Frente aos riscos na Amazônia, Foreign Policy provoca: ‘Quem vai invadir o Brasil?’

Apesar de a política internacional considerar que cada Estado tem direito de reger seu território da forma que preferir, a Amazônia é um recurso global, o que traz em pauta o papel da comunidade internacional na intervenção

TOPSHOT - Aerial view of the Transamazonica Road (BR-230) near Medicilandia, Para State, Brazil on March 13, 2019. - According to the NGO Imazon, deforestation in the Amazonia increased in a 54% in January, 2019 -the first month of Brazilian President Jair Bolsonaro's term- compared to the same month of 2018. Para state concentrates the 37% of the devastated areas. (Photo by Mauro Pimentel / AFP) (Photo credit should read MAURO PIMENTEL/AFP/Getty Images)

“5 de agosto de 2025: em um anúncio televisivo endereçado para a nação, o presidente dos Estados Unidos, Gavin Newson, anunciou que deu ao Brasil o prazo de uma semana para que o país cesse as atividades de desmatamento na Floresta Amazônica. O presidente anunciou que se o Brasil não cumprir o aviso, irá ordenar um bloqueio dos portos brasileiros e ataques aéreos contra a infraestrutura nacional. Essa decisão foi tomada após a publicação de um relatório das Novas Nações Unidas que catalogou os efeitos catastróficos globais da destruição das florestas tropicais, alertando sobre um “ponto crítico” que, se alcançado, desencadearia um aumento na velocidade do aquecimento global. Apesar de a China ter anunciado que vetaria resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas autorizando o uso da força contra o Brasil, o presidente americano disse que uma aliança de nações está preparada para dar apoio à ação. Ao mesmo tempo, Newson disse que os EUA e outros países estariam dispostos a negociar um pacote de compensação para mitigar os custos de proteger as florestas tropicais, mas somente se, primeiro, o Brasil cessasse seus esforços atuais para acelerar o desenvolvimento.”

O cenário hipotético descrito acima faz parte de um texto publicado nesta segunda-feira, 05 de agosto, por Stephen M. Walt, professor de Relações Internacionais na Universidade de Harvard, na revista americana Foreign Policy. O assunto ganhou atenção da mídia internacional após a notícia que o desmatamento na Floresta Amazônica aumentou mais de 88% entre junho de 2018 e 2019, revelando a necessidade de tomar medidas de proteção ambiental para evitar que impactos globais do desmatamento amazônico sejam agravados.

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O autor enfatiza que, apesar de a política internacional considerar que cada Estado tem direito de reger seu território da forma que preferir, a Amazônia é um recurso global (já que se trata de uma reserva mundial de carbono, e é um fator regulador do clima global), o que traz em pauta o papel da comunidade internacional na intervenção das políticas de proteção ambiental brasileiras.

Na última semana – antes mesmo de o governo brasileiro confirmar um militar para o comando do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) no lugar de Ricardo Galvão, alvo de acusações infundadas do presidente –, a capa da revista britânica The Economist trazia um mapa do Brasil esculpido em um toco de árvore, com o título “O relógio da morte para a Amazônia”. O jornal americano The New York Times publicou, no mês passado, o artigo“Sob o líder de extrema-direita do Brasil, as proteções amazônicas são cortadas e as florestas caem”. Isso ilustra a preocupação dos demais países com essa problemática, mas a questão é: o quão longe a comunidade internacional deveria ir para evitar ou reverter ações danosas para o meio ambiente?

Walt aponta que uma das medidas que poderiam ser tomadas para pressionar países ambientalmente irresponsáveis seria o uso da força militar por parte do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Mas há um paradoxo: os países com maior responsabilidade pelas mudanças climáticas (China, Estados Unidos, Índia, Rússia e Japão) são também os menos suscetíveis à coerção, uma vez que possuem grande poder militar ou bélico, de forma que tal estratégia não é algo propenso a funcionar. É nesse sentido que o Brasil se torna um alvo interessante: o país tem posse de um recurso global cuja destruição prejudicaria todo o globo, mas não tem grande poder de combate, podendo ser facilmente pressionado.

