A técnica inumana de Yamandu Costa, por Gustavo Conde

Foto: Milton Dória

A técnica inumana de Yamandu Costa

Por Gustavo Conde

O que deve ter acontecido para Yamandu Costa se tornar o maior violonista do mundo – na minha chã opinião – foi algo muito singelo. Yamandu foi prodígio, apareceu adolescente na cena, assombrando tudo e a todos. Era fenomenal, mas tinha uma sutileza (que a maioria esmagadora de violonistas virtuoses apresenta): consertava tempos e mastigava notas.

A técnica de violão é muito complexa e lida com dificuldades físicas do instrumento e da mão humana. Muito se trasteja, muito se antecipa, muito se “suja”. Cordas são indóceis e o braço do violão é um cavalo selvagem, com suas trastes arredias. Toda essa dinâmica faz parte da cultura do violonismo. Raphael Rabello, gênio, tinha essa característica.

Al di Meola, Segóvia, Dilermando Reis, Paco de Lucia, John McLaughlin, Django Reinhardt e gerações inteiras de violonistas deixaram suas marcas geniais pelo mundo das cordas no interior de uma estética da “violência” do toque (com toda a delicadeza embutida nos momentos de contenção). Eles literalmente “feriam” as cordas.

Yamandu superou esse desafio da física. Como ele foi criticado injustamente quando de seu “surgimento”, ele deve ter incorporado a missão de tocar o mais “limpo” possível, tanto no que diz respeito ao tempo, quando no que diz respeito ao timbre. Ele conseguiu.

Yamandu simplesmente não “erra”, não suprime notas, não acelera para terminar movimentos ou sub movimentos. Não inventa, não conserta tempos descompassados, não faz gambiarra. É impressionante. É inumano.

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Mais do que tudo isso, do que essa técnica absolutamente insuperável, ele tem um sentimento e uma dicção arrebatadores. A “sujeira” dele é emocional, não técnica.

Eu me dei conta disso recentemente, porque acreditava ainda no tecido crítico que marcou o início de sua carreira, há uns 15 anos atrás. Mas, essas críticas viraram pó.

Curioso. Talvez tenha sido esse conjunto de críticas que possibilitou o surgimento de um violonista tão singular. E, é claro, a obstinação – espontânea de tão verdadeira e bem sucedida – desse que para mim é o maior violonista do planeta.

Veja Yamandu Costa executando o tango ‘El Choclo’

 

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15 comentários

  1. !
    Ele tem uma técnica ruim e um som sujo, está muito longe de um John Willians ou mesmo de inúmeros outros violonistas brasileiros, ele deve ser sim um bom guitarrista elétrico, talvez tocando no sepultura, que eu adoro, porém faria uma grande utilidade pública se aposentar da guitarra acústica, momentum para um Segóvia.

  2. O amor
    Segundo o pessoal do fórum Violao.org, Yamandu, que é um gênio, ficou ainda melhor depois que se casou com Elodie Bouny.

    Ela é tb uma excepcional violonista francesa, só que de tradição clássica. A convivência artística cotidiana com Elodie limpou o som de Yamandu. Essa é a hipótese.

    [video:https://youtu.be/KdsEHdnXcnQ%5D

    • Sem nenhum demerito tecnico:

      Hipotese errada ja que cordas de plastico sempre tiveram resolucao mais alta.

       Brilho sonoro zero, no entanto –NUNCA vou me acostumar com cordas de plastico, a ressonancia dos harmonicos ta toda errada enquanto as notas estao todas la.  Nao da pra computar.

  3. Ele teve um grande Mestre

    Ele teve um grande Mestre rgentino Lucio Yannel..Além do mais existe o que hamamos do talento encontrar ambiente para evoluir… A cultura gaúcha, atraves dos CTG possbilitam o surgimento de artistas.Sua casa, seu espaço cutural, acolheram sua maestria

  4. Chocante!

    Eu disse aqui uma vez que Yamandu estava tentando tirar mais resolucao de notas do que o violao tinha pra oferecer…

    Jamais me teria ocorrido que ele redefiniria “resolucao de notas de violao” ao mudar de gage 10 para gage 9!!!!!

