O preço da divisão interna da Ucrânia

Enviado por Jorge Nogueira Rebolla

Ucrânia: o preço da divisão interna

Artigo escrito por Jack F. Matlock, no seu blog. Antigo embaixador americano na Checoslováquia (1981-1983) e na URSS (1987-1991), em ambos os postos nomeado pelo presidente Ronald Reagan.

Com todas as notícias que chegam da Ucrânia, de Moscou, de Washington e das capitais europeias com acusações mútuas, especulações irrefletidas e não menos importante, a linguagem histérica de alguns observadores, na fronteira do apocalíptico, é difícil se concentrar nas implicações a longo prazo do que está ocorrendo. No entanto, não acredito que ninguém possa compreender os resultados prováveis do que está acontecendo, a menos que tenha em mente os aspectos históricos, geográficos, políticos e psicológicos deste dramático evento. O ponto de vista da maioria dos meios de comunicação, seja russo ou ocidental, parece que um lado ou o outro vai “ganhar” ou “perder” a Ucrânia.

Acredito que isto está fundamentalmente errado. Se fosse ucraniano gostaria de ecoar as palavras imortais de Pogo, do falecido Walt Kelly: “Nós encontramos o inimigo e ele somos nós.” O fato é que a Ucrânia é um Estado, mas não uma nação. Nos 22 anos, desde a sua independência, ainda não encontrou um líder capaz de unir os seus cidadãos num conceito partilhado de identidade ucraniana.  Sim, a Rússia tem interferido, mas a desunião ucraniana não é causada pela ingerência russa. Não foi esta interferência que criou a desunião, mas sim a forma como o país foi montado a partir de peças incompatíveis entre si. A esta falha no início da Ucrânia independente devemos adicionar os efeitos maléficos da herança do comunismo soviético, também partilhada pela Rússia.
Um segundo erro que as pessoas cometem é supor que quando um governo adota uma política específica ela está de acordo com os verdadeiros interesses do país. Na verdade, muitas vezes, as políticas são decididas no calor da emoção, por líderes que se sentem pessoalmente desafiados pelos adversários. Estas são mais propensas a serem contraproducentes para os reais interesses de uma nação. Os líderes políticos não são computadores pesando os custos e os benefícios, ou os riscos e recompensas de forma objetiva. São seres humanos com todas as suas fraquezas, incluindo a vaidade, o orgulho e a necessidade de manter a aparência qualquer que seja a realidade.

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Noções básicas:

1) O território da Ucrânia não foi estabelecido pelos ucranianos, mas por pessoas de fora, e tomou a atual forma após o final da II Guerra Mundial. É absurdo pensar nele como originário ou tradicional. Isto se aplica a princípio às duas mais recentes adições territoriais. Áreas do leste da Polônia e da Checoslováquia entre guerras anexadas por Stalin e a Crimeia de língua russa (Em grande parte.), transferida por Nikita Khrushchov, quando controlava o Partido Comunista da União Soviética. Como todas as partes constituintes da URSS eram governadas a partir de Moscou parecia na época uma transferência de papel, sem significado prático. (Mesmo assim a cidade de Sebastopol, sede da frota do Mar Negro, estava subordinada diretamente a Moscou e não a Kiev.) Até então a Crimeia era considerada parte integrante da Rússia desde a conquista por Catarina, a Grande, no Século XVIII.

2) Um aglomerado de pessoas com experiências históricas muito diferentes e várias línguas, embora relacionadas, está na base da divisão atual. Esta divisão no entanto não é clara, como por exemplo, entre os Checos e Eslovacos, que fizeram uma separação pacífica. Se alguém considera a Galícia e as províncias vizinhas, a oeste, por um lado, e Donbass e a Crimeia, no leste e sul, por outro, verá que as áreas entre elas são misturadas, com as tradições alterando-se gradualmente a partir de um lado para o outro. Não existe uma linha divisória clara e Kiev pode ser reivindicada por ambos os lados.

3) Devido a sua história, localização geográfica e os laços naturais e econômicos construidos não há como a Ucrânia ser um país próspero, saudável ou unido a menos que tenha uma relação amigável com a Rússia, ou ao menos não antagônica.

4) A Rússia, como qualquer outro país, é extremamente sensível em relação às atividades militares estrangeiras adjacentes a sua fronteira. Ela sinalizou repetidas vezes que fará de tudo para impedir a adesão da Ucrânia à OTAN. (Na verdade a maioria dos ucranianos não quer isto.) No entanto a entrada da Ucrânia na Otan era um objetivo declarado da administração Bush-Cheney e não foi categoricamente abandonado pela administração Obama.

