Mudanças climáticas estão ligadas a desastres em série pelo mundo   

Renato Santana
Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.
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Brasil, Índia, Nepal, Sérvia, Canadá, EUA: mundo vive desastres ambientais ligados ao modo de produção que altera o clima

Pessoas ilhadas aguardam resgate em Moçambique após passagem do Ciclone Tropical Idai. / Foto: Chris Sherrard (Irish Mirror)

Devido à passagem de um ciclone extratropical no Rio Grande do Sul, quinta-feira (15), a Defesa Civil do estado contabiliza 3.700 pessoas desabrigadas, 700 desalojadas e 13 mortos até domingo (18). 

As tempestades causaram inundações, alagamentos, enxurradas e deslizamentos de terra, que afetaram 41 cidades gaúchas e 31 em Santa Catarina, estado vizinho atingido pela violência do ciclone. 

Os desastres se espalham pelo mundo, unindo as populações mais pobres, as que mais sofrem com essas dinâmicas ambientais alteradas. Moradias irregulares e em locais de perigo convertem bairros em cenários de destruição. 

Na Índia, no estado de Uttar Pradesh, ao norte, uma onda de calor matou 119 pessoas nestes últimos dias. No total, o país já contabiliza 170 mortes.

A onda de calor tem provocado problemas no fornecimento de energia e nos hospitais há aglomerações de pessoas solicitando socorro.

As temperaturas têm chegado, de acordo com o Departamento Meteorologia da Índia, a 43,5 graus, mas com sensação térmica de 45 graus.

Especialistas entendem que vivemos o período chamado antropoceno, ou seja, pela primeira vez na história do Planeta Terra uma espécie é capaz de criar as condições para a própria extinção. 

Sinais do mar

Sinais variados, mas indicadores do tamanho da encrenca. A Organização das Nações Unidas (ONU) já havia advertido que as geleiras do mundo derretem a uma velocidade que parece impossível de se deter.

O desaparecimento delas está associado a menos água para milhões de pessoas, menos energia elétrica e menos possibilidade de regar plantações.

Isso se dá pelas temperaturas dos oceanos, onde acaba 90% do calor retido na Terra, que também estão cada vez mais quente. Ao passo que os últimos oito anos foram os mais quentes como nunca registrados. 

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) aponta que o nível do mar também alcançou um patamar inesperado e os efeitos de toda a catástrofe se pode observar nas secas, ondas de calor e inundações, fatos que se evidenciam em várias partes do mundo.

Enquanto em alguns lugares as secas provocam incêndios, mortes e desabastecimento, em outros o excesso de chuvas destrói moradias, infraestrutura e plantações.

Países ricos

Mesmo os países mais ricos, como os Estados Unidos e o Canadá, têm sofrido com incêndios florestais que já afetam a América do Norte. A fumaça se transformou em neblina em diversas cidades, como Nova York. 

Bombeiros do México e de África, reforçando brigadas canadenses e norte-americanas, estão nas florestas canadenses ajudando a conter as chamas.  

Tempestades mais devastadoras, caso dos múltiplos tornados deste domingo no Mississipi, que deixaram seis mortos, marcam tragédias e somam-se aos furacões no Golfo do México, afetando ainda países do Caribe e América Central. 

A OMM divulgou nesta segunda (19) que a Europa é o continente que está experimentando o aquecimento mais rápido, segundo relatório anual Estado do Clima na Europa, em 2022.

Para a OMM, os impactos do resultado são de grande alcance para o tecido socioeconômico e os ecossistemas da região. Impactos que tendem a emanar para todo o mundo, dada a importância do continente.

Ao anunciar que em 2022 a Europa está aproximadamente 2,3 graus acima da média pré-industrial (1850-1900), a OMM informa que a situação afeta gravemente as pessoas, as economias e o meio ambiente da Europa.

Sérvia 

A Sérvia declarou estado de emergência em mais de uma dezenas de áreas do país devido a inundações causadas pelas fortes chuvas, que causaram a evacuação de 55 pessoas, conforme o vice-ministro do Interior, Luka Causic.

Causic assinalou que foram decretadas medidas em cinco cidades, enquanto que em outras duas se introduziu um estado de emergência parcial.

Assim mesmo, 23 distritos se encontram com baixas medidas de emergência em toda sua área, igual a partes de outros 12. Também se introduziram medidas de emergência em 42 cidades e distritos.

​​Nepal

No Nepal, fortes chuvas na província de Koshi deixaram um saldo de cinco pessoas mortas e um total de 28 desaparecidas até esta segunda-feira (19), informaram autoridades locais.    

Além das vítimas fatais, os desastres naturais causam problemas na infraestrutura, derrubando pontes, abrindo crateras em estradas, inundando hospitais e escolas. 

“O maquinário e o equipamento para o projeto hidrelétrico foram arrasados. Também há informes de casas acabadas”, disse o subchefe do distrito de Sankhuwasabha, no Nepal, Mohanmani Ghimire. 

Modo de produção

Cada vez mais as mudanças climáticas provocadas pelo modo de produção capitalista, predador socioambiental para promover o acúmulo a nações do Norte Global, provocam catástrofes ambientais e mortes. 

De acordo com o professor de Geografia e Clima da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Paulo César Zangalli Júnior, a situação climática está diretamente ligada a questões econômicas. 

“A gente não produz para satisfazer as necessidades humanas, ao contrário, a gente produz para obtenção de lucro e simplesmente isso. Sem essa participação não haveria essas ondas de calor no Oeste dos Estados Unidos e no Canadá, aconteceria um evento a cada mil anos”, afirma.

A ação humana desde a Revolução Industrial promove, conforme diz o professor, a aceleração das mudanças climáticas. Destaque para a relação estabelecida entre o capitalismo e a natureza.  

“O que nós estamos vivendo, sem dúvida, já é o efeito das alterações climáticas produzidas pelo capitalismo, por esse modo de produção capitalista e por esse modo de relação capitalista com a natureza”, afirma.

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2 Comentários

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  1. A questão climática está diretamente ligada a questões econômicas e de consequência, com questões militares.

    Vale lembrar o jornal Diário do Estado que publicou no dia 22 de abril de 2014 o primeiro artigo completo no Brasil sobre “Geo-engenharia”. O Jornal revela que o Brasil fora incluído no programa estadunidense de pulverização da atmosfera visando o controle do tempo atmosferico com finalidades militares. Trata-se de um metodo eficaz de controle: desorganizar, impor mudanças, subjugar governos, etc..

    Em agosto de 1996 a Força Aérea dos Estados Unidos concluiu o importante estudo “Weather as a Force Multiplier: Oeing the Weather in 2025. Ali está escrito tudo.

  2. A questão climática está diretamente ligada a questões econômicas e de consequência, com questões militares.

    Vale lembrar o jornal Diário do Estado que publicou no dia 22 de abril de 2014 o primeiro artigo completo no Brasil sobre “Geo-engenharia”. O Jornal revela que o Brasil fora incluído no programa estadunidense de pulverização da atmosfera visando o controle do tempo atmosferico com finalidades militares. Trata-se de um metodo eficaz de controle: desorganizar, impor mudanças, subjugar governos, etc..

    Em agosto de 1996 a Força Aérea dos Estados Unidos concluiu o importante estudo “Weather as a Force Multiplier: Oeing the Weather in 2025. Ali está escrito tudo.

    Planet Earth: the latest weapon of War, Rosalie Bertell.

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