Zelotes e Roberto Gianetti da Fonseca, por Luis Nassif

Foto Jornal Expresso-CE

Não convence as acusações contra Roberto Gianetti da Fonseca no caso Zelotes. Gianetti foi acusado de ter comprado votos de conselheiros do CARF em um julgamento envolvendo uma autuação contra a Paranapanema.

Do que saiu até agora, não vi nada que indicasse compra de conselheiros do CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). Se a Zelotes tem, não mostrou. Se seguiu a máxima atual, de atirar primeiro e perguntar depois, exorbitou.

Gianetti é especialista em comércio exterior. Toda sua carreira foi feita nessa área. E a área enfrenta confusões fiscais, com Lei Kandir e as interpretações sobre formas de desoneração das exportações.

Há tempos, Gianetti vinha trabalhando, com taxa de sucesso, para resolver problemas de grandes grupos exportadores junto à Receita e ao próprio Supremo. E taxa de sucesso de 1,5% é adequado para uma consultoria, e está muito aquém de tudo o que se conhece sobre os grandes sistemas de propinas.

Segundo as denúncias, subcontratou o escritório do filho de Lita Spíndola, uma das grandes especialistas no setor. Lita e filhos já andaram envolvidos em outros episódios polêmicos. Mas não há nenhuma indicação, nos e-mails e grampos, de que Roberto o tivesse contratado para dar propinas aos conselheiros. Ter bom acesso a conselheiros é um trunfo, sim, e não está necessariamente ligado a esquemas de corrupção. Para saber se há corrupção, tem que se comprovar. De tudo o que saiu até agora, fica-se sabendo que Gianetti pagou ao filho de Lita por trabalho realizado.

Mistura-se esse caso com outro, que ocorreu após o julgamento, de uma portaria do MDIC visando esclarecer pontos na questão fiscal das exportações. Gianetti teria contratado os serviços de uma ex-presidente do CARF, quando esta não ocupava mais cargo na instituição. Se já não ocupava o cargo, se conhecia bem os temas, já que presidiu o próprio CARF, se a contratação ocorreu após o julgamento da Paranapanema no CARF, se a portaria visava resolver uma dúvida de caráter geral do comércio exterior, onde o dolo?

Há tempos Gianetti se tornou o principal representante do comércio exterior na FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na Camex (Câmara do Comércio Exterior) e em entidades privadas, como a LIDE. Pretender criminalizar sua atuação e todos os contatos que tinha em Brasília é avançar muito além dos indícios.

 

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12 comentários

  1. Pois é,

    ele pode até ser inocente, mas quando era só o pessoal da esquerda que a organização fascista lava jato perseguia, desse pessoal agora “vítima” dessa sanha fascista só tinha silêncio ou risadinha de canto de boca. Pois é Nassif, quantas vezes, aqui nesse espaço DEMOCRÁTICO, você alertou para a necessidade das forças democráticas (não importava o viés ideológico) levantar a vóz contra o estado de exceção que, aos poucos, devorava o Brasil. Você foi profético.

  2. O pior é que um consultor de

    O pior é que um consultor de alto nivel tem como unico capital a reputação, quando o escracho atinge um profissional decreta-se tambem uma agressão economica Seria perfeitamente possivel uma investigação sob sigilo para apurar os mesmos fatos, o vazamento não faz parte da investigação, é um ato politico praticado com a conivencia da midia com prejuizos irreparaveis.

    • Questão de ordem

      Giannetti e Delfim Neto, duas figuras refrenciais há décadas, Delfim recentemente sofreu condução coercitiva. Essas pessoas construíram relações ao longo do tempo, foram ou são poderosas, no entanto todos se calaram, fora as exceç]oes de praxe. No caso do Giannetti, quem saiu em defesa até agora foi o Nassif e o Bresser-Pereira; no caso Delfim, só o Nassif, o Quixote solitário. O poderoso Delfim, oráculo a quem todos recorriam ao longo de décadas. Cadê os amigos? Acovardados? Com medo de se envolver e despertar a ira do todo poderoso Judiciário? Assistem tudo de longe inertes? Esquecem que amanhã serão eles a serem jogados igualmente na lama? 

      • muito bem colocado…

        e mostra também que podem estar usando critérios de semelhança…………………………………

        um perigo para todos quando misturados com elementos ostensivos, que muitas vezes, dependendo da área de atuação do suspeito, vêm de comportamentos normais  e explicável em si, ou seja, é da função

        grande erro do combate é mirar nos que mais aparecem. Um erro que pode revelar o uso político

  3. interpretação infinita dos indícios…

    um perigo que muitas vezes faz a inocência permanecer invisível aos olhos de quem investiga

    E estamos em época de culto à culpa,

    o que faz os deslumbrados do pensamento hermético, digamos assim, enxergarem um suspeito em potencial em qualquer atividade comercial, educacional, teatral, musical, e por aí vai até identificarem um tucano

  4. Quem faz parte daquele CARF?

    Quem nomeou?