    Parabens, Yamandu!!!!  Isso nao existeeeeeeeeee… ria…

    Sem voce!!!!!

      • “gauge”

        de forma sucinta, “gauge” pode ser entendido como calibre, bitola, espessura ou diâmetro das cordas – [0,9; 0,10; 0,11; 0,12 (medidas com base no sistema imperial de medidas]. Como “regra geral” se diz quanto mais fina a corda, mais “macia” e fácil de tocar.

          

      • Eh a grossura das cordas,

        Eh a grossura das cordas, Jose Sergius.  Uma vez que descobri gage 9 nunca mais usei os trambolhos de 10.  Era baratinho, 3 encordoamentos de 6 cordas por 10 dolares.  (e ja nao toco violao ha quase 20 anos mas nao tenho razao pra desconfiar que subitamente ficaram caros)

        Parecem manteiga debaixo dos dedos, ainda mais com o igualmente baratissimo oleo de limao que eu usava.  Nao eh qualquer oleo, eh efeito para violoes!

        Por sinal, tambem eh a grossura minima para guitarras eletricas, e tenho ambas, foi assim que eu descobri que essas cordas existiam.  Se voce tiver chance torque seu encordoamento trambolho do violao para encordoamento de guitarra, a melhora no seu toque vai ser instantanea.

        Se nao me engano a grossura das cordas brasileiras eh…  Gage 12…  E eu nao nasci pra tocar musica em barras de onibus!

      • (ah, e note meu comentario la

        (ah, e note meu comentario la embaixo:  pra treinagem, quanto aa resolucao de notas em um violao, use as mais macias das cordas que voce conseguir, depois toque cordas de plastico!  Seu toque ja vai estar diferente e mais seguro e confiante entao, nao vai ser problema nenhum. Yamandu esta tocando cordas de plastics com a seguranca “dedal” de quem ja treinou em outras)

  5. YAMANDÚ – CONDE

    Como gaúcho e audiófilo acompanho o cara há uns 20 anos.

    Certa vez ele ia toca num boteco pequeno e reservei a mesa em frente ao minúsculo palco.

    Para se ter idéia nem amplificação precisava.

    Som natural, dava para escutar até o som das unhas roçando as cordas. Maravvilha.

    Creiam, se fechassemos os olhos, era como ouvir uma orchestra de cordas.

     

  6. Lúcio Yanel

    Yamandú pertence a uma escola criada por um autodidata argentino, radicado no Rio Grande do Sul, chamado Lúcio Yanel. Superou o mestre em técnica mas herdou o sentimento e o cuidado com as notas. Em uma milonga não se arrasta os dedos…

  7. Técnica contra “fritar” cordas.
    Realmente, Yamandú está tocando menos “sujo” do que quando surgiu como violonista famoso.

    Violonistas que tocam “sujo” são criticados por professores de violão, que apontam tal fato como evidência de falhas técnicas no manejo do instrumento.

    Embora seja apenas um violonista apenas mediano aprendí com um dos meus primeiros professores uma “técnica” para “limpar” acordes e solos: praticar com cordas de aço. Elas realmente maltratam violonistas “fritadores” de cordas.

    • Para treino ou para

      Para treino ou para concertos? Ou mesmo para uma musica de facilmente 3 mil notas?

      Ele nao estava “fritando” notas em comeco de carreira!  Ele “somente” era mais rapido que a resolucao de notas das cordas dos violoes que estava usando aa epoca!

  8. Mais bobagem
    A mão esquerda prende o violão com o o polegar opositor, o braço do violão. O corpo do violão e seguro pelas axilas sobre a perna esquerda sobre o colo. O dedilhar é técnica treinada a exaustao com rara habilidade motora. Tudo humano, apenas humano!

  9. + comentários

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