A poucos dias das eleições, candidatos viram mira da Justiça

Marconi Perillo e Beto Richa – Foto: Humberto Silva/Imprensa Goiás
 
Jornal GGN – A legislação eleitoral estabelece uma série de determinações que visam impedir perseguições políticas a eleitorado e candidatos em momentos prévios às eleições. E, apesar de remeter à época do coronelismo e República Velha, apesar de sutil, a prática ainda ocorre no país.
 
Alguns casos recentes de investigados por possíveis crimes cometidos, mas que então não haviam sofrido nenhum tipo de medida judicial até faltar poucos dias para a população ir às urnas, levam a essa interpretação. 
 
O primeiro deles foi a prisão do ex-governador do Paraná e então candidato ao Senado, Beto Richa (PSDB). O tucano foi alvo de acusações de um empresário ainda em 2013, mas somente a um mês para as eleições, ele foi preso como desdobramento das investigações.
 
O empresário Antônio Celso Garcia, conhecido como Tony Garcia, gravou conversas com Beto Richa ainda em 2013 e deu origem a atual investigação, na Operação Rádio Patrulha, comandada pelo Ministério Público do Paraná, gerando a sua denúncia e prisão.
 
A acusação é de fraude em licitação para implementar “patrulhas mecanizadas” no estado do Paraná para beneficiar três empresas e Richa receberia uma porcentagem do ganho dessas empresas. De acordo com os promotores, o Estado do Paraná teria pago mais de R$ 100 milhões, e a propina destinada a empresários teria sido de 8%, ou seja, mais de R$ 8 milhões.
 
E, concomitantemente a essas investigações, o juiz da Lava Jato em Curitiba, Sérgio Moro, também determinou buscas e apreensões no apartamento do tucano e na sede do governo do Paraná. Era outra investigação, um desdobramento da Lava Jato, chamada de Operação Piloto.
 
Apesar de Beto Richa ter sido libertado por uma decisão liminar do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prisão se deu a poucos dias antes da data limite estabelecida pela própria legislação eleitoral sobre prisões contra candidatos.
 
O Código Eleitoral determina que os candidatos a um cargo eletivo só poderiam ser presos até o dia 22 de setembro, ou poucos dias depois da prisão do tucano [Entenda como funciona aqui].
 
Acontece que os avanços das investigações contra o ex-governador seguiram. Nesta quarta-feira (26), por exemplo, o irmão de Beto Richa, José Richa Filho, que atuou como secretário de Infraestrutura e Logística durante a gestão do irmão, foi preso pela Lava Jato. 
 
Sem ser por obra do acaso, a última pesquisa do Ibope divulgada no dia seguinte, quinta-feira (27), mostra que o tucano perdeu 11 pontos percentuais na disputa ao Senado pelo Estado, favorecendo o candidato que está logo atrás, Flávio Arns (Rede), com 16%. 
 
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O caso de Richa não é o único. Também o ex-governador e agora candidato ao Senado, Marconi Perillo (PSDB), e o candidato ao governo, José Eliton (PSDB), foram alvo de uma ação da Polícia Federal nesta sexta-feira (28), em Goiás.
 
Os investigadores cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Perillo, e foi além. A investigação tem como mira supostos repasses indevidos a agentes públicos no Estado, com base nas delações premiadas da Odebrecht. Mas a PF prendeu o coordenador de campanha do atual governador tucano e candidato à reeleição.
 
Em resposta, a campanha de Eliton à reeleição disse que a investigação “não tem relação com o atual momento eleitoral” e que, por isso, não há como atestar a credibilidade da prisão. “Sobre a operação deflagrada hoje convém salientarmos que os fatos em apuração não possuem qualquer vinculação com a nossa campanha”, disse a campanha.
 
Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão e 5 de prisão temporária, autorizados pela 11ª Vara de Justiça Federal em Goiás nas cidades de Aparecida de Goiânia, Pirenópolis e Aruanã, em Goiás, e em Campinas e São Paulo.
 
Perillo detinha 29% das intenções de voto ao Senado por seu estado, de acordo com o Ibope do dia 21 de setembro. Já o tucano Eliton marcava 13% das intenções de voto para a reeleição, empatado tecnicamente com Daniel Vilela (MDB) para um possível segundo turno contra o líder das pesquisas, Ronaldo Caiado (DEM), com 47%.
 
 
 

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