Quem disse que o crime não compensa?, por Carlos Motta

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Quem disse que o crime não compensa?

por Carlos Motta

O crime não compensa, é a mensagem que ouvimos desde que nos conhecemos por gente.

E, geração após geração, essa mentira vai se repetindo.

O fato, porém, é que crime compensa, e muito, apesar do que se faça para coibi-lo – decretos, leis, prisões, forcas, pelotões de fuzilamento…

O crime compensa tanto que aqui no Brasil ele já domina as instituições, desde o Executivo até o Judiciário, passando, claro, pelo Legislativo e Ministério Público.

É importante esclarecer que há criminosos e criminosos. Há os chamados “marginais”, os fora da lei, e aqueles que roubam sem sair de seus escritórios com ar-condicionado, feitos para abrigar os homens de bem.

A percepção de que o crime compensa, em grande parte devido a um Judiciário que protege os endinheirados e pune os pobres coitados, se aprofunda em tempos de crise – econômica, política, moral -, como esta que se abateu no país depois que uma presidenta honesta foi apeada do poder por uma quadrilha e se comete todo tipo de barbaridades contra a população em geral e certos setores da sociedade em particular.

Mas se hoje existe a certeza de que o crime compensa, isso não quer dizer que em outros tempos houvesse, generalizado, um sentimento contrário.

Não é preciso nenhum esforço sociológico para se chegar a essa conclusão.

Basta, por exemplo, ouvir o que os artistas populares dizem sobre isso.

Gente como o sambista Dicró, o “xerife” do Piscinão de Ramos, parque de lazer para os pobres do Rio de Janeiro, pelo qual muito batalhou, e autor de dezenas de composições bem humoradas.

Em parceria com o genial humorista e compositor bissexto Chico Anysio, Dicró, infelizmente falecido em 2012, fez e gravou o esclarecedor partido-alto “Cabide de Emprego”.

É uma brincadeira, claro, mas muito séria, e que nos remete a profundas reflexões sobre esta sociedade em que vivemos.

Se não fosse o crime, muita gente morria de fome

O vagabundo é quem garante o pagamento dos homens

Porque um preso dá vários empregos, você pode acreditar

É um policia pra prender

Um delegado pra autuar

Um promotor pra fazer a caveira

Um juiz pra condenar

Um carcereiro pra tomar conta

E um advogado pra soltar

Se não fosse o crime, muita gente morria de fome

O vagabundo é quem garante o pagamento dos homens

Eu não faço apologia, mas infelizmente é verdade

Existe o bem e o mal

Em todo canto da cidade

Quem nunca foi assaltado, por favor, levante o dedo

A maré esta tão braba, que eu já ando até com medo

 

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3 comentários

  1. Operação Lava “gaiato”

    20 apartamentos com malas de dinheiro. Isso mesmo, vinte vezes 50 milhões é um bilhão de reais! Equivalente a duas mil malinhas de Rocha Loures; 500 pacotes de “dois milhão” levados por “primos que depois a gente manda matar”.

    Tudo isso: um bilhão de reais, depois de uma martelada de Juiz, levaram de “HONORÁRIOS” os advogados que demandaram à Petrobrás defendendo os fundos abutres nos EUA. Esse dinheiro é seu, é nosso, do povo brasileiro. Recentemente, aqui mesmo no Brasil, depois de uma ação contra o sistema financeiro, advogados levaram 1,2 bilhões em honorários.

    http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2017/12/colunas/espaco_vital/601890-r-1-2-bilhoes-para-advogados.html

    Embora haja exceções, é possível que muito dinheiro proveniente de ilícitos, inclusive destes recentes casos de corrupção, esteja caminhando – mesmo que em forma “legal” – para o bolso de advogados: da defesa, da acusação e dos advogados com toga que batem o martelo e distribuem o butim entre colegas (normalmente dinheiro do Estado, nosso dinheiro). Isso que é uma verdadeira quadrilha, e ainda “legal”, para lavar dinheiro através de nababescos honorários, dentro de julgamentos que parecem “ações entre colegas”. Trata-se de uma “lava gaiato”. Depois de identificada alguma grana de corrupção esta é novamente lavada e retirada do bolso do gaiato que foi pego, e ao qual a “justiça” dá um “premio” pela delação, do tipo tapinha nas costas e um muito obrigado pela grana.

    A legislação brasileira se especializou em criar dificuldades para todos e vender facilidades para quem possa pagar; gerando a reserva de mercado para mais de um milhão e cinquenta mil advogados operadores da Lei (além de mais de três milhões de bacharéis). Brasil possui – sozinho – mais faculdades de direito que todo o mundo ocidental, somadas. Essas são as faculdades que formam vendedores de facilidades e, naturalmente, para ajudar a criar as dificuldades, no momento em que isso seja possível (na sua atuação no legislativo), em todas as instancias possíveis, gerando uma legislação hipertrofiada, inútil e permissiva.

    A “lava gaiato” é uma operação antiga e cada vez mais presente na vida brasileira, apenas que sempre esteve submersa e hoje começa a aparecer, como um iceberg. A “justiça” canaliza qualquer desavença, litígio, equívoco ou crime (tudo o que possa render algum dinheiro) através de colegas advogados, assim como medicamento tarja preta, que precisa de receita do médico para poder comprar. O advogado pode até mentir para o Juiz e conta com prerrogativas de sigilo que raramente outras categorias teriam. Raramente se tem notícia de quebra de sigilo de advogado (em exercício da profissão) ou de alguma conta secreta no exterior. Advogado pode mentir e ocultar (assim como o patrimônio do Senador Romário), por isso é que a transferência de patrimônio sujo pudesse estar acontecendo, bem na nossa cara e em forma legal, em gabinetes com ar condicionado, embora haja exceções.

    Assim como médico ganancioso corre para exercer a cirurgia plástica, advogados espertos apostam na chamada “compilance”, que é como uma ginástica jurídica para maquiar relações empresariais inadequadas com o mercado ou com o governo. São os caras que se sentam à mesa do tribunal, enfrente aos colegas procuradores e que, como temos visto, trocam às vezes de posição.

    A advogada Catta Preta foi morar em Miami com 22 milhões que ganhou na “Lava gaiato”, o lado “legal” da Lava Jato, apenas assinando e representando a delação “muito premiada” de alguns corruptos, onde o “esquema” da justiça reserva o mercado aos colegas e não dá condição aos corruptos de falar por sim mesmos diante o Juiz.

    O procurador Marcelo Miller se envolveu até o pescoço com a JBS, trabalhando pelos dois lados e, pior ainda, prejudicando a delação premiada contra Temer, Aecim e outros.

    O procurador do Power point fez negócios paralelos com o plano Minha Casa Minha Vida, adquirindo imóveis aproveitando esta brecha aberta prioritariamente para gente pobre.

    O Juiz Moro compra apartamento subfaturado de colega do TRF4.

    Helicóptero cheio de drogas consegue esconder o dono, o piloto, o helicóptero e até as drogas.

    Juízes, inclusive do STF, adquirem propriedades em Miami em formas curiosas e trambiqueiras (off-shore, empresa fantasma e etc.), enquanto recebem “auxílio-moradia”.

    O caso do cantor Belo foi muito interessante, pois mesmo estando preso tinha autorização para fazer alguns shows no final de semana, muito provavelmente para juntar dinheiro para pagar ao advogado que o estava depenando.

    Um tempo atrás a televisão filmou advogado ensinando a congressista a falsificar assinatura, deixando espaço para futura impugnação.

    Perito da justiça tenta converter uma bolinha de papel num tijolo (caso Serra) e etc.

    Tudo o descrito acima – e muitas outras coisas – ficaram por isso mesmo. Sem investigação nem indiciamento de ninguém.

    Vivemos no Brasil uma permanente operação Lava gaiato, onde uma categoria esperta depena qualquer sujeito com alguma grana que cair no “esquema” chamado de justiça, no Brasil. Multas de 100% acima de pendências atrasadas fazem das cobranças judiciais um paraíso para advogados, que chegam a torcer para que as coisas não deem certo, que não funcionem; que o condenado atrase o pagamento ou a pensão; para evitar que desafetos se aproximem e conversem; que a sociedade nunca se entenda e resolva no bom senso.

    Essa é apenas uma parte do modelo de justiça hipertrofiada do andar de cima. No andar de baixo é repressão militar, prisão sumária e bala. Uma greve do judiciário (já anunciada) poderá mostra o quão inútil o Judiciário é para 99% da população brasileira (e quanto dinheiro do povo seria poupado ao deixar de bater esse martelo por algum tempo). O contrário aconteceria com greve no SUS, onde o andar de cima nem perceberia. Isso ilustra bem o abismo que existe entre a justiça das elites e do povo. O caro aparelho judiciário atende apenas 1% da população, e o 99% restante é no PROCON, para quem possui conta bancária endereço no asfalto e alguma prova de “civilidade”, ou repressão e bala mesmo para os favelados.

    Essa é a “Lava Gaiato”. Pobre Brasil, com advogados faturando em forma exorbitante e tantos engenheiros desempregados ou dirigindo Uber. Para onde vai um país assim?

  2. Chama o adevogado

    Quando eu era criança vez em quando ouvia alguém dizer mais ou menos isso “mas para resolver isso ai, so o ade-vogado”. Meu pai não ria da pessoa, mas depois me dizia se chamarem o cabra e ele responder que é adevogado, cuidado. 

    Durante muitos anos numa das principais avenidas da cidade de Cuiaba, tinha um bonito escritorio de advogados com uma placa na entrada onde lia-se “Fulano e fulano, escritorio de advogacia”. Eu sempre ria quando via essa placa. Mais tarde, na faculdade, aprendi que antigamente, mas muito la tras, falava-se assim.

    Lembro dessas coisas porque inumeras vezes tanto em Cuiaba quanto em Goiânia onde morei ouvia advogados, procuradores e até juizes se comportarem exatamente iguais aos malandros que defendiam ou acusavam.

  3. Quem disse que o crime não compensa?, por Carlos Motta

    No Brasil o CRIME tem COMPENSADO TANTO, que se um dia ouvir ALGUMA CRIANÇA dizendo que QUANDO CRESCER vai QUERE ser DELATOR da LAVA JATO, não estranhe.

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