Osesp cativa público do Royal Albert Hall

 da Folha – 17/08/2012

                                                                                                                                                             Desirée Furoni/Divulgação

Concerto da Osesp no Royal Albert Hall, em Londres, na última quarta-feira

 

Concerto da Osesp no Royal Albert Hall, em Londres, na última quarta-feira

 

Os músicos estavam eufóricos ao final do concerto da última quarta-feira da Osesp (sinfônica do Estado) em Londres. As 5.000 pessoas que lotavam o Royal Albert Hall, também.

Aplaudiram com as mãos e com o barulho cadenciado dos sapatos no assoalho para ganharem duas peças como bis.

O concerto fez parte do tradicional festival Proms e foi a primeira apresentação da orquestra em sua quarta turnê europeia –ela se apresentaria na quinta (16) na cidade britânica de Aldeburgh e no sábado (18) estará em Wiesbaden, Alemanha.

Roger Wright, diretor musical do festival, já previa a venda de todos os ingressos, por três razões: Nelson Freire como solista, Marin Alsop como regente e pelo interesse pelo Brasil, próximo anfitrião da Olimpíada.

Os músicos se apresentaram propositalmente extrovertidos, o que é apropriado a um festival de verão.No programa estavam a “Sinfonia nº 9”, de Dvorak; “Fanfarra para um Homem Comum”, de Aaron Copland; e “Fanfarra para uma Mulher Incomum”, de Joan Tower. Em seguida, “Momoprecoce”, de Villa-Lobos, com Nelson Freire ao piano. Por fim, quatro danças do balé “Estância”, do argentino Alberto Ginastera.

Nelson Freire estava inspirado. Sua peça é dificílima. Ele demonstrava excepcional atenção à regente e colocou sobre o piano a partitura de Villa-Lobos, que seu olhar mal consultou.

O público do Royal Albert Hall pode carregar bebidas a suas poltronas e aplaudiu nos intervalos dos movimentos: duas heresias para os hábitos internacionais.

Grupos esparsos exerceram, de modo inesperado, o senso de humor britânico: aplausos frenéticos quando o spalla Emmanuele Baldini apertou a tecla lá do piano para afinar a orquestra e um um “croaque-croaque”, vindo de um artefato doméstico de percussão, quando um idoso descia com dificuldade a escada para ocupar, com atraso, seu lugar.

Apesar de sua extensa experiência internacional, a Osesp encarou o Proms como um vestibular. E comemorou sua unânime aprovação.

O jornalista JOÃO BATISTA NATALI é hospedado na Europa pela Fundação Osesp

 

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‘Temos fome de ser grandes’, diz regente de sinfônica


JOÃO BATISTA NATALI

ENVIADO ESPECIAL A LONDRES

 

Marin Alsop, 55, regente titular da Osesp, diz ter vivido com seus músicos uma experiência mais estimulante que nas cinco ou seis outras oportunidades em que regera no Royal Albert Hall. Por se tratar da primeira orquestra brasileira no Proms, surgiram as condições para que se estabelecessem relações positivas com o público.

Osesp cativa público do Royal Albert Hall

Ela descreve o exercício da regência como “algo tranquilo”, o que se traduz também pela tranquilidade com que a orquestra supera as dificuldades e consegue lapidar sua interpretação. “Sou muito calma. Sinto que eles são muito inteligentes e que dão o melhor de si”, diz.

“Gostam de trabalhar comigo, o que tem sido até agora muito bom”, afirma, referindo-se ao fato de ter assumido seu posto neste ano.

Quanto ao programa interpretado no festival britânico, ela conta que talvez optasse por peças diferentes –no entanto, diz gostar do programa como ele foi concebido.

“O importante é que foi gratificante interpretar uma obra para piano de Villa-Lobos, que não possui tanto peso no repertório brasileiro e que, paralelamente, é quase desconhecida do público estrangeiro”, afirma.

Alsop diz estar se familiarizando aos poucos com o repertório brasileiro de música de concerto e que recebe pressões de músicos da outra orquestra de que é titular, a Sinfônica de Baltimore (EUA), para interpretá-lo. Um de seus fagotistas, por exemplo, insiste para que se programe por lá o “Frevo”, de Edu Lobo, que foi a peça apresentada em Londres como bis.

Pouco antes do concerto, Alsop gravou um programa que a rádio BBC-3 transmitiu durante o intervalo. Disse que a orquestra brasileira “tem fome de ser grande”, o que combina com a ideologia predominante em São Paulo.

Disse, também, que a paisagem paulistana tem excesso de concreto e, por isso, não é bela, mas instituições constroem nichos de beleza em seus espaços internos.

Em termos de concepção de orquestra, disse discordar de chavões como aquele que considera como modelo as cordas da Orquestra de Filadélfia. “Se ela tocar Mahler e Mozart do mesmo jeito, não terá de forma alguma um bom conjunto de cordas.”

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