O autor enfatiza que não tem o propósito de estimular tais ações, que podem parecer exageradas para o contexto atual, mas deixa claro que à medida em que os eventos climáticos se intensificarem, é provável que ações mais enérgicas (que não são necessariamente dependentes do uso de força) sejam tomadas por líderes políticos contra países cujas ações impliquem em danos ambientais, com o propósito de frear as mudanças climáticas. Como possível alvo, cabe aos representantes políticos do Brasil tomarem medidas de proteção ambiental, garantindo que o desmatamento na Floresta Amazônica seja diminuído ou cessado e evitando possíveis conflitos acerca dessa problemática.

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6 comentários

  1. Na ‘Terra da Inocência’ tudo é levado na brincadeira. Teoria da Conspiração. Não tem interesse estrangeiro sobre Nosso território. Brincadeira, como há alguns anos foram os Editoriais de Jornais NorteAmericanos e Ingleses afirmando não reconhecerem a Soberania Brasileira sobre a Amazônia e Atlântico, onde está o Pré-Sal. Tudo brincadeira, não é mesmo Kate Lira? Brasileiro é tão bobinho, quero dizer bonzinho. Interesses Estrangeiros só querem ‘salvar’ a Humanidade. Sabemos. Pobre país rico. Mas de muito fácil explicação.

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  2. De nada adianta nos iludirmos quanto a Amazônia. Cedo ou tarde os países ricos vão se apropriar da região sob o argumento de que é patrimõnio da humanidade, a biodiversidade, a água doce e não poluida etc etc. O interesse só aumentará a medida que a crise de recursos naturais e do clima se agravar. As políticas irresponsáveis do dois neurônios e sua trupe só vão reforçar os argumentos dos ricos e acelerar o processo.

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  3. A ficção futurista em tela é um exercício retórico do capitalismo hipócrita, já sem o menor pudor de escamotear seus pendores imperialistas. Quisessem esse cínicos combater a destruição da natureza brasileira, deixariam de se esbaldar com o consumo das commodities baratas produzidas por nossos ruralistas suínos.

  4. Se eu fosse dono de jazidas minerais na região amazônica, fosse dono de um grande banco e tivesse patrocinado um golpe contra uma presidente honesta, começaria a ficar muito preocupado com esse tipo de notícia vindas de fora do país…
    Por que o tal mito está desorganizando toda sinergia social do pais a tal ponto que quem lutaria por isso aqui?
    Os que não têm carteira assinada?
    Os que não se aposentarão nunca?
    Os que não têm assistência médica?
    Os que estão desempregados?
    Os que são paraíbas cabeças grandes?
    Os que ficarão sem escola?
    Será que conserta isso em alguns meses?
    O Brasil é trágico!
    Aos conquistadores, Tudo!

  5. Seria Irônico. Você põe o cara lá para ele destruir a Floresta e depois tira ele para roubar a floresta.

    Bolsonaro seria o novo Saddam Husseim ou Bin Laden. Cara útil um dia que no dia seguinte vira inútil

  6. O sujeito que foi eleito presidente do brasil não tem a mínima noção dos efeitos de qualquer decreto que assina, e na ânsia de favorecer bancadas esdrúxulas como biblia, bala e evangelica, promove um festival de sandices em forma de lei que se espalha como cancer pelo país. Em risco, a sobrevivência dos menos favorecidos, o ambiente e a Amazônia.
    Tambem acho, assim como um leitor acima, que o risco de um movimento internacional visando se apropriar da amazonia é real, como fizeram no pré sal. Mas, pergunto: que moral teria os eua, que nao respeita nenhum tratado que vise minimizar efeitos nocivos ao meio ambiente, de liderar esta ação?
    De hipócritas já estamos bem, nao precisamos de americanos engrossando este time.

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