    Uma analise patrimonial desses indivíduos mostraria claramente qualquer eventual enriquecimento ilícito. Lembrei-me também que, algum tempo atrás, o Brasil recebeu uma listagem de brasileiros com dinheiro no exterior. Cruzando essas informações com as declarações de renda teríamos muito corrupto pego. Mas, nada disso é feito, provavelmente porque deve Haber muito figurão e togado dentro daquelas listas.

    https://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/01/1734371-lista-de-offshores-de-brasileiros-em-paraisos-fiscais-e-apreendida.shtml

  5. Quando um juíz assume que

    Quando um juíz assume que quebrou o sigilo telefônico de um presidente da república[caso Dilma-Lula] a porteira se arreganha e aí tudo mais é fichinha. Não estou falando que Roberto Giannetti se comportou assim porque não sei, mas muitos que não “viram nada demais ou fizeram o estilo sei que é errado mas fazer o quê, a vida é assim mesom” estão sofrendo na pele essa tática do vazamento pra destruir reputação. Reinaldo Azevedo é um dos exemplos disso na mídia. 

  6. O direito ao respeito, por Bresser-Pereira
      

    Luiz Carlos Bresser-Pereira

    19 h · 

    O direito ao respeito

    A operação Lava Jato ficará na história do Brasil, não como uma linha divisória entre o Brasil corrupto e o Brasil honesto, mas como um marco de um grave ataque aos direitos civis dos brasileiros. Representou inicialmente um avanço ao investigar, acusar, e julgar pessoas obviamente corruptas, mas o capitalismo é intrinsecamente corrupto já que define como seu valor maior o dinheiro. Por isso a luta contra a corrupção é uma luta sem fim – uma luta que para ter efeitos duradouros precisa ser realizada de acordo com os princípios do direito.

    Graças a seus êxitos iniciais, a operação alcançou amplo apoio da opinião pública, mas em seguida, sentindo-se fortalecida, passou a violentar os direitos civis dos cidadãos brasileiros, ao prender pessoas devido à simples suspeita de ter ela agido de forma desonesta, ao realizar buscas e apreensões nas casas dos suspeitos, ao fazer conduções coercitivas para depor, ao usar a possibilidade da delação premiada para chantageá-las a confirmar suas suspeitas de atos criminosos para terem o benefício da delação. Além disso, visou de maneira preferencial o ex-presidente Lula e o condenou à prisão sem qualquer prova, mas com um objetivo claro: lograr apoio das elites conservadoras brasileiras envolvidas no impeachment da ex-presidente, Dilma Rousseff.

    O problema é que o exemplo de violência e arbitrariedade da Lava Jato vem sendo copiado pela polícia e pelo poder judiciário. O último e lamentável episódio desse tipo, neste caso no âmbito da operação Zelotes, teve como vítima o empresário e economista, Roberto Giannetti da Fonseca. De repente, devido a sua participação como consultor na emissão de uma portaria do Ministério do Comércio, Indústria e Desenvolvimento que beneficiou a Siderúrgica Parapanema, seu nome apareceu na imprensa como suspeito de corrupção e sua casa sofreu busca a apreensão. A Folha de S. Paulo publica hoje uma ampla e competente entrevista de Roberto Giannetti aos jornalistas Fábio Sandrini e Alexa Salomão na qual ele mostra que agiu como consultor em uma área que ele conhece muito bem – a do comércio exterior, especificamente, a dos drawbacks (recuperação de impostos que incidiram sobre os insumos quano o respectivo bem é exportado) –, e recebeu a remuneração contratada, 1,5% do benefício auferido pela Parapanema. Declara, ainda, que a portaria que foi emitida sobre drawbacks é tecnicamente correta. E termina sua entrevista com uma frase que nos deve levar a pensar: “Jamais imaginei que pudessem vir bater à minha porta e dizer ‘é a Polícia Federal, 6h, busca e apreensão em sua casa’. Para mim, isto é um choque, uma tempestade, pelos meus valores éticos e de minha família. O maior ativo que tenho aqui é confiança”.

    Conheço bem Roberto Giannetti da Fonseca. Ele pertence a uma família de homens públicos da melhor qualidade. Quando fui ministro da Fazenda, ele me ajudou informalmente com grande generosidade e competência a encontrar uma solução para a dívida externa. Neste momento difícil para ele, porque vítima de difamação, manifesto minha solidariedade. Está sendo negado a ele o direito ao respeito, que é um direito civil fundamental.

     

  7. ANTICAPITALISMO DE ESTADO. 40 ANOS DE REDEMOCRACIA

    Será que os Brasileiros já esqueceram dos 1 Bilhão de Reais destinados à Família Gianetti no final dos Governo FHC? Consultorias, papagaios, repolhos e outra coisas devem ter justificado tal financiamento a Opinião sempre prestativa e esclarecedora quanto à traição de Lesa-Pátria daqueles 8 anos. AntiCapitalistas e ‘Honestos’. Poderia se esperar mais o que de Socialistas que construíram nossa Constituição Cidadã e 40 anos Redemocráticos? O que os olhos não vêem, o nariz percebe na nossa Latrina Tupiniquim/2018?!! Golpe seguido de golpe. Mas se nada der certo daqui para a frente, estão todos morando na Europa ou EUA. É você, o Enganado, que estará atolado até a cabeça nesta latrina. O Brasil é de muito fácil explicação. 

  8. Gianotti é apenas o seguinte…

    O ataque a Gianotti é apenas mais uma das ações de destruição da competência nacional. Depois da Petrobrás e das empreiteiras brasileiras, que faziam o melhor conjunto de competências de exploração de petróleo em águas profundas, da indústria da carne, dos políticos que fizeram a reviravolta no PIG, nas dívidas, nos salários, na educação, dos envolvidos na indústria nuclear, trata-se de atacar um grande especialista em comércio exterior… Quem sobrará?

     

  9. + comentários

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