comemorar. Eu só queria ilustrar que as centrais que sempre funcionavam comigo era das centrais da Alemã Siemens e da Brasileira Trópico. Nunca me deixaram na mão. Depois eu soube que a central desenvolvida no Brasil era uma das melhores mesmo, se não for a melhor. Desde a derrocada de Barão de Mauá, passando pela destruição da indústria por conta da Lava-jato, o Brasil só sabe jogar oportunidades fora.

Veja abaixo o vídeo citado no artigo.

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