11 de junho de 2026

As perguntas não feitas pelo Fantástico no especial da Cracolândia, por Ana Trigo

Uma operação da polícia, que apreendeu 111 gramas de crack (sim, você leu certo GRAMAS), é apontada como bem sucedida.

As perguntas não feitas pelo Fantástico no especial da Cracolândia

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por Ana Trigo

Ontem, prestes a completar 50 anos, o Fantástico – O Show da Vida, veiculou uma reportagem anunciando imagens inéditas de como funciona o tráfico na cracolândia. Uma reportagem que me deixou profundamente triste como jornalista e pesquisadora acadêmica pela apuração rasa e cheia de estigmas contra os dependentes químicos. Uma operação da polícia, que apreendeu 111 gramas de crack (sim, você leu certo GRAMAS), é apontada como bem sucedida. A imagem acima mostra, segundo o repórter, um “traficante”: um homem sem camisa, esquálido, trocando drogas por um agasalho de lã. Outras imagens mostram os “traficantes” no escambo que acontece nos fluxos: as drogas são trocadas por coisas, sem dinheiro envolvido. Também conversa com comerciantes, desesperados por verem o inferno se aproximando de seus negócios. O prefeito e o delegado são entrevistados. E quantas perguntas deixaram de ser feitas! Aponto aqui algumas:

1) Se o tráfico acontece à vista de todos, por que não é coibido?

2) Um “traficante” foi preso (outra imagem mostra um homem de bermuda e camiseta em frente ao prédio de fachada simples onde morava): ele comprava drogas em Santos. Onde ele comprava droga? O fornecedor foi preso? O centro de distribuição na cidade do litoral paulista foi desmontado? E os centros de distribuição que existem aqui em São Paulo? O crack não brota nas calçadas da cidade.

3) Por que o poder público insiste em empurrar os dependentes químicos de um lado para o outro, em um êxodo macabro, espalhando o inferno pela cidade?

4) Por que não existe um protocolo de prevenção que acolha o dependente e sua família nas inúmeras vezes que buscaram ajuda antes de cair nos fluxos, abandonando essas pessoas em um caminho de solidão e desesperança?

Desalentador!

Fantástico #Fant50 #dependênciaquímica #estigma #cracolândia

Ana Trigo – Doutora em Ciência da Religião na PUCSP

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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  1. AMBAR

    31 de julho de 2023 4:08 pm

    As perguntas mais difíceis que ninguém faz são, por exemplo: Quem domina os portos de Santos há mais de 30 anos (dica, é um político) ? Por que os pontos de venda de droga são tão próximos de postos físicos e móveis de polícia e tem sempre viaturas próximas? Por que quando um bairro começa a ficar interessante traficantes e viciados começam a se aglomerar em torno dele? Por quê que depois que viciados e traficantes de um local são expulsos, imóveis detonados pelo tráfico são demolidos e novas construções aparecem vendendo unidades a preços exorbitantes?

  2. José de Almeida Bispo

    31 de julho de 2023 9:31 pm

    Esse tipo de reportagem é só mais uma agitação. Pra ver se a sociedade se selvageriza ainda mais e “clama” pela “solução final”: A MATANÇA, tão a gosto de certo numeroso segmento da elite brazurca. Resolver, consoante a lei? Nada! “Dá um trabalho!” Além de prejudicar os grandolas do sistema.

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