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5) A sensata liderança russa (algo que não mais se pode assumir sobre a sensatez da liderança dos EUA e da Europa) poderia tolerar a modernização dos sistemas econômico e político da Ucrânia em cooperação com a União Européia, desde que: isto não seja visto numa base antirrussa; que os cidadãos de língua russa tenham garantida a igualdade social, cultural e linguística com os de língua ucraniana e, o mais importante, que uma integração econômica gradual  com a União Europeia não transforme a Ucrânia num membro da OTAN.

6) Até agora os nacionalistas ucranianos do oeste não estão dispostos a admitir nenhuma dessas condições, e os Estados Unidos seja incentivando ou tolerando atitudes e políticas fizeram-se anátema para Moscou. Isto é tremendamente injusto, mas é um fato.

Então onde isto nos deixa? Alguns pensamentos aleatórios:

A) Foi um erro de todas as partes, seja de dentro da Ucrânia ou de fora, tratar esta crise como uma disputa pelo controle da Ucrânia.

B) Obama foi mal aconselhado no “aviso” a Putin. Qualquer que seja a pequena esperança de evitar uma intervenção militar ostensiva da Rússia desapareceu quando Obama atirou a luva e desafiou. Não foi apenas um erro de julgamento político, foi um fracasso para compreender a psicologia Humana, a não ser, é claro, que ele queria realmente uma intervenção russa, o que é difícil para eu acreditar.

C) Neste momento, pelo menos para mim, não está clara qual é a intenção final russa. Não acredito que seja do interesse da Rússia dividir a Ucrânia, embora possam separar a Crimeia, caso o façam provavelmente terão o apoio da maioria dos seus habitantes. Eles podem simplesmente desejar fortalecer a posição dos seus aliados no leste ucraniano nas negociações sobre a nova estrutura de poder. No mínimo eles estão sinalizando que não serão dissuadidos pelos Estados Unidos ao fazerem o que consideram necessário para protegerem os seus interesses na região.

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D) A Ucrânia já está de fato fragmentada, com grupos diferentes nos comandos das várias províncias. Se houver esperança para reuni-los novamente deve existir cooperação de todas as partes, formando uma coalizão minimamente aceitável para a Rússia e os cidadãos ucranianos de língua russa, do sul e do leste. Uma federação com governadores eleitos localmente e não nomeados pelo presidente ou primeiro-ministro (O vencedor leva tudo.) será essencial. Autonomia real para a Crimeia também será necessária.

E) Muitas questões importantes permanecem. Uma diz respeito ao conceito de “Integridade Territorial”. Sim, isso é importante, mas não é o único princípio a ser considerado. Os russos argumentam, com alguma substância, que os EUA interessam-se pela integridade territorial apenas quando os seus interesses são atendidos. O governo americano possui um histórico de ignorá-la quando é conveniente. Ele e os seus aliados da OTAN violaram a integridade territorial da Sérvia, criando e, em seguida, reconhecendo a independência do Kosovo. Além disso deu apoio a separação do Sudão do Sul do Sudão, da Eritreia da Etiópia e do Timor Leste da Indonésia.

Na medida da preocupação sobre a violação da soberania, a Rússia recorda que os EUA invadiram o Panamá para prenderem Noriega; invadiram Granada para evitarem que cidadãos americanos fossem feitos reféns (Mesmo que eles não tenham sido tomados como reféns.); invadiram o Iraque com motivos espúrios, Saddam Hussein não possuía armas de destruição em massa; utilizam drones para atingirem pessoas em outros países, etc. Em outras palavras, os EUA pregarem para o presidente russo o respeito pela soberania e pela integridade territorial pode parecer uma reivindicação de direitos especiais não permitido aos outros.

Ukraine: The Price of Internal Division

Biografia de Jack F. Matlock Jr.

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3 comentários

  1. Por dentro da cabeça de

    Por dentro da cabeça de Putin: como a cultura delineia o que se passa na Ucrânia

     

    por Maria Snegovaya

    Enquanto a crise na Crimeia continua sua escalada da violência, os analistas ocidentais buscam desculpas para explicar como eles erraram tanto em suas previsões. O problema é que esses acadêmicos, usando seus modelos da escolha racional, esqueceram que os objetivos escolhidos pelos atores são culturalmente delineados. Por que tão poucos analistas conseguiram prever a invasão? Pelo fato deles acreditarem que os principais objetivos do presidente russo Vladimir Putin são aumentar a integração russa com o mundo e aumentar seu poder econômico. Não seria essa, de fato, a única coisa racional a ser feita? Acontece que não é assim que Putin vê a situação.

    A bibliografia recente sobre Putin corretamente chama a atenção para suas visões imperialistas pró-soviéticas. Lembre-se que, para Putin, o colapso da URSS foi a maior catástrofe geopolítica do século XX. Mas quais as implicações políticas de sua visão de mundo pró-soviética é algo que ainda é pouco compreendido.

    Para começar a fazê-lo, o analista deve verificar quais são os livros de cabeceira de Putin. A biblioteca do presidente incluiu diversos filósofos nacionalistas russos do começo do século XX – Berdyaev, Solovyev, Ilyin – a quem ele frequentemente cita nos seus discursos públicos. Além disso, recentemente o Kremlin determinou que os governadores regionais devem ler as obras desses filósofos durante as férias de inverno de 2014. Os principais argumentos desses autores são que a Russia tem um papel messiânico na história mundial, que as fronteiras históricas da Russia devem ser preservadas e restauradas e que existe uma ligação fundamental entre a identidade russa e a Igreja Ortodoxa. Uma passagem de Ilyn vai ajudar a entender tais objetivos:

    Aceitemos de antemão que a partilha da Rússia preparada pela comunidade internacional não tem qualquer razão de ser, ou quaisquer considerações políticas ou espirituais – salvo a demagogia revolucionária, um medo absurdo de uma Rússia unificada e a total aversão à monarquia russa e à Igreja Ortodoxa. Nós sabemos que as nações ocidentais não entendem ou toleram a identidade russa. Eles vão dividir a grande árvore da Rússia unificada em pequenos ramos para poder quebrá-los, um por um, ao tentar reacender a luz oscilante de suas civilizações. Eles precisam da partilha da Rússia para igualá-la ao Ocidente, e depois destruí-la: um plano de ódio e ganância de poder. (Ivan Ilyin, 1950, ‘What Does Russia’s Partitioning Mean to the World?’)

    Esse pensamento é muito similar ao delineado por outro dos autores favoritos de Putin, que segundo rumores era muito popular dentre seu primeiro escalão: “O Terceiro Império: a Rússia do devir”, de Michael Yuriev. Trata-se de um romance utópico escrito como um livro de história da perspectiva de um narrador latino-americano no ano 2054.

    O livro descreve como o cenário político de 2054 emergiu – e o processo guarda grande semelhança com os eventos contemporâneos na Ucrânia. Tudo começa com um período de aggiornamento entre 2000-2012, quando a Grande Rússia começa a ressurgir sob a liderança de Vladimir II, o Restaurador.  No livro, a Primeira Expansão da Nova Rússia ocorre quando as regiões Sul e Leste da Ucrânia se rebelam contra a Revolução Laranja, apoiada pelo Ocidente. Para ajudar os rebeldes ucranianos (que querem voltar a fazer parte da Rússia), Vladimir II oferece a possibilidade deles secederem da Ucrânia e tornarem-se parte da Rússia. Ele então leva a cabo um referendo nesses territórios e substitui a Federação da Rússia pela União Russa (uma União Aduaneira) que também incluiria a Bielorússia, Transnístria, Cazaquistão, Turcomenistão, Ossétia do Sul e Abcázia. Note que o livro foi publicado em 2006 (antes, portanto, da Guerra da Geórgia que culminaria na anexação de facto da Ossétia do Sul e Abcázia).

    Ao que parece, o Presidente bielorruso Alexander Lukashenko também leu o livro, a julgar por sua pressa em retomar de imediato as negociações bilaterais com a União Europeia. Como o livro termina cabe ao leitor descobrir – eu não vou revelar nenhum spoiler aqui. Mas por mais difícil que seja acreditar na trama (por sinal, a invasão da Ucrânia parecia mais crível do que isso há uma semana atrás?), o livro nos traz bons insights sobre a psicologia de Vladimir Putin.

    Pode parecer improvável, mas isso é exatamente o que o grande cientista político de Harvard Samuel Huntington previu em seu livro “O Choque de Civilizações”: alianças e guerras delineadas pelas distintas civilizações – Ocidental, Islâmica, Chinesa, Ortodoxa/Russa, etc. Note que a unidade Ortodoxa/Russa foi restaurada na Rússia. Em resposta ao chamado da Igreja Ortodoxa Ucraniana para que as tropas russas não avancem, neste sábado um representante da Igreja Ortodoxa Russa sugeriu que os ucranianos não deveriam resistir aos militares russos que objetivam “manter a paz”. A missão deles, como sublinhado, é a de “restaurar a histórica unidade russa”.

    Isso ajuda a compreender o porquê dos analistas ocidentais continuarem a fazer uma leitura errada das motivações de Putin. Sua realidade é bem distinta da realidade na qual vivem tais analistas. Seu objetivo primordial é “restaurar os territórios históricos da Rússia” (qual dais versões específicas da Rússia história ele tem em mente é algo que descobriremos nos próximos capítulos). A parte mais triste de toda essa história é que a maior parte dos russos – influenciados pela mídia controlada pelo Kremlin – apoia as ações de seu presidente. Como demonstra a mais recente pesquisa de opinião do Levada-Center, uma parte substancial dos russos acha que os eventos em Kiev foram uma tentativa violenta de um golpe de estado (43%) e que os acontecimentos foram orquestrados pelo Ocidente para trazer a Ucrânia para sua órbita de influência (45%). Esses dados revelam que o conceito de choque cultural está sedimentado na mente dos russos.

    Mas há também boas novas. A Ucrânia está, na verdade, muito menos dividida entre fronteiras Leste-Oeste do que o Kremlin gostaria que os outros pensassem. Durante o ápice dos protestos, o acampamento dos Maidan (os manifestantes contrários ao antigo governo ucraniano) em Kiev tinha barracas de toda a Ucrância.

    Como indicam as estatísticas de mortes dos conflitos, os mortos durante a repressão policial comandada pelo Presidente Victor Yanukovych eram de distintas regiões da Ucrânia, inclusive as regiões orientais: Kharkov, Dnepropetrovsk, Zaporozhe e mesmo a região de origem de Yanukovych – Donetsk. Ourtas pesquisas mostram que 88% dos manifestantes vinham de fora da capital. Dentre estes, somente metade vinha das regiões ocidentais, enquanto a outra metade vinha das regiões central e oriental. Mais de 20% dos Maidan vinham da Ucrânia Oriental. Quanto à população da capital, mais de três quartos dos residentes apoiavam os manifestantes. Se há qualquer tendência, os dados mostram um consenso – e não um cisma – entre a população ucraniana.

    Ademais, os dados do país como um todo também rechaçam a ideia de uma divisão cultural na Ucrânia. Uma pesquisa do Centro Razumkov mostra que ao fim de 2013 a maioria absoluta da população tanto na região central (dois terços) quanto na região ocidental (80%) da Ucrânia apoiavam os Maidan – o que, de fato, contrasta com 20% a 30% de apoio no Leste e Sul do país. Entretanto, a parcela da população que não expressou apoio aos Maidan continua indecisa quanto à alternativa. Não apoiar os Maidan não é equivalente a apoiar a Rússia ou Yanukovych. Isso pode ser visualizado pela opinião deles quanto aos Antimaidan (uma série de protestos pró-Yanukovych iniciado pelo governo em resposta aos Maidan). Somente uma minoria de ucranianos tomou parte nestes protestos (0,7% a 3%, a depender da região) e as reivindicações dos Antimaidan não tinham amplo apoio em nenhuma das regiões.

    Contudo, preocupações quanto a tensões regionais ainda são plausíveis, dada a preponderência de uma mídia amplamente pró-Rússia nas regiões orientais russófonas. Durante os protestos, essa mídia sublinhou ativamente a narrativa do cisma cultural.

    Na realidade, tal cisma se restringe à Ucrânia oriental – se tanto. De início, a própria base de Yanukovych (tipicamente composta de orientais) se encontrava dividida entre as opções de associação à Rússia ou à União Europeia – e mesmo sua região natal demonstrou atípicos sinais de pró-europeísmo. Mas Putin não conhece ou não acredita nesses dados – vez que, em sua percepção, elas tendem a “não ser confiáveis”, já que essas pesquisas são originárias de ONGs “financiadas pelo Ocidente”. Por tal motivo, a conquista pela restauração da Rússia histórica deve continuar num futuro imediato na Ucrânia Oriental. O Choque de Civilizações apenas começou – nem que seja, ao menos, na cabeça de Putin.

     

    Maria Snegovaya é doutoranda em Ciência Política pela Universidade Columbia e economista pela Escola de Superior de Economia de Moscou. Ela trabalhou para a Freedom House e para o Cato Institute

    Traduzido por Carlos Góes.

  2. Erro de cálculo.

    O problema dos “amigos”  pró-ocidente é que Sevastopol é muiiito longe de Kiev. Putin não brinca em serviço.

    É para aqueles que falam que a guerra fria acabou, dá para explicar por que as mesmas estratégias de contenção daquela época, ainda são as preferidas pelos que (mau) aconselham Obama?

    – Nenhum inimigo é pior do que um mau conselho. –   Sófocles

  3. Até que enfim

     Uma analise que presta sobre a Ucrania, suscinta, crivel, de quem entende como funciona o mundo alem das barrancas do Reno – Danubio.

      Tinha que ter vindo de um “republicano”, conservador, anti-comunista – mas não burro, como os atuais funcionários do DoSTate americano, se com Bush e Reagan, faziam as “operações” sabendo o que estavam fazendo, com Obama/Kerry/H.Clinton, o DoS degringolou de vez – não protagoniza, não transcende, não pensa, é levado a crises não suas e as paga, os europeus “armam” o barraco – sobra para os Estados Unidos.

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