Inpe divulga novo levantamento registrando recorde de desmatamento na Amazônia

Região perdeu quase 10 mil km2 de floresta no último ano registrando a terceira maior elevação da taxa na história

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Jornal GGN – Em evento realizado na manhã desta segunda-feira (18), na presença dos ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Marcos Pontes (Ciência), na sua sede, em São José dos Campos, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) mostrou que o desmatamento da Amazônia foi de 9.762 km2 em um ano.

Os dados são do sistema de monitoramento Prodes, entre agosto de 2018 e julho de 2019 e apontam que o Brasil bateu recorde do desmatamento na Amazônia na última década. Em relação ao mesmo período do ano anterior, o desmatamento na região aumentou 29,5%, a terceira maior alta percentual na série histórica, perdendo apenas para 1995 (95%) e 1998 (31%).

Durante o evento, o ministro Ricardo Salles ressaltou que o aumento nas áreas desmatadas se deve à “economia ilegal” na região amazônica, ele ainda anunciou que fará uma reunião em Brasília na próxima quarta-feira (20) para anunciar medidas contra a perda de área florestal, entre elas o repasses ao Fundo Petrobras, para combate ao desmatamento, e a volta do TerraClass, projeto do Inpe em parceria com a Embrapa, responsável por qualificar o desflorestamento na Amazônia Legal e que foi realizado até 2014.

Organizações ambientais, porém, avaliam que o aumento expressivo do desmatamento na Amazônia Legal é reflexo dos discursos do presidente Jair Bolsonaro e ações antiambientalistas colocadas em prática pelo próprio ministro Ricardo Salles.

“O dado é decorrência direta da estratégia implementada por Bolsonaro de desmontar o Ministério do Meio Ambiente, desmobilizar a fiscalização, engavetar os planos de combate ao desmatamento dos governos anteriores e empoderar, no discurso, criminosos ambientais”, disse em nota o Observatório do Clima. “O próprio presidente já declarou, com orgulho, que havia mandado seu antiministro do Ambiente, Ricardo Salles, ‘meter a foice no Ibama’. Salles obedeceu”, completa a organização.

Leia também:  Canadá pagará US$ 2 mil por mês a trabalhadores afetados pelo coronavírus

“Esse aumento reflete o descaso que o governo tem tido com a fiscalização, visto que 40% dos alertas de desmatamento ocorreram em terras públicas não destinadas”, destaca a diretora de Ciência do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), Anne Alencar.

O Observatório do Clima assalta também que o governo federal não anunciou “nenhum plano crível para reverter a situação”, aguardando com ceticismo as medidas que serão anunciadas na próxima quarta-feira (20), na reunião anunciada por Salles com governadores da Amazônia.

“Em 1995, Fernando Henrique Cardoso elevou os limites de proteção do Código Florestal; em 2003, Luiz Inácio Lula da Silva criou o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAm), que Salles e Bolsonaro enterraram; em 2008, o governo criou uma lista dos municípios críticos e cortou crédito rural para desmatadores”, pontua a entidade.

“Para não deixar dúvida sobre a tendência, os dados do Deter apontam que a explosão na devastação continua em 2020. Somente entre agosto e a primeira semana de novembro o sistema de alertas do Inpe já registrou 3.929 km2 desmatados, o que significa 57% de tudo o que se desmatou em 12 meses entre agosto de 2018 e julho de 2019”, completa o Observatório.

“Como a área de alertas vista pelo Deter é sempre menor que a área desmatada registrada no Prodes, já é possível afirmar que o Brasil não cumprirá a meta de reduzir o desmatamento em 80% em 2020 (para 3.925 km2), mesmo que todo o desmate acabasse hoje na Amazônia”, alerta a entidade.

Leia também:  Governo "flerta com as trevas" e pobres vão morrer nas calçadas, diz cirurgião Miguel Srougi

Os dados do Deter anunciados nesta segunda-feira (18) confirmam a explosão de desmatamento anunciada pelo Inpe no início de agosto, e que levou o presidente Jair Bolsonaro a chamar o órgão de “mentiroso”. A crise gerou a demissão do então diretor Ricardo Galvão.

Na ocasião, Bolsonaro chegou a afirmar que Galvão, ex-diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e hoje membro do Conselho da Sociedade Europeia de Física e presidente da Sociedade Brasileira de Física, poderia estar “a serviço de alguma ONG.”

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

1 comentário